A visita da Velha Senhora de Friedrich Dürrenmatt, com Direção Geral de Luiz Villaça, estreia dia 1/3 no RJ

No elenco: Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira, Maristela Chelala, Renato Caldas, Eduardo Estrela, Beto Matos, Luiz Ramalho, Rafael Faustino, David Taiyu, Fábio Nassar e Fernando Neves
 

 

 

 

 

Chega ao RJ, A Visita da Velha Senhora, nova parceria e patrocínio do Banco Bradesco, com 13 atores em cena, em que Friedrich Dürrenmatt expõe a fragilidade de nossos valores morais e de nossa noção de justiça quando a palavra é dinheiro.

       

A protagonista da peça  é quase a encarnação mítica do poder material, a milionária Claire Zachanassian, vivida por Denise Fraga, que com seu bilhão põe em xeque a cidade de Güllen.  “Encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como finalizar uma trilogia” – diz Denise Fraga.  “ A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão.”  

 

O enredo é aparentemente simples. Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zachanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos rejeitam a absurda proposta.  Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

 

A partir dessa premissa, o suiço Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, um desfile de personagens humanos e reconhecíveis que pouco a pouco, vão escancarando a nossa fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro. Quem mata Krank?  Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária?  Ou fará justiça?  O que é fazer justiça?  Até que ponto a linha ética se molda ao poder dinheiro? 

 

Dürrenmatt caracteriza A Visita da Velha Senhora como uma comédia trágica e com seu humor cáustico nos pergunta: Até onde nos vendemos para poder comprar? Como o poder e o dinheiro vão descaracterizando os nossos ideais?   Por outro lado, quanto nos custa a não submissão?  O texto se desenrola abrindo ainda outros ramos de reflexão.  Dürrenmatt era completamente obcecado pela questão da justiça e as sutilezas de suas fronteiras. O que é justo? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder?  Reconhecível no Brasil nos dias de hoje? A Visita da Velha Senhora expõe questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade, mas que caem como uma luva em nossos tão tristes tempos.

“Acredito no poder de transformação pela arte. Na formação do indivíduo pela arte. O teatro como espelho do mundo, nos fazendo rir para nos reconhecer, dando voz a nossa angústia, dando palavras àquilo que pensamos e não sabemos dizer. O humor e a poesia nos ajudando a elaborar o pensamento para agir, para transformar, para viver criativamente, para por a mão da massa da nossa história”, afirma Denise Fraga. “Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht.  Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”.

 

É natural finalizar tal “trilogia” com a obra máxima de Dürrenmatt. Como Brecht, Dürrenmatt é mestre em dissecar as relações de poder e os conflitos morais em suas obras, em questionar o papel do herói e a sua necessidade para uma sociedade justa, em fazer uso do humor para gerar reflexão. Nas três peças: Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora, tudo isso está explícito. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.

 

A direção é do cineasta Luiz Villaça, que depois do sucesso de Sem Pensar, de Anya Reiss, e A Descida do Monte Morgan, de Arthur Miller, retorna mais uma vez ao teatro.

 

A montagem tem a sofisticação de contar com Cenários e Figurinos de Ronaldo Fraga, a batuta do maestro Dimi Kireeff na Direção Musical, o Desenho de Luz de Nadja Naira da companhia brasileira de teatro, Lucia Gayotto na Preparação Vocal e Keila Bueno nas Coreografias e Preparação Corporal e Simone Batata no Visagismo.

 

A Visita da Velha Senhora cumpriu temporada de 6 meses no Teatro do SESI, em São Paulo, realizando 86 sessões. O espetáculo foi indicado ao Prêmio Shell nas categorias Melhor Atriz (Denise Fraga) e Melhor Figurino (Ronaldo Fraga) e ao Prêmio Aplauso Brasil nas categorias Melhor Atriz (Denise Fraga), Melhor Direção (Luiz Villaça), Melhor Arquitetura Cênica (Ronaldo Fraga) e Melhor Espetáculo Independente.

 

Por Denise Fraga

Amo a comédia porque confio no humor e na ironia como um poderoso agente para a reflexão. Só se ri daquilo que se entende. O humor chama o pensamento e, com isso, dá eficácia e prazer à comunicação de uma ideia.  É incrível como muitos dos autores tidos como clássicos confiavam nisso, mas estão com a risada do público presa na poeira de suas linhas. É preciso sacudi-las, dar uma escovada, deixá-las voar.

 

Brecht dizia: divertir para comunicar. Me identifico com isso. Divertir o público e mandá-lo para casa em estado de reflexão é o que tem me garantido a sensação de plenitude com o meu ofício. O sucesso de ALMA BOA e GALILEU me confirmaram a popularidade de Brecht. Mais da metade de nosso público talvez nunca tivesse ouvido falar dele, mas nem por isso deixaram de ser completamente capturados por sua genialidade.

 

Esta necessidade de propagar aquilo que me tocou o coração, dar-lhe comunicação e clareza para ver mover no outro o que moveu em mim, se tornou mesmo a grande força motriz de meu trabalho. Tem dado certo. E a cada espetáculo, renovo minha esperança de continuar fazendo o Teatro em que acredito.

 

Ficha Técnica:

Autor: Friedrich Dürrenmatt

Stage rights by Diogenes Verlag AG Zürich

Tradução: Christine Röhrig

Adaptação: Christine Röhrig, Denise Fraga e Maristela Chelala

Direção Geral: Luiz Villaça

Direção de Produção: José Maria

Elenco: Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira, Eduardo Estrela, Maristela Chelala, Renato Caldas, Beto Matos, David Taiyu, Luiz Ramalho, Fernando Neves, Fábio Nassar e Rafael Faustino

Direção Musical: Dimi Kireeff

Trilha Sonora Original: Dimi Kireeff e Rafael Faustino

Desenho de Luz: Nadja Naira

Preparação Corporal e Coreografias Keila Bueno

Direção Vocal: Lucia Gayotto

Preparação Vocal: Andrea Drigo

Visagismo: Simone Batata

Fotografia: Cacá Bernardes

Assessoria de Imprensa RIO:  Barata Comunicações | Eduardo Barata

Assessoria de Imprensa SP: Morente Forte Comunicações

Projeto realizado através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Produção Original: SESI-SP | FIESP

Patrocínio Exclusivo: Bradesco

Realização: Sesc Rio de Janeiro, NIA Teatro, Ministério da Cultura e Governo Federal

 

A VISITA DA VELHA SENHORA

 

Teatro Sesc Ginástico

Av. Graça Aranha, 187, Centro

De 01o a 25 de março de 2018

De quinta a sábado às 19h, e domingo às 18h

Sessões extras dias 23 e 24 de março às 15h

 

Estreia dia 01o de Março às 20h.

 

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) | R$ 15,00 (meia-entrada) | R$ 7,50 (associados Sesc)

Horário de funcionamento da bilheteria:

de terça a domingo das 13h às 20h

Informações: (21) 2279-4027

 

Recomendação: 14 anos | Duração: 120 minutos | Gênero: Comédia Trágica

0 comentários

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.