Arquivo pessoal de Nise da Silveira é reconhecido por programa da Unesco

    Em uma época onde a loucura era tratada com choques elétricos e brutalidade, Nise da Silveira optou por outro caminho: estimulou seus pacientes a pintar quadros, fez pulsar neles uma veia artística que nem os métodos mais arcaicos da psiquiatria foram capazes de obstruir. Em reconhecimento a esse trabalho, a Organização das Nações[...]
 
 

 

Em uma época onde a loucura era tratada com choques elétricos e brutalidade, Nise da Silveira optou por outro caminho: estimulou seus pacientes a pintar quadros, fez pulsar neles uma veia artística que nem os métodos mais arcaicos da psiquiatria foram capazes de obstruir. Em reconhecimento a esse trabalho, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) incorporou o acervo da psiquiatra ao registro internacional do Programa Memória do Mundo, que tem por objetivo facilitar a preservação do patrimônio documental mundial e torná-lo acessível a todos.

 

 

Natural de Alagoas, Nise iniciou seu trabalho no Centro Psiquiátrico Pedro II (CPPII) em 1944, após 18 meses de prisão e alguns anos de clandestinidade, sem poder exercer cargo público – ela foi presa durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, em 1936. De volta ao trabalho, Nise se opôs ao modelo repressivo e violento que haviam sido incorporados às unidades de saúde mental enquanto esteve afastada e, de maneira pioneira, começou a lutar pela transformação da psiquiatria. Tomando a terapêutica ocupacional como uma alternativa aos métodos em voga, ela passou a estimular os pacientes a participar de atividades como música, teatro e jardinagem para auxiliar no tratamento para a loucura. Com o tempo, as artes expressivas começaram a se destacar como um canal de acesso à mente dos internos; foi aí que Nise decidiu montar um ateliê de pintura e cultivar grandes talentos. A partir dessas obras, criou o Museu de Imagens do Inconsciente, que conta com mais de 400 mil quadros de pacientes do centro psiquiátrico.  “Quando voltou a trabalhar, ela viu que os hospitais eram cheios de grades, tinham pátios internos para banho de sol em horários pré-determinados, pareciam uma prisão. Para Nise, dessa maneira você só podia piorar a doença”, conta Luiz Carlos Mello, diretor do Museu.

 

 

 
 
De acordo com a Unesco, a indicação garante a preservação dos ensinamentos da renomada psiquiatra brasileira que, por meio de cartas trocadas com Carl Jung, deu abertura para a entrada da psicologia jungiana na América Latina. O arquivo de Nise da Silveira já estava inscrito no Registro Nacional do Programa Memória do Mundo desde 2014, assim como no Registro Regional da América Latina e do Caribe do Programa Memória do Mundo, desde 2015, mas ganha ainda mais importância com o reconhecimento em nível mundial.
 
 
O antigo Centro Psiquiátrico Pedro II, agora chamado de Instituto Municipal Nise da Silveira e administrado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), abriga o Museu do Inconsciente, que está aberto para a visitação do público. O Instituto fica em Engenho de Dentro, na rua Ramiro Magalhães, 251.
 
 
Serviço
Museu de Imagens do Inconsciente – Rua Ramiro Magalhães, 521 – Engenho de Dentro 
Visitas: segunda a sexta, das 9 às 16 h. Entrada gratuita
Visitas orientadas para grupos podem ser agendadas pelo telefone (21) 3111-7469
ou pelo e-mail educativo@mii.org.br.

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