Barra da Tijuca recebeu atletas de oito países para evento-teste de Luta Olímpica

O Brasil terminou o torneio com três medalhas, todas de bronze.
 

Fotos: J.P. Engelbrecht

 

A Arena Carioca 1, no Parque Olímpico, recebeu no fim de semana (30 e 31/01) o “Aquece Rio Feminino de Luta Olímpica”, terceiro evento-teste realizado no equipamento, que já foi palco dos torneios de basquete feminino e halterofilismo. Durante a competição, que reuniu 50 atletas de oito países (Argentina, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, Hungria, Japão e Russia), na Barra da Tijuca, foram avaliados pelo Comitê Rio 2016 a área de lutas e o sistema de resultados, além da gestão de instalação. Em fevereiro, o espaço receberá as provas de Taekwondo e Rugby em Cadeira de Rodas. A Arena Carioca 1 foi o terceiro equipamento do Parque Olímpico a ser entregue antecipadamente pela Prefeitura do Rio, juntamente com a Arena do Futuro (tênis) e o Centro Internacional de Transmissão (IBC).

 

 

 

Construída através de Parceria Público-Privada (PPP), a Arena tem 33 metros de altura e área construída de 38 mil metros quadrados, com 282 salas, 49 banheiros, oito vestiários e seis elevadores. Durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, terá capacidade para receber 16 mil espectadores. Cerca de 2.000 operários participaram de sua construção. 

 

 

 

– É fundamental realizar testes como esse. Montamos um aparato operacional para monitorar e avaliar cada detalhe, como é o caso das salas de Resultado e de Tecnologia. Temos ajustes a serem feitos, de acordo com a demanda de cada modalidade, mas são coisas normais. Estamos saindo do planejamento do papel para vivenciar o evento em sua vida real. Não ouvi nenhum tipo de reclamação por parte das delegações – afirmou o diretor de Gestão de Instalações do Comitê Rio 2016, Gustavo Nascimento. 

 

 

 

Após os Jogos Rio 2016, a Arena Carioca 1 será destinada ao esporte e à promoção de eventos como shows, feiras, exposições e competições esportivas. Sua ala de alto rendimento será implementada na área contígua à da Arena Carioca 2, formando um conjunto de equipamentos a serviço dos melhores praticantes de boxe, taekwondo e esgrima do país. Haverá também vestiários e uma academia para a prática de musculação e exercícios de condicionamento aeróbico. Parte da arquibancada será desmontada e restarão 7,5 mil lugares permanentes. Se houver necessidade, a capacidade pode ser novamente ampliada com estruturas temporárias.

 

 

 

No sábado (30), grandes duelos entre campeãs marcaram o primeiro dia do evento-teste. A China foi para a final em todas as três categorias em disputa no dia (até 48kg, até 58kg e até 69kg), levando o ouro em duas delas, só perdendo para o Japão na final até 58kg. A atleta brasileira Susana Santos conquistou a medalha de bronze na categoria até 48kg. Já neste domingo, foram realizadas as disputas de três categorias (até 53kg, até 63kg e até 75kg).

 

 

 

O Brasil terminou o torneio com três medalhas, todas de bronze. Aline Silva (categoria até 75kg), e Laís Nunes (até 63kg) ficaram com o bronze. Aline garantiu a medalha por conta da desistência da chinesa Qian Zhou, que lesionou os dois tornozelos. Além dela, Laís Nunes conquistou a terceira colocação ao derrotar a compatriota Dailane Gomes, totalizando três medalhas de bronze para o Brasil na competição, somando-se a de Susana.

 

 

 

Entre as atletas brasileiras que não conquistaram medalhas no evento, mas são esperança de vitória nos Jogos Olímpicos, está a carioca Julia Penalber, de 23 anos. Ela perdeu a luta para a norte americana Alyssa Lampe na categoria 53 kg, mas garante que a derrota deste domingo servirá de “alavanca” na busca de medalhas em agosto:

 

 

 

– Infelizmente não pude mostrar o meu melhor hoje, mas tudo o que aconteceu servirá de grande aprendizado para mim. Vou transformar os erros em acertos e fazer bonito nas Olimpíadas. Ter a torcida ao lado e poder lutar em um equipamento lindo, que nada deve aos internacionais, é algo que me impulsionará ainda mais. 

 

 

 

Ao seu lado, Alyssa comemorou a medalha de bronze e se mostrou impressionada com a grandiosidade do Parque Olímpico. Segundo ela, que está na cidade pela primeira vez, o Rio de Janeiro está surpreendendo o mundo inteiro por sua capacidade de organizar grandes eventos: 

 

 

 

– Além de ser uma cidade conhecidamente linda, o Rio de Janeiro está fazendo um trabalho incrível em sua preparação para os Jogos Olímpicos. Este lugar impressiona pelo tamanho e pela beleza de suas arenas, especialmente esta. A estrutura é maravilhosa e as atletas estão recebendo o melhor tratamento possível da organização. Sei que outras ainda estão em obras, mas tenho certeza de que serão tão lindas como essa. 

 

 

 

Um dos esportes mais antigos dos Jogos Olímpicos, a luta Olímpica se adaptou à modernidade. Após quase ficar de fora do programa Olímpico da edição de Tóquio 2020, o esporte partiu reformulou as suas regras em 2014 para que as disputas se tornassem mais dinâmicas, além de ampliar a participação feminina. Com isso, novas categorias foram incluídas no estilo livre feminino (entraram 58kg, 53kg, 69 e 75kg e saíram 55kg e 72kg). 

 

 

A Luta Olímpica:

A modalidade é dividida em dois estilos: Luta Greco-Romana (somente disputada por homens) e Luta Estilo Livre (aberto à participação de mulheres). Na primeira, os lutadores só podem usar os braços e o tronco no combate. Não é permitido segurar o adversário da cintura para baixo ou utilizar as pernas para derrubá-lo. No segundo estilo, os atletas podem utilizar braços e pernas para atacar e se defender. 

 

 

Os combates são divididos em três rounds, de dois minutos cada. Se um dos lutadores não consegue finalizar ou imobilizar o outro, a luta é decidida por pontos. Apesar da diferença de regras o objetivo de ambas as lutas é o mesmo: derrubar o adversário. Um atleta chega à vitória se finalizar ou imobilizar o oponente com os ombros no solo. Não são permitidos golpes baixos, estrangulamentos ou puxões de cabelo. 

 

História: 

Muito antes de ser considerada um esporte, a luta tinha o conceito básico de defesa e de ataque, no sentido de demonstrar superioridade em um confronto. Há registros de lutas em praticamente todas as eras da humanidade, passando por babilônicos, egípcios, japoneses, chineses, gregos e romanos, desde milhares de anos antes de Cristo até hoje. Mas os grandes responsáveis pela introdução da modalidade no mundo esportivo foram os gregos. A luta começou a ser disputada nos Jogos da Grécia Antiga no século 7 a.C.. 

 

 

O modelo de luta dos gregos inspirou os franceses a criar, no início do século 19, o estilo hoje conhecido como luta greco-romana. Foi o primeiro passo para a profissionalização. Nos Jogos de Atenas-1896, a luta já apareceu no programa olímpico, na categoria “Superpesado”. O primeiro medalhista de ouro foi o alemão Carl Schuhmann.

 

 

 

A partir de St. Louis-1904, os Jogos passaram a contar também com a luta livre, a única disputada naquele ano. Essa versão da modalidade já chegou dividida em várias categorias de peso (Galo, Pena, Leve e Superpesado). 

 

 

 

Em Londres-2012, a luta olímpica distribuiu 18 medalhas de ouro. Os maiores vencedores foram Rússia, Irã e Japão. Os russos conquistaram quatro ouros: três no masculino e um no feminino. As disputas entre as mulheres foram dominadas pelas japonesas, que ficaram com três ouros. Já os iranianos subiram ao lugar mais alto do pódio três vezes entre os homens.

 

 

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