Bombeiros levam esperança ao Morro do Bumba

Bombeiros levam esperança ao Morro do Bumba
 
Na semana em que o Rio de Janeiro vive um dos momentos mais tristes de sua história, o Corpo de Bombeiros cumpre a sua principal missão: salvar vidas. No Morro do Bumba, em Niterói, município mais castigado pelo temporal do fatídico dia 5 de abril, 150 heróis trabalham 24 horas por dia no resgate de sobreviventes e na busca por vítimas fatais. Há dois dias, os homens da corporação fluminense também têm levado conforto e esperança às vítimas da enchente e do deslizamento na região. Nos locais mais afetados do Estado, há dois mil bombeiros de prontidão.
 
A chuva não impediu que os bombeiros trabalhassem para localizar os moradores que estão soterrados no local do desmoronamento. Diversas unidades da corporação, entre elas o Grupamento Florestal com cães farejadores, foram deslocadas para a comunidade. No quartel de Niterói, que passou a abrigar o comando central dos Bombeiros, coronéis de toda a Região Metropolitana se reúnem para desenvolver planos para amenizar a dor da população atingida pelas chuvas, que deixaram o município em estado de calamidade pública.
 
– Tudo começa com o aspecto logístico. A gente precisa prover esses lugares da quantidade de bombeiros suficientes de acordo com as dimensões dos cenários. Temos que conseguir convocar bombeiros para realizar essa missão. Cada quartel da capital fluminense cedeu dez homens para que pudéssemos montar as equipes. Pela a área atingida, o volume de detritos e o número de vítimas, o Morro do Bumba tem a pior situação do estado. Por isso, vamos continuar as buscas por mais duas semanas. Os bombeiros estão muito empenhados – ressaltou o diretor da Central de Comando dos Bombeiros, coronel Carlos Bonfim.
 
O desgaste emocional e físico é inevitável, porém a esperança de encontrar vidas dá força ao tenente-coronel Sobral, que ajudou no resgate de 21 feridos e 18 vítimas fatais até a tarde desta sexta-feira (9/4). A arma para enfrentar o maior desafio do militar em 24 anos de corporação é a solidariedade. A recompensa será a sensação de missão cumprida. Enquanto o trabalho não chega ao fim, Sobral segue a mesma rotina de seus companheiros: espera, a cada duas horas, a convocação do comando para continuar a procurar vítimas das chuvas.
 
– A população tem tido muita esperança de encontrar seus familiares. Esse resgate é um trabalho totalmente diferente dos que já participei. Me emociono sempre que conseguimos encontrar pessoas vivas nos escombros. Não gostaria que fosse assim, mas essa é uma experiência muito grande. É um momento que nunca sairá da memória. Estamos trabalhando muito bem para enfrentarmos as adversidades. Os moradores têm ajudado bastante, fornecendo informações para que possamos montar estratégias – contou o bombeiro.
 
Na expectativa de receber boas notícias sobre amigos e parentes desaparecidos, centenas de ex-moradores acompanham as ações do Corpo de Bombeiros. A cozinheira Georgina Aparecida Neves, de 52 anos, é uma das pessoas que se sentem reconfortadas com os esforços do grupo de heróis. Moradora da comunidade há 25 anos, Georgina abandonou a casa onde mora com sua família depois da tragédia.
 
– Estou abrigada em um colégio, mas perdi muitos amigos. Os bombeiros estão trabalhando muito bem, com muita atenção. Estão prestando um ótimo serviço aos moradores dessa área. Isso é muito importante para nos amparar. É muito sofrimento. O povo também tem sido muito solidário. Sai de casa sem nada e já consegui uma doação de roupas – relatou Georgina, que acompanha a ação dos bombeiros na esperança de reencontrar alguns de seus vizinhos desaparecidos.
 
Região mapeada
A corporação realiza buscas e mapeia a região para levantar o número de pessoas desaparecidas na comunidade. Escavadeiras e caminhões aceleram o trabalho dos homens do Corpo de Bombeiros na remoção dos entulhos e na procura por soterrados. Depois de concluir as buscas, as casas construídas na área de risco serão demolidas para evitar que a tragédia se repita. Os desabrigados contam ainda com o apoio de instituições públicas e privadas para se manterem seguros.

Fonte: Governo do Rio

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