Casas de Convivência e Lazer resgatam autoestima e transformam a vida dos idosos no Rio

A iniciativa visa recuperar a autoestima de idosos com mais de 60 anos de idade, proporcionando a eles, atividades de lazer e entretenimento
 

Fotos: Ricardo Cassiano

 

 

Com o objetivo de proporcionar um envelhecimento ativo e saudável aos cariocas da “melhor idade”, retirando-os do isolamento social comum às pessoas dessa faixa etária, a Prefeitura do Rio criou, há 15 anos, o projeto Casas de Convivência e Lazer de Idosos. Coordenada pela Secretaria Municipal de Envelhecimento Ativo, Resiliência e Cuidado (SEMEARC), a iniciativa está recuperando, atualmente, a autoestima de mais de 2 mil usuários com mais de 60 anos de idade, a partir de atividades de lazer e entretenimento que fazem com que se sintam respeitados e acolhidos.

 

 

O Rio de Janeiro conta hoje com seis Casas de Convivência e Lazer de Idosos: Botafogo, Gávea, Lagoa, Penha, São Conrado e Tijuca , que funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Durante este período, os idosos participam de aulas de dança, coral, pintura e artesanato, e atividades físicas como alongamento, ginástica e yoga, entre outras atividades.

 

 

– Com a expectativa de vida aumentando, torna-se ainda mais relevante a promoção de atividades que façam com que os idosos se sintam novamente agentes sociais ativos. O projeto traz, em sua definição, o conceito do convívio, da reativação de laços. E é através disso que queremos intensificar a transformação na vida dos idosos do Rio de Janeiro. Promover um envelhecimento ativo é política de saúde, e, por meio dos nossos programas, se tornou essencial estimular a participação, a independência e a dignidade de cada um de nossos frequentadores – afirma a secretária de Envelhecimento Ativo, Resiliência e Cuidado, Carolina Chaves. 

 

 

 

As Casas de Convivência têm como missão garantir que seus frequentadores recebam um tratamento de excelência e se sintam reintegrados socialmente. Por isso, além das atividades físicas e culturais, as unidades promovem ações externas, realizadas em espaços públicos, que incluem passeios, visitas guiadas, participação em bailes e palestras. A única “exigência” é que os interessados em ingressar no projeto sejam independentes e autônomos.

 

 

– Nada substitui o amor familiar, o carinho que recebem em casa, mas cuidamos para que os idosos, além de se divertir, se sintam acolhidos e amados. Recebemos muitos usuários com casos de depressão e observamos que, ao longo dos anos, eles se transformam. Sou suspeita para falar. É um projeto maravilhoso. Eles nos agradecem sempre pelo que proporcionamos a eles, mas garanto que somos nós quem mais ganhamos com esse convívio – diz a supervisora da Casa de Convivência e Lazer Bibi Franklin Leal, na Tijuca, Andrea Pereira.

 

 

O cuidado com os usuários já começa no dia em que eles procuram as unidades para conhecer o projeto e se inscrever nas atividades. Uma equipe formada por assistentes sociais, técnicos em enfermagem e professores está sempre a postos para conversar, tirar dúvidas, examinar e indicar a atividade mais adequada. Ao ingressar, cada idoso recebe um crachá com nome, endereço, contatos para casos de emergência e informações de saúde, como verificações de pressão e batimentos cardíacos. Quanto a alimentação dos frequentadores, as nutricionistas desenvolvem cardápios semanais balanceados, fazendo da hora do lanche um momento de prazer.

 

 

– Testo cada uma das receitas para adequá-las a este tipo de público. Selecionamos, por exemplo, alimentos que possuem maior carga de digestão, para que mantenham a energia por mais tempo. Também oferecemos aqueles com funções medicinais. Damos prioridade ao que é mais saudável e menos químico. Como resultado, observo um grande interesse da parte deles de melhorar os hábitos alimentares. Eles chegam com caderninhos para anotar sugestões de receita, perguntam se podem ou não comprar determinado alimento. Esse retorno é muito bacana – fala a nutricionista Shirley Constâncio, que trabalha na unidade da Tijuca há quatro anos.

 

 

 

Ao abrir as portas para os idosos da cidade, as Casas de Convivência e Lazer proporcionam, além do acolhimento e da reinserção social, a valorização da história e o resgate pessoal de cada usuário. Enquanto seus familiares trabalham, eles passam o dia se divertindo, fazendo amigos, contando sua vida e, principalmente, espantando a depressão.

 

 

– Relutei muito em vir. Tinha acabado de perder o meu marido e estava desanimada, descrente da possibilidade de voltar a ser feliz. Mas uma equipe maravilhosa me fez pensar de outra forma. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito por mim. Ao longo desses quatro anos que estou aqui, readquiri minha alegria e vontade de viver. Não perco uma só atividade, desde yoga a dança folclórica – afirma Maria Rita Azevedo de Figueiredo, de 81 anos, frequentadora da Casa Bibi.

 

 

 

Participante assídua das atividades oferecidas pela unidade da Tijuca, desde que o espaço foi inaugurado, há dez anos, Maria da Glória Turnes Lois, de 76 anos, diz que a troca de experiências com outros idosos através das atividades oferecidas no local a transformou como pessoa:

 

 

– Tornei-me receptiva. Se antes era retraída e não gostava de conversar com ninguém, agora sou comunicativa e me permito fazer amigos. Sem falar que as atividades oferecidas na unidade são incríveis. Adoro as aulas de yoga, teatro e memória.

 

 

 

Uma das atividades mais procuradas, a yoga vem ajudando a muitos usuários das Casas de Convivência a recuperar a força dos músculos e articulações, além de promover a cura de sensações como medo e ansiedade através de exercícios de respiração. Porém, para aqueles que ainda relutam em participar de alguma atividade, ou não podem fazê-lo por orientação médica, as Casas também dispõem de salas amplas, equipadas com sofás, televisão, estante com livros e revistas e mesa de jogos. Na Tijuca, por exemplo, também é possível participar de karaokês, atividade que vem ganhando, cada vez mais, a preferência dos idosos atendidos no local.

 

Os interessados em frequentar as Casas de Convivência e Lazer de Idosos podem se dirigir à unidade mais próxima de sua residência (endereços abaixo) ou fazer contato por telefone.

 

Casa de Convivência e Lazer Naná Sette Câmara
Avenida Niemeyer, 776, 11º andar – São Conrado
Tels.: 3111-1145 / 3111-1107

 

Casa de Convivência e Lazer Dercy Gonçalves
Avenida Epitácio Pessoa, 3.000, Parque da Catacumba – Lagoa
Tel.: 2535-7557

 

Casa de Convivência e Lazer Bibi Franklin Leal
Rua General Espírito Santo Cardoso, 514 – Tijuca
Tel.: 2288-3330

 

Casa de Convivência e Lazer Padre Velloso
Rua São Clemente, 312 – Botafogo
Tel.: 2535-9916

 

Casa de Convivência e Lazer Maria Haydée
Rua Padre Leonel Franca, 240 – Gávea
Tel.: 2274-8112

 

Casa de Convivência e Lazer Carmen Miranda 
Avenida Nossa Senhora da Penha, 42, 3º andar – Penha
Tels: 2535-4201 / 8498-3247