Cineasta português Manoel de Oliveira morre aos 106 anos

O diretor de 'O sapato de cetim' e 'A carta' teve parada cardíaca
 

diretor

 

Nesta quinta-feira, dia 2 de abril, o diretor português de cinema, Manoel de Oliveira, morreu aos 106 anos, após uma parada cardíaca, segundo a produtora responsável pela realização de seus últimos trabalhos. Considerado o cineasta mais longevo do mundo, ele dirigiu 62 filmes, entre longas e curtas. Tinha 84 anos de carreira como diretor e 47 prêmios no currículo.

 

 

 

O Leão de Ouro de Veneza de 1985 por “O sapato de cetim” e o prêmio do Júri de Cannes, em 1999, por “A carta”, são alguns dos principais reconhecimentos que recebeu em sua extensa trajetória. A estreia de Oliveira no cinema foi como ator, no filme “Fátima Milagrosa”, de 1923. Ele atuou em outras dez produções. “A Canção de Lisboa”, de 1933, foi o primeiro filme falado da história de Portugal. Trabalhou ainda como editor, produtor e roteirista, mas foi na direção que se destacou.

 

 

 

Passou para trás das câmeras com o documentário mudo em preto e branco “Douro, faina fluvial”, de 1931. Depois de começar a filmar ainda na época do cinema mudo, não parou mais. Com o passar dos anos, sua produção cinematográfica aumentou.

 

 

 

Manoel de Oliveira

Nascera no dia 11 de dezembro de 1908, mas seus documentos assinalavam que a data de seu aniversário era no dia 12. Contava que só o registraram no dia seguinte. Filho de industrial da região norte do país, Oliveira levou o realismo do cotidiano português, como a vida dos pescadores da cidade do Porto de seu primeiro documentário. Sua obra era carregada de fatalismo.

 

 

 

“Nós não determinamos o nosso destino, é o nosso destino que determina as nossas vidas. Não sabemos porque o destino nos pôs nessa Terra. Não somos senhores de nós próprios, dependemos de forças obscuras que nos dão os nossos impulsos”, disse o cineasta, em entrevista à “BBC”, em 2008.

 

 

 

Na entrevista, o cineasta afirmou que a ideia da morte era pacificadora. “Venha ao mundo como vier, a morte é sempre certa. Isso nos dá um certo conforto.”

 

 

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