Complexo do Alemão terá UPP em março de 2012

Força de pacificação permanecerá no local até junho
 
O governador Sérgio Cabral anunciou, nesta terça-feira (8/9), durante a inauguração da reforma do prédio da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), que os complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, ganharão uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em março de 2012. A Força de Pacificação, que conta com 1,7 mil homens do Exército e das polícias Civil e Militar e ocupa o local desde novembro de 2010, permanecerá até junho, auxiliando a instalação das equipes. O efetivo previsto é de 2.200 homens.
 
O primeiro grupo, com 500 policiais, ocupará duas áreas em março. Mais 500 agentes chegam para ocupar outros dois locais em abril, assim como em maio. Em junho, acontece a última etapa da ocupação, com a chegada de mais 700 homens. Para o governador Sérgio Cabral, o Exército tem um papel revolucionário no processo de implementação da política de segurança no estado.
 
– Nenhuma experiência de Forças Armadas no apoio à paz interna tem comparação com o suporte que o Exército tem nos dado desde novembro do ano passado. A entrada no Alemão proporcionou um benefício extraordinário à população e ao nosso calendário. O cronograma está mantido, mas posso garantir que essa ajuda nos permitirá uma antecipação de ações de pacificação pelas quais o povo do Rio vai agradecer ainda mais – declarou.
 
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, também ressaltou a importância da permanência do Exército no local.
 
– Para fazer o trabalho que o Exército faz lá, teríamos que deslocar um efetivo enorme. Com essa ajuda, podemos formar os policiais, que podem passar por um estágio, e atender o Alemão a partir de março – afirmou o secretário.
Serão instaladas nove bases administrativas das UPPs em todo o Complexo do Alemão. Além delas, bases comunitárias, que são menores, serão distribuídas pela região. Segundo Beltrame, há um plano de atuação, que está sendo cumprido.
 
– Nós estamos articulados. O Estado chegou para abrir uma janela de oportunidades. Vamos ter percalços, mas é bom que se entenda que temos um plano. A gente espera uma reação, mas também fazemos um trabalho para antecipar isso. Já prendemos muitos bandidos – disse o secretário de Segurança.
 
Apesar dos confrontos ocorridos entre as forças de pacificação e moradores, desde o último domingo (4/0), devido a notícias de que traficantes teriam retornado ao local, Cabral acredita que grande parte da população está satisfeita com a ocupação.
 
– Evidentemente, esse é um processo de reeducação, tanto dos militares quanto dos moradores. E uma tentativa de boicote é natural por parte daqueles que perderam o poder. Sem querer estabelecer uma conexão, houve uma grande operação do Exército com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para coibir a venda ilegal de botijões de gás no Alemão, o que causou prejuízo enorme a quem explorava esse serviço – destacou.
 
Na visão do governador, os complexos da Penha e do Alemão não eram apenas duas comunidades onde havia pontos de vendas de drogas sob o controle de homens armados, mas o centro de logística do crime organizado.
 
– Aquelas duas áreas eram um verdadeiro hub de uma organização criminosa. Era um centro de distribuição, que debelamos. As polícias e o Exército recolheram vários automóveis e uma quantidade enorme de drogas, e as apreensões continuam. Esse é um trabalho que vai, cada vez mais, se aperfeiçoando – explicou.
 
Apesar das melhorias, Cabral fez questão de ressaltar que a ocupação não resolveu todos os problemas da comunidade, apesar de ter provocado a redução nos índices de criminalidade e a valorização imobiliária.
 
– A liberdade de ir e vir cria uma expectativa de que tudo está resolvido, quando ainda temos uma estrada de desafios pela frente na integração asfalto-comunidade, recuperação da dignidade, do ponto de vista social, e da formação dessas pessoas. Mas tenho certeza que uma criança do Complexo do Alemão, da Cidade de Deus, do Dona Marta, terá outro nível de qualidade de infância e adolescência comparado àqueles que tiveram uma vida de conflito, agressividade e violência durante tantas décadas. Isso é o que mais importa – finalizou.

Fonte: Governo do Rio

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