Conservação da biodiversidade é tema de debate no Rio Media Center

O evento teve por objetivo apresentar políticas públicas e ações realizadas por organizações não-governamentais e empresas junto às comunidades tradicionais das florestas
 

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A Cerimônia de Abertura dos Jogos Rio 2016 encantou o mundo pela beleza e pela mensagem de preservação da natureza e do planeta. Este foi o mote para o ínicio de uma palestra sobre biodiversidade neste sábado 13 de agosto no auditório do Rio Media Center. “Mostramos ao mundo a importância das florestas. Aqui vamos comentar o que tem sido feito por elas”, disse a secretária de Extrativismo e Desenvolvimento Rural do Ministério do Meio Ambiente, Juliana Ferreira Simões, dando início ao evento “Parceiros da Natureza: povos tradicionais e conservação da biodiversidade”.

 

 

O evento teve por objetivo apresentar políticas públicas e ações realizadas por organizações não-governamentais e empresas junto às comunidades tradicionais das florestas. Juliana Simões destacou que, desde a Eco-92 (encontro mundial sobre ecologia realizado no Rio em 1992), o governo vem fazendo um esforço para o reconhecimento de territórios indígenas e reservas extrativistas. “Mais de 10 milhões de hectares foram incorporados a essas reservas desde então”, comentou Juliana, acrescentando que a proposta do governo é fomentar nessas regiões uma economia de base florestal.

 

 

Como exemplo de política pública, ela mencionou o Programa de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade, através do qual o governo subvenciona a produção e a distribuição de produtos das reservas extrativistas, como a castanha. Outro exemplo citado foi a Política Nacional de Alimentação Escolar: “Trinta por cento das compras têm que vir da agricultura familiar e uma boa parte acaba vindo dos extrativistas”.

 

 

Atualmente, o Brasil tem 326 unidades de conservação federais e 83 delas são classificadas como reservas extrativistas (Resex) ou florestas nacionais que têm povos e comunidades tradicionais como beneficiários. A gestão dessas unidades de conservação está a cargo do Instituto Nacional Chico Mendes (ICMBio), autarquia criada pelo Governo Federal em 2007.

 

 

Diretor do ICMBio, Claudio Maretti contou que o órgão promove a chamada “aliança social” com os povos das florestas. Para isso, conta, muitas vezes, com o apoio de organizações como a Tapajoara – Associação da Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns e a cooperativa COOMFLONA – Cooperativa Mista da Flona Tapajós.

 

 

A Tapajoara tem 3.500 associados que vivem em estado de pobreza em mais de 600 hectares de terras demarcadas. “Nós lutamos por infraestrutura, comunicação, educação e saúde”, disse o presidente da Associação, Dinael Anjos.

 

 

A COOMFLONA, por sua vez, atua há 11 anos no manejo florestal. “Temos feito inventários das áreas preservadas e incentivamos o desenvolvimento da cadeia de produtos não madeireiros, como o turismo e a extração de óleos vegetais”, disse o vice-presidente da cooperativa, Jeremias Dantas.

 

 

Iniciativa privada

Diretor de Valor Compartilhado da Coca-Cola Brasil, Pedro Massa participou do evento contando as iniciativas da empresa junto a comunidades extrativistas na Amazônia. Segundo ele, o suco de açaí da marca Del Valle (que pertence à Coca-Cola) é 100% resultante da produção dessas comunidades, “um desafio para uma empresa que trabalha com tão grande escala”. A Coca-Cola tem instalado pequenas agroindústrias nas reservas extrativistas.

 

 

Outras iniciativas da indústria alimentícia foram mencionadas no evento: Coordenador de Projetos do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (IMAFLORA), Leo Ferreira falou sobre o Selo Origens do Brasil, que indica a procedência de produtos feitos com algum componente oriundo de reservas extrativistas. O pão de castanha-do-pará e quinoa da marca Wickbold é um exemplo.

 

 

Ao fim do evento, Tatiana Balzon, assessora de Negócios Sustentáveis na Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), comentou sobre a cooperação técnica entre Brasil e Alemanha dizendo que há 50 anos a Alemanha apoia o monitoramento da biodiversidade na Amazônia. Segundo ela, a principal preocupação é fazer com que as políticas públicas se tornem efetivas.

 

 

 

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