Crítica: ‘Além do Homem’

Uma fábula brasileira enigmática e cheia de metáforas
 
Por Graça Paes, RJ
 
 
 
 
 
Com direção de Willy Biondani que também assina o roteiro com Eliseo Altunaga e Daniel Tavares, ‘Além do Homem’, estreia nos cinemas dia 28 de junho, com belas imagens de Paris e do interior do Brasil. 
 
 
 
 
O longa conta a história de Alberto Luppo, um escritor brasileiro que mora em Paris, há muitos anos, e que não tem a menor vontade de retornar ao seu país de origem. Porém, ao terminar o projeto de um livro que ele pretende lançar, Alberto é surpreendido por membros da sociedade literária de Paris para escrever uma história sobre o antropólogo francês Marcel Lefavre que supostamente foi devorado por canibais no interior do Brasil. De pose de um caderno de anotações de Lefavre e com a missão de recolher mais material para escrever esta história, Alberto é obrigado a retornar à terra natal e investigar o desaparecimento do antropólogo. Ao chegar ao Brasil, ele recebe a ajuda do taxista Tião que o leva até o local onde supostamente teria ocorrido o ataque dos canibais. Porém, até chegar ao ponto chave de sua busca, Alberto vai penetrando em um Brasil alegórico e misterioso, e claro, teme, por um final como o de Lefavre e se desespera.
 
 
 
 
 
 
Partindo de um conceito de super-homem elaborado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche também chamado de “além do homem”. No caso, este homem, Alberto Luppo. O personagem é aquele que supera todo o ressentimento. É a inocência do devir. Onde todos os modelos são deixados para trás, todos os ídolos são quebrados e só há espaço para a criação. “Além do homem”, neste longa, define Alberto Luppo,  que sai de seus limites, entre realidade e ficção, para viver e dar vida a uma nova história. A partir deste conceito Alberto sai pelo interior do país em busca de fragmentos, respostas e elementos para contar a história que lhe foi proposta e acaba se reencontrando consigo mesmo e redescobrindo sua terra natal. 
 
 
 
 
 
 
É um filme impactante, com uma fotografia magnífica, que é compartilhada entre o francês Olivier Cocaul e o paulista Walter Carvalho, que lida de forma maestral com sombras e cores, e é embalada por uma trilha sonora original, de Egberto Gismonti, que mescla a bossa nova a sons tribais. Vale ressaltar também o excelente roteiro, com bons diálogos. 
 
 
 
 
 
 
É uma “fábula brasileira moderna” que te faz viajar, te leva a criar, a refletir. O longa trabalha com fatores como mistério, magia e sedução e lida sabiamente com as nuances entre a comédia, o drama e o romance. Não é uma história fechada, ela leva o espectador a várias percepções. Além de te fazer refletir sobre a dualidade: realidade ficcional ou delírios?
 
 
 
 
 
O longa aborda, dentro do contexto da investigação de Alberto pelos fatos para compor a história de seu novo livro, temas da atualidade, e tudo permeado com maravilhosas atuações, entre elas, a dos atores Sérgio Guizé, que arrebenta na fluência do francês e Fabrício Boliveira, que faz um personagem cômico, caricato, mas muito interessante. 
 
 
 
 
É um longa com uma pegada diferenciada e muito bem dirigido. Tudo bem encaixado, até mesmo as cenas de nudez, que se justificam.  É o cinema nacional se reinventando e apostando no novo. Novos rumos, novos enfoques e novas e diferenciadas formas de se contar uma história. 
 
 
 
 
A Agência Zapp News já assistiu e nossa nota é 9.5. 
 
 
 

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