Fliporto 2009 será em Porto de Galinhas

Evento literário será de 5 a 8 de novembro
 

A reflexão a respeito das chamadas raízes culturais, a busca e o encontro, a criação e a assimilação de valores os mais diversos são constantes no Brasil. Isso se reflete de modo evidente nos grandes eventos culturais. Mas é necessário ir além dos tópicos. Hoje, há muitas festas literárias, muitos festivais, muitas feiras no país. A Fliporto é a única dedicada, desde a sua primeira edição, especialmente à literatura iberoamericana.

Em anos anteriores, estiveram na Fliporto autores como Nélida Piñon (Prêmio Príncipe de Astúrias, 2005, ex-presidenta da Academia Brasileira de Letras), Affonso Romano de Sant’Anna (ex-presidente da Biblioteca Nacional, do Brasil), Luis Fernando Veríssimo; Alberto da Costa e Silva (ex-presidente da Academia Brasileira de Letras), Marcos Vinicius Vilaça (ex-presidente da Academia Brasileira de Letras e do Tribunal de Contas da União), Rei Berroa (da República Dominicana), José Eduardo Agualusa (Angola), Vicente Gómez Montero (México), Arnaldo Saraiva (Portugal), Waldo Leyva (Cuba), Paulina Chiziane (Moçambique).

Nesta edição de 2009 a Fliporto deve contar com a presença de escritores como Eduardo Galeano, Inês Pedrosa, Fernando Báez, José María Merino, Jorge Díaz, Martin Mosebach, Arnaldo Antunes e Laurentino Gomes. Cada um deles representa ao mesmo tempo grande reconhecimento público (traduzido seja em recordes de vendas, prêmios, liderança institucional) e consciência crítica.
 
Consideramos primordial a valorização dos aspectos mais profundos da Iberoamérica em cada encontro que promove a Fliporto. O fato de se realizar a Festa numa praia (Porto de Galinhas, Pernambuco) que foi há mais de um século lugar de desembarque de escravos acentua o simbolismo que porventura alguém ainda persiga para além do óbvio. A literatura é um caminho natural de libertação do indivíduo em meio a variadas formas de opressão. O diálogo é a nossa primeira palavra-chave: diálogo entre os países, entre as culturas, entre os escritores, entre as pessoas.

A Festa Literária de Porto de Galinhas, nas suas cinco edições, tem integrado as culturas, suplantando nacionalismos, regionalismos e cosmopolitismos estreitos. Amamos o contemporâneo, o novo, o por vir. Sabedores de que a realidade – e nela, a literatura – se alimenta de tensões, mas também da música apaziguadora e viva do diálogo é que o reafirmamos a cada nome escolhido, a cada mesa de debate, em cada conferência pronunciada.
 

Na sua edição de 2009, a Fliporto enriquece ainda mais as questões em torno do que significa ser iberoamericano. Não temos respostas prontas; gostamos das que nos oferecem os escritores porque sempre resultam do matrimônio da sensibilidade com o pensamento, sem desgarrar-se do humanismo (urgente é redescobri-lo e reinventá-lo no mundo atual).

Felizmente não somos os europeus em exílio nem os desterrados em nossa própria terra de que falava o grande historiador brasileiro Sergio Buarque de Hollanda, e estamos atentos (inclusive para superar) ao que alerta esta passagem tão crítica quanto instigante de José Guilherme Merquior:
 

“Os compromissos ideológicos do escritor só alcançarão sua verdadeira eficácia cultural se se harmonizarem com o desenvolvimento autônomo do campo intelectual em sua dimensão propriamente literária. Não se trata de isolar a literatura, mas de cumprir o ascetismo que ela requer para falar sem falsas retóricas em nome da salvação da cultura. A literatura deve continuar sendo crítica até mesmo onde a crítica social se converte em cântico de esperanças. Talvez isso seja facilitado pelo fato de que na América Latina a literatura foi com freqüência um instrumento independente de conhecimento sociológico; muitas vezes o único. O perigo está na tradição áulica – ibérica! – de nossas letras, em sua presença inconsciente e apta, pois, não só para influir negativamente na atitude pessoal dos autores, mas também em sua capacidade para libertar os textos das servidões do meio social.”

A nossa nova “Ibéria” – ao contrário da citada pelo crítico – nada tem de áulica. É livre e libertária. Inspira-se em cada um dos escritores iberoamericanos que fizeram e fazem da festa maior da cultura o caminho de uma nova história e da grande qualidade estética de sua linguagem o veículo principal disso.

A Fliporto 2009 será mais um diálogo entre culturas que se permeiam, se espelham, se engrandecem
 

Fonte: Fliporto 2009

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