Herança africana no Rio é relembrada no Porto Maravilha

O passeio incluiu uma visita ao Cais do Valongo, na Região Portuária, porta de entrada no país para cerca de meio milhão de africanos entre 1811 e 1831
 

2016.08.09-Press-Tour-Herenaça-africana-no-Porto_-Paulo-Araújo04

 

A história da migração forçada de escravos negros para o Brasil entre os séculos XVII e XIX foi tema do press tour oferecido na terça-feira, dia 9 de agosto, aos jornalistas credenciados no Rio Media Center. Numa parceria com o Instituto dos Pretos Novos, o passeio incluiu uma visita ao Cais do Valongo, na Região Portuária, porta de entrada no país para cerca de meio milhão de africanos entre 1811 e 1831.

 

 

O Cais faz parte do Circuito Histórico e Arqueológico da Herança Africana, criado em novembro de 2011 pela Prefeitura do Rio, após décadas de estudos, escavações  e muitos achados históricos, principalmente  durante as  obras de urbanização do projeto Porto Maravilha, que transformaram uma área de cinco milhões de metros quadrados.

 

 

A press tour partiu do Largo de São Francisco da Prainha, que tem este nome porque no local existia uma praia e as águas batiam nos muros da Igreja  São Francisco da Prainha. Depois passou pela a Pedra do Sal, monumento histórico e religioso onde se encontra a Comunidade Remanescentes de Quilombos.  Os jornalistas subiram ainda o Morro da Conceição e visitaram o Jardim Suspenso do Valongo, antes cercado de casas de engorda e um vasto comércio de itens relacionados à escravidão. De lá se vê o Largo do Depósito, área de venda dos escravos.

 

 

A canadense Nyka Alexander, que trabalha na assessoria de imprensa da Organização Panamericana de Saúde, ficou impressionada com o que viu: “Fico muito feliz por ver que esta parte importante da história foi preservada”.

 

 

O roteiro também incluiu um centro de informação sobre uma das figuras influentes para o surgimento do samba carioca, Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata. Baiana, de Santo Amaro da Purificação em 1854, mudou-se para o Rio aos 22 anos e transformou sua casa no ponto de encontro de grandes sambistas, entre eles Pixinguinha e Donga.

 

 

 

Para fechar a caminhada de três horas,  os jornalistas passaram pela antiga escola pública da Freguesia de Santa Rita, fundada em 1876 por D. Pedro II. Lá funciona atualmente o Centro Cultural José Bonifácio (CCJB), que preserva a cultura afro-brasileira no país.  A última parada foi no Cemitério dos Pretos Novos,  onde os escravos mortos era jogados em valas comuns, na maioria das vezes coletivas.

 

 

 

O presidente do Instituto Rio  Patrimônio da Humanidade (IRPH), órgão de patrimônio cultural da prefeitura,  Washigton Fajardo, disse estar orgulhoso em poder contar esta história: “Este lugar está se transformando, mas mesmo com todas as transformações nos permite conhecer nosso passado, a  nossa história”.

 

 

0 comentários

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.