Movimento #jornalistascontraoassédio debate tema jogado para debaixo do tapete

Campanha quer desnaturalizar a cultura de assédio nas redações
 

Se o caso de assédio sexual vivenciado pela repórter do iG já tinha incomodado muita gente, sua demissão dias depois de o veículo prometer apoio à profissional geraram comoção nas redes sociais, especialmente por parte de outras mulheres jornalistas.

 

 

Agora, a indignação tomou forma no movimento #jornalistascontraoassédio, encabeçado pelas jornalistas Janaina Garcia e Thaís Nunes. O principal objetivo desta ação “é dar visibilidade a um problema que muitas vezes  é jogado para debaixo do tapete nas redações, diz Janaina. A dupla espera que a denúncia de outros casos ajude a desnaturalizar as práticas de assédio no Brasil.

 

 

Crédito:Reprodução
Campanha quer desnaturalizar a cultura de assédio nas redações

 

Sob três pilares – mostrar que qualquer um está sujeito ao assédio, educar as pessoas denunciarem os casos e transformar essas práticas em algo não natural –, o #jornalistascontraoassédio lançou uma fanpage no Facebook e um vídeo repudiando o que aconteceu com a estagiária do iG e aproveitando para denunciar outros casos. “A partir do caso da estagiária do iG, tivemos a ideia de fazer algo que repudiasse isso e mostrasse que o assédio acontece muito mais do que a gente imagina”.

 

 

Para surpresa das jornalistas, a ação ganhou uma força tremenda em poucos dias. Mais de 8.600 pessoas curtiram a página e dezenas de mulheres passaram a comentar casos de assédio moral e sexual durante a prática da atividade jornalística. “Nos surpreendemos muito com a quantidade de gente que tinha relatos de assédio moral e sexual durante a atividade profissional. Começamos isso na sexta-feira à noite e de lá pra cá tivemos umas 8 mil mulheres no grupo. É uma demanda muito represada, muitas mulheres querendo falar disso”, garante Janaina.

 

 

O primeiro filme da ação, editado por  Pablo Soares, já teve mais de 5.500 visualizações em apenas um dia e será o ponto de partida para que jornalistas assediadas passem a ter voz. Aos poucos, novos relatos em vídeo ganharão espaço na fanpage. “Vamos disponibilizar esse material em vídeos curtos para as pessoas verem e começarem a entender que isso não pode ser normal. Assédio não pode ser normal”, defende a jornalista.

 

 

Para ela, é importante de profissionais de imprensa debatam um problema tão comum em suas coberturas, tentando trazer à luz o que também ocorre em redações de todo o país. “Nós jornalistas falamos tanto do assédio contra as mulheres de uma maneira geral, estamos no meio de um debate sobre a cultura de estupro e precisamos olhar para essas questões no que diz respeito a nós mesmas. Como vamos falar do outro se passamos pelo menos problema e jogamos para debaixo do tapete?”, provoca.

 

 

Janaina Garcia acredita que a grande adesão ao movimento se dá pela falta de representatividade das jornalistas nas entidades de classe. “Isso é um sinal de que estão faltando canais na sociedade, principalmente nas entidades de classe, para expressar essa necessidade:  queremos ser ouvidas. Agora, quem vai ouvir?”.

 

 

A jornalista lembra quem o machismo dentro e fora das redações e das assessorias de imprensa existe  e que a esperança do grupo é que o movimento possa mudar esse quadro, uma vez que as mulheres jornalistas poderão cobrar as entidades de classe. “Não podemos esperar que elas [entidades de defesa do jornalismo] decidam por nós. Não temos mais um público passivo. Vamos cobrar. Vimos de tem muita gente que passa por isso e esperamos que isso acenda o alerta deles, para ver se mudem sua concepção de sindicalismo e de representatividade dos jornalistas”, conclui.

 

Assista ao vídeo:

 
 

 

Campanha Sem Assédio na imprensa 

IMPRENSA lançou a campanha #SemASSÉDIOnaimprensa. O objetivo é mostrar como repórteres do sexo feminino e masculino estão expostos ao assédio moral e sexual, tentando encontrar ao lado de especialistas e das entidades ligadas à imprensa formas de reduzir/acabar com esse tipo de ação com soluções práticas. 

 

 

Convidamos jornalistas e comunicadores de todo o Brasil a contar suas histórias, sob anonimato, se assim o desejar, para que todos possam ficar de olho e ajudar no combate ao assédio à imprensa. 

 

 

Os interessados podem mandar seus relatos para o e-mail: redacao@portalimprensa.com.br, colocando no assunto: depoimento sem assédio na imprensa. Garantimos que sua identidade e a do assediador serão mantidas em sigilo.

 

 

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