Morador do Recreio, alemão escreve livro sobre mudanças comportamentais do brasileiro

O livro de 400 páginas escrito originalmente em inglês, traduzido em português, conta a história de Samantha, uma garota que cresceu na periferia e luta contra a falta de identidade e a solidão
 

Morador do Recreio dos Bandeirantes, o executivo alemão Raul Hodori é mais um dos estrangeiros impressionados com a habilidade do brasileiro para lidar, de forma criativa, com situações adversas e inesperadas. Acostumado a vivenciar culturas diferentes – nasceu em Hanover e já morou em países como Egito, Índia, África do Sul e França – ele registrou em um livro,“Stealth work” (“Trabalho invisível”, em tradução livre), as mudanças que o surpreenderam em mais de 30 anos de idas e vindas ao Brasil. 

 

O livro de 400 páginas escrito originalmente em inglês, traduzido em português, conta a história de Samantha, uma garota que cresceu na periferia e luta contra a falta de identidade e a solidão. O autor usa as experiências de autoconhecimento da personagem por meio de sua sexualidade para fazer uma reflexão sobre as mudanças culturais e comportamentais ocorridas nos últimos 30 anos no Brasil.

 

_ O Brasil é o país do futuro, com abundância de problemas, mas que também tem um encanto mágico. Entrei em contato com as pessoas daqui e me vi interessado em descobrir suas raízes. Comecei a imaginar cenários e percebi que fatores como a religião, a sexualidade e a musicalidade eram peças-chave da cultura brasileira — diz ele.

 

Trabalhando em grupos de investimento financeiro, Hodori já morou em diversos lugares do mundo como Egito, Índia, África do Sul e França, mas foi o cenário cultural brasileiro que chamou sua atenção e o levou a análises empíricas mais aprofundadas. Ele define a obra como uma história de expressões impulsivas e emocionais que diverte e desperta controvérsias, sem ser politicamente correta.

 

— É fantasia, imaginação, ciência e até um pouco de pornografia. Escrevi com o coração de um estrangeiro apaixonado pelo Brasil — declara.

Trecho do livro
“Stealth work”
‘Samantha não confiava em ninguém a não ser em Deus’
Samantha nasceu em um país pobre e decadente. Com uma cultura refém de tradições do século XVI. Não havia perspectivas, os sonhos das crianças morriam cedo e para sempre. Não havia escapatória. Samantha pedia ajuda às árvores, às flores e até ao vago horizonte. Ela adoraria entender a linguagem dos animais. Eles eram diferentes das pessoas, as vozes sussurrantes, o rap monótono dos garotos e os intermináveis sermões dos pregadores. Samantha não confiava em ninguém a não ser em Deus — e talvez, no Príncipe que aparecia em seus sonhos.
Acontecia até durante o dia. Na primeira vez, ela possuía doze anos. Ele parecia um sujeito de idade indefinida, prestes a ser fotografado para a capa de revistas.

 

 

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