PLANTÃO BARRA: Reunião Mensal do 31º CCS debate assaltos na região

O tema principal do encontro foi a violência sofrida pelo casal Castrinho e sua esposa Andréa
 

 

Foi realizada na manhã de segunda-feira, dia 10 de junho, a reunião mensal do 31º Conselho Comunitário de Segurança, no Clube Oásis, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Um dos temas principais foi o aumento da violência na região, em especial no Recreio dos Bandeirantes. Foi nessa localidade que a moradora Andréa Castrinho, esposa do humorista Castrinho, e grande militante da região, passou por uma situação de violência extrema, foi vítima por duas vezes de assalto na mesma noite.

 

 

Andréa Castrinho

 

Segundo Andrea Guimarães Castrinho, o primeiro caso aconteceu por volta de 1h de domingo, quando ela vinha em seu carro com seu marido na esquina da Avenida das Américas com Benvindo de Novaes. “Vi quando dois adolescentes se aproximavam para assaltar e avancei o sinal. Eles iam atirar contra o meu carro, mas o tiro foi em direção a uma senhora que vinha logo atrás de mim. Me senti culpada e na obrigação de fazer o Boletim de Ocorrência, e ao me encaminhar para a delegacia, após o susto, quando eu passava com seu marido na Rua Vereador Alceu de Carvalho, a cerca de cem metros da 42ª DP (Recreio), vi quando uma van atravessou a pista e os bandidos saíram do carro já atirando, nem sei porquê. Um dos disparos pegou de raspão o meu queixo, bateu no painel do carro e se alojou na porta do carro.  Fui para a delegacia correndo e até os policiais se assustaram ao ver meu rosto sangrando. Então, eu fui levada para o Lourenço Jorge e em seguida voltei à delegacia para registrar o fato”, desabafou Andréa.

 

 

O Comandante Amaral do 31º BPM, lamentou o ocorrido, mas ressaltou que o Batalhão faz periodicamente operações em conjunto com a 42ª DP a fim de evitar esse tipo de ocorrência. “Estamos investigando para identificar os autores desta ação”, explicou ele. O comandante também falou sobre a questão do roubo de veículos e do aumento da escala de violência na área, mas garantiu que já foram efetuadas prisões no bairro de Santa Cruz.

 

 

Já o Dr. Fábio da Costa Ferreira, delegado 16ª DP ressaltou a importância de adaptação das novas realidades que vem sendo apresentada com as novas obras, por esse motivo é fundamental discutir com a comunidade para saber como melhorar a segurança. “Precisamos sempre trabalhar para que casos como esse não ocorram”, falou ele.

 

 

Para Renato Silva, presidente do 31º CCS, as pessoas ainda tem medo de relatar o ocorrido para as autoridades. ” Infelizmente as pessoas ainda não procuram as delegacias”, argumentou ele, que também fez um pedido para as autoridades locais, para que as pequenas blitzes que eram realizadas costumeiramente voltem a ser feitas na região da Barra e do Recreio.

 

 

De acordo com o Dr. Fábio, conhecer esses fatos é fundamental para que as atitudes sejam tomadas: “Apesar de ouvirmos essas reclamações, nós precisamos que elas seja registradas, só assim podemos investigar e exigir mais recursos”, ressaltou.

 

 

Essa opinião também foi compartilhada pelo Comandante Amaral: “Certamente o número de roubos aumentou. Em Vargem Grande, por exemplo, ouvi de um dono de restaurante alguns pormenores que não escuto no batalhão, e preciso que esses registros sejam feitos de forma adequada para poder deslocar policiamento, vale lembrar que o patrulhamento é feito de acordo com essas estatísticas”, completou o comandante.

 

Na ocasião, Andréa Castrinho ao lado do marido, desabafou e falou sobre os momentos de terror que viveu: “Temos uma região extensa, a nossa praia é enorme. As cachoeiras, o túnel da Grota Funda, além de facilitar o trânsito se tornou uma válvula de escape para esses meliantes. Participo sempre dessas reuniões e há 15 anos venho pedindo mais policiamento para essa área. Estamos defasados em contingente e viaturas. Não temos nem armamento e nem treinamento. Em uma noite fui vítima de dois assaltos. O primeiro realizado por menores,  que se forem pegos, certamente serão beneficiados pela ECA (Estatuto da Criança e Adolescente). A senhora que vinha atrás de mim levou o tiro que era para mim, e apesar de não ter nada a ver com a história, me senti culpada. Ao me encaminhar para a 42ª DP para fazer o boletim de ocorrência  fui fechada por uma van, e desta vez fui alvejada por um tiro a queima-roupa que por sorte passou de raspão e ficou alojado na porta do meu carro, isso a 100 metros da delegacia. (..) Em breve vamos ter Jornada Mundial da Juventude, Copa, Olimpíadas e estou muito preocupada, principalmente com os turistas, que nada conhecem da região. Até porque nem nas câmeras de segurança podemos nos respaldar, já que em nossa localidade existem apenas 8, diferente da Rocinha que possui 80”, relatou.

 

Ela também comentou sobre o fato da proibição de se fazer blitz na área do Túnel da Grota Funda, com o intuito de evitar engarrafamentos, mas que favoreceu bandidos a realizar arrastão também no fim de semana.  Castrinho também se emocionou ao relatar o ocorrido: “Quase perdi a minha companheira de forma estúpida, gostaria de aproveitar e fazer um pedido ao subprefeito Tiago Mohamed, que aumente o horário de trabalho da Guarda Municipal para servir de apoio aos policiais militares”.

 

 

Em seu depoimento durante a reunião Castrinho também ressaltou o fato de termos diversas entidades que falam sobre segurança e sugeriu que todas se unissem em uma única entidade.

 

 

O subprefeito da Barra da Tijuca, Tiago Mohamed, afirmou que vai passar para o prefeito Eduardo Paes todas as reivindicações passadas durante a reunião: “A prefeitura dá sim um suporte para a segurança, e gostaria de reafirmar o apoio da prefeitura. Afirmo também que é fundamental a população fazer sim o Boletim de Ocorrência para que todas as medidas sejam tomadas”, completou.

 

 

O presidente da ABM, Ricardo Magalhães, falou um pouco da sua luta para aumentar a segurança na região da ABM: “Há sete meses sigo pedindo que voltem a ser feito a patrulha da GM na ABM, e até o momento nada foi feito. Reformamos as bicicletas, mas mesmo assim nenhuma providência foi tomada, recentemente houve um estupro aqui na área por conta dessa falta de fiscalização. O que nós queremos é um plano estratégico e de ação para sabermos como agir”, ressaltou Magalhães.

 

 

Também foram feitas reclamações sobre a falta de iluminação no Recreio, os sinais que deveriam ficar amarelos durante a noite, e o perigo de áreas como a estrada do Rio Morto.

 

 

No que se refere ao Corpo de Bombeiros,  o Ten. Cel. Albucacys (GMar) falou que todos os órgãos fazem o possível para fazer bem o seu trabalho, todos precisam se reunir para fazer melhorias.

 

 

Texto e fotos: Joici Souza

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