Acusações contra Temer abalam governo

O fato impacta as reformas
 

As acusações de que 00o presidente Michel Temer deu aval para que o empresário Joesley Batista, um dos donos do frigorífico JBS, comprasse o silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha podem representar um abalo irreparável ao governo e afetarão as reformas que o Palácio do Planalto quer ver aprovadas no Congresso, disseram analistas ouvidos pela Reuters.

 

 

“É difícil afirmar que a pinguela caiu, mas que a pinguela balançou muito nesta noite, balançou. Ela sofreu um grave abalo que não se sabe se ela vai se manter ainda íntegra”, disse o cientista político do Insper Carlos Melo, em uma referência à declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se referiu ao governo Temer como uma “pinguela”, uma ponte precária.

 

 

“Esse quadro me lembra muito o quadro do Delcídio Amaral”, acrescentou Melo, recordando o caso do ex-senador que foi preso e posteriormente teve o mandato parlamentar cassado após ser gravado em uma conversa em que oferecia dinheiro, influência junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e uma rota de fuga em troca do silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró na Lava Jato.

 

 

Segundo matéria do Jornal O Globo,  Joesley Batista gravou uma conversa com Temer na qual contou ao presidente que pagava uma mesada a Cunha e ao doleiro Lucio Funaro, um dos operadores da Lava Jato, em troca do silêncio de ambos, que estão presos. Temer teria respondido: “Tem que manter isso, viu?” A gravação seria parte de tratativas para um acordo de delação premiada de Joesley e de pessoas ligadas à JBS.

 

 

 

Em nota, Temer negou que tenha solicitado pagamento para obter o silêncio de Cunha. “Dessa vez vai ser praticamente impossível alguma operação de engenharia política para garantir a estabilidade do governo”, disse o cientista político e professor da Unicamp Roberto Romano. “A instabilidade política veio de vez. O ambiente vai ficar muito imprevisível.”

 

 

 

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