Festival do Rio de 5 a 15 de outubro

O evento reúne filmes representantes de seus países no Oscar
 

Dentro de uma seleção de grandes lançamentos internacionais, muitos deles premiados, a 19a. edição do Festival do Rio reúne 13 longas-metragens que são os representantes oficiais de seus países para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. São produções da Alemanha, Cingapura, Espanha, Finlândia, França, Hungria, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Noruega, Polônia, Quirguistão e Taiwan. Conheça os candidatos.

 

 

Vencedor do prêmio de melhor atriz para Diane Kruger (Bastardos inglórios) no Festival de Cannes 2017, o candidato alemão é “Em Pedaços”, do cineasta Fatih Akin. O filme conta a história de Katja, que perdeu o marido e filho em um atentado a bomba. Após o período de luto, é chegada a hora da vingança. O longa faz uma reflexão pessoal sobre os conflitos do nosso tempo, o radicalismo da sociedade, o assassinato de inocentes e, sobretudo, do amor incondicional de uma mulher por sua família.

 

 

 

O representante de Cingapura é “Pop Eye”, de Kirsten Tag. Thana, um arquiteto de renome, passa por uma crise existencial quando sua obra mais ilustre é demolida e sua esposa parece se distanciar. Para sua surpresa, ele encontra, nas ruas de Bangkok, Pop Aye seu elefante de estimação da infância. Ele decide então partir em uma jornada pela Tailândia a fim de retornar o animal a seu lar, na cidade rural de Loei. Em sua viagem, a dupla encontra outras almas que vagueiam perdidas, como um homem em busca de seu primeiro amor e um cantor de karaokê à procura de um amigo. O filme foi premiado como Melhor roteiro no Sundance Film Festival 2017 e recebeu o Big Screen Award em Roterdã 2017.

 

 

O candidato espanhol é “Verão de 1993”, de Carla Simón, ganhador do Grande Prêmio da mostra Geração do Festival de Berlim 2017. Na trama, Frida, do alto de seus seis anos, assiste em silêncio enquanto os últimos objetos do apartamento de sua falecida mãe são guardados em caixas. A família de seu tio a recebe de braços abertos, mas demora para que a menina se acostume à vida no campo, longe da cosmopolita Barcelona, onde sempre viveu. À noite, ela reza para sua mãe, de quem sente muita falta, e durante o dia tenta achar seu lugar nesta nova vida.

 

 

Da Finlândia, o filme “Tom of Finland“, de Dome Karukoski, apresenta a história de Touko Laaksonen, um dos mais icônicos artistas homossexuais do século XX. Após o trauma de servir ao exército durante a II Guerra Mundial, ele não encontra paz nem mesmo em sua casa, onde convive com a angústia de esconder sua homossexualidade. À medida que seus segredos pessoais e a violência policial comprometem sua vida, Touko, mais conhecido como Tom of Finland, inspira-se nos uniformes que o oprimem para desenvolver desenhos explícitos de homens musculosos em situações sexualmente desinibidas.

 

 

Vencedor do Grande Prêmio do Júri e do prêmio FIPRESCI no Festival de Cannes 2017, filme da França é “120 batimentos por minuto”, de Robin Campillo. No início dos anos 1990, com a epidemia da AIDS já tendo levado inúmeras vidas, o grupo ativista Act Up-Paris potencializa suas formas de ação. Nathan, um novato no grupo, tem seu mundo abalado por Sean, um militante radical. Um magnífico tributo a um momento de altruísmo e ação social, quando a comunidade gay se juntou para lutar contra o estado, a indústria farmacêutica e a indiferença da sociedade.  

 

 

 

 

O candidato da Hungria, “Corpo e Alma”, da diretora Ildikó Enyedi, foi vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2017. O longa conta a história de Maria, que trabalha há pouco tempo em um abatedouro, onde é responsável pelo controle de qualidade. No almoço na cantina, a jovem sempre escolhe uma mesa isolada onde fica em silêncio. Ela leva seu trabalho a sério e segue estritamente as regras. Seu chefe Endre é pouco mais velho que ela e também é do tipo silencioso. Aos poucos, eles começam a se conhecer, reconhecer seu parentesco espiritual, e ficam impressionados ao descobrir que têm os mesmos sonhos durante a noite. Com cuidado, eles tentam torná-los realidade.

 

 

O filme italiano, “A Ciambra”, de Jonas Carpignano, foi premiado na Quinzena dos Realizadores de Cannes 2017. A trama se passa em uma pequena comunidade romana na Calábria. O protagonista Pio Amato, de 14 anos, não vê a hora de virar adulto. Ele já bebe, fuma e é um dos poucos a circular com facilidade entre os grupos da região: os italianos locais, os refugiados africanos e o grupo de ciganos Romani. Pio tem como referência seu irmão mais velho Cosimo, com quem aprende como se virar nas ruas de sua cidade natal. Quando Cosimo desaparece, Pio vê uma oportunidade para provar sua maturidade, mas logo se encontra diante de uma decisão que colocará tudo à prova.

 

 

Da Lituânia, “Frost”, de Sharunas Bartas, conta a história de Rokas e Inga, um jovem casal que se oferece para dirigir uma van com mantimentos de ajuda humanitária até a Ucrânia. Quando os planos fogem do esperado e eles se veem jogados à própria sorte, precisam cruzar a enevoada região de Donbass em busca de ajuda e refúgio, passando pelas vidas daqueles afetados pela guerra. Apesar dos perigos, eles se aproximam da fronteira, ficam mais próximos um do outro e começam a entender como é a vida durante a guerra. O longa fez parte da Quinzena dos Realizadores, Festival de Cannes 2017.

 

 

O candidato de Luxemburgo, “Barrage”, de Laura Schroeder, foi exibido na mostra Fórum do Festival de Berlim 2017. Na trama, a personagem Catherine retorna a Luxemburgo depois de dez anos vivendo na Suíça. Nesse período, sua mãe Elisabeth foi responsável pela criação de sua filha Alba. De volta para casa, Catherine entende que os papéis de cada uma dentro da família já foram desenhados, mas sente que precisa lutar para ser a mãe de sua filha. Em uma viagem para a casa de veraneio da família, Catherine e Alba irão deixar à mostra as suas feridas, entre momentos de carinho e distanciamento em que às vezes parecem duas irmãs muito diferentes.

 

 

Do diretor Joachim Trier (Oslo, 31 de Agosto e Mais forte que bombas), “Thelma” é o filme representante da Noruega. Thelma é uma jovem tímida que acaba de deixar a casa dos pais para estudar em Oslo, onde vive seu primeiro amor. Mas seu relacionamento é logo afetado pela intromissão opressiva de sua família, suas crenças religiosas fundamentalistas e sua habilidade única em afetar a vida de Thelma. Quando ela está chateada, coisas estranhas parecem acontecer. Os fenômenos sobrenaturais só aumentam, e a jovem descobre poderes que não consegue controlar. Enquanto busca respostas, seus pais severos e religiosos se preparam para o pior.

 

 

O candidato da Polônia é “Rastros”, que rendeu à diretora Agnieszka Holland o Urso de Prata de melhor direção em Berlim 2017. O filme conta a história de Duszeiko, uma engenheira civil aposentada que vive em uma isolada aldeia montanhosa próxima à fronteira entre a Polônia e República Tcheca. Um dia, um de seus cães desaparece. Pouco tempo depois, ela encontra o cadáver de seu vizinho ao lado de pegadas de cervos. As mortes na região continuam, todas de forma igualmente misteriosas e com vítimas com perfis similares: todos eram pilares da comunidade da aldeia e caçadores apaixonados. Afinal, eles foram mortos por animais selvagens ou são vítimas de uma vingança sangrenta?

 

 

Já “Centauro“, de Aktan Abdykalykov, é o filme do Quirguistão. Centaur é um homem modesto, pai amoroso de um garotinho silencioso e marido de Maripa, uma jovem surda. Juntos, eles tocam uma vida simples em uma pequena vila. Apesar do respeito que inspira, Centaur guarda em seu peito uma crença profunda: ele acredita que o povo de seu país se tornará invencível através da adoração a seus cavalos e que vem sendo punido pelos céus graças a práticas mercenárias com os animais. Para salvar sua terra natal, ele começará a roubar cavalos de corrida durante a noite. O longa foi exibido no Festival de Berlim 2017.

 

 

E para encerrar a lista, “Conversa Fiada“, de Huang Hui-chen (representante de Taiwan). Vencedor do Teddy de melhor documentário no Festival de Berlim 2017, ele retrata a vida de Anu. Ela casou-se jovem, como era comum na década de 1970 em Taiwan, mas logo se divorciou de seu marido violento e criou suas duas filhas sozinha. Desde então, seus relacionamentos têm sido exclusivamente com mulheres que, como ela, ganham a vida como carpideiras. Dirigido por uma de suas filhas, este filme confronta Anu com perguntas que atormentam a diretora há anos e que colocam em questão um dos maiores tabus da cultura chinesa e da humanidade: o amor incondicional materno.

 

A seleção final dos candidatos ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro sai em fevereiro de 2018.

 

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