Estudantes do Brasil constroem três carros e buscam penta em competição internacional

Baja SAE Rochester reunirá 100 equipes das Américas, Índia e Emirados Árabes, de 6 a 9 de junho, em Rochester, Nova York, nos EUA
 

Quarenta e dois estudantes de engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estão com os carros prontos para a Baja SAE Rochester. Realizada pela SAE International, a competição de carros off Road projetados e construídos por universitários, acontece de 6 a 9 de junho, em Rochester, Nova York, nos EUA.

As equipes brasileiras Baja UFMG, FEI Baja e UFSC Puma ganharam o direito de representar o Brasil nos Estados Unidos após conquistarem, respectivamente, as três melhores colocações na 19ª Competição Baja SAE BRASIL-PETROBRAS, realizada em março deste ano, em Piracicaba (SP), com a participação de 68 equipes do País.

Em Nova York, 100 equipes (limite máximo) das Américas, Índia e Emirados Árabes disputam a competição, na qual o Brasil já venceu quatro vezes: em 1998, com a equipe da Universidade Federal do Rio Grande do Norte; e em 2004, 2007 e 2008, com alunos da FEI.

Campeã nacional, a equipe Baja UFMG, com 21 estudantes, fabricou um painel auxiliar com comando de afogador eletrônico, velocímetro digital e barras gráficas, que indicam a rotação do motor, aceleração, nível e consumo de combustível, além de apontar o escorregamento das rodas do eixo de tração do veículo, para evitar o atolamento do carro. As informações são transmitidas ao box por meio da telemetria.

O carro mineiro também está equipado com gerador termoelétrico. Por meio de um módulo, instalado no coletor de exaustão, a energia térmica liberada pelo motor é convertida em elétrica. “Esse sistema aumenta 40% da autonomia da bateria”, conta o capitão Alfredo Rodrigues, estudante do 7º período de Engenharia Mecânica. O carro pesa 168 kg, atinge velocidade máxima de 62 km/h e faz 10,71 km/l de gasolina. “Esperamos assim alcançar um lugar no pódio mundial”, afirma.

A equipe veterana Baja FEI investiu na parte eletrônica do veículo, agora com sensores que informam ao piloto a velocidade, temperatura, nível de gasolina, entre outros dados. “Muitos carros que competem nos EUA não utilizam a eletrônica embarcada, pois não é obrigatório, desta forma saímos na frente”, conta Ariel Fortes, capitão da equipe.

O carro da Baja FEI sofreu modificações na geometria de suspensão, ao substituírem o semi-trailing para duplo A. O carro pesa 146,5 kg, atinge até 60 km/h e faz cerca de 12 km/l de gasolina. “Está mais confiável, por isso a expectativa é ficar entre as cinco melhores equipes”, acredita Ariel, que viajará com 12 integrantes. Na última participação nos EUA, em 2011, a FEI conquistou a 6ª colocação.

A equipe catarinense UFSC Puma compete nos EUA pela segunda vez. Em 2009, os estudantes conquistaram a 8ª colocação. Entre os destaques, o carro possui caixa de transmissão com três velocidades sequenciais, para o melhor aproveitamento da rotação do motor. O carro pesa 170 kg e atinge velocidade máxima de 62 km/h. “A equipe pretende adquirir experiência em competições internacionais, para agregar conhecimento e novas tecnologias ao veículo atual”, comenta Fábio Barros Oliveira, estudante da 9ª fase do curso de Engenharia Mecânica. A equipe espera se classificar entre as cinco melhores.

Carros – Os Baja SAE são protótipos de estrutura tubular em aço, monopostos, para uso fora de estrada, com quatro ou mais rodas, motor padrão de 10 HP e capacidade para abrigar um piloto de até 1,90m de altura e até 113,4 kg de peso. Os sistemas de suspensão, transmissão, freios e o próprio chassi são desenvolvidos pelos próprios estudantes de engenharia, que são orientados por professores das instituições de ensino que representam.

O programa – O Baja é o primeiro programa estudantil de capacitação organizado pela SAE BRASIL. Nele os estudantes se organizam em equipes que, sob a orientação de um professor desenvolvem os veículos com o qual irão competir representando a sua instituição de ensino.

Além da construção do protótipo em que praticam o conhecimento adquirido em sala de aula, as equipes são responsáveis por atividades como atendimento de prazos, busca de suporte financeiro para viabilização do projeto e custeio de despesas, entre outras tarefas com as quais se defrontarão no mercado de trabalho.

“O objetivo maior do conhecimento tecnológico está no processo de inovação e de introdução de novas tecnologias para sua utilização sistêmica, com fins econômicos e sociais. É essa a filosofia que a SAE BRASIL adota em suas competições estudantis, que desafiam os estudantes de engenharia à ousadia e à criatividade aplicadas aos projetos desenvolvidos por eles”, afirma o engenheiro Ricardo Reimer, presidente da SAE BRASIL.

 

Assessoria

0 comentários

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.