Manifestação em São Paulo deixa saldo de jornalistas feridos, presos e agredidos

Cinegrafista foi atingido por spray de pimenta e repórter teve o olho atingido por bala de borracha
 

 

Em São Paulo, cinegrafista é atingido por spray de pimenta
 
As imagens da prisão do repórter do Portal Aprendiz, Pedro Ribeiro Nogueira – ainda preso e que será solto nesta sexta para responder em liberdade – repercutiam na imprensa e nas redes sociais quando novas informações de que profissionais estavam sendo detidos e agredidos começaram a ser divulgadas na tarde desta quinta-feira (13/6).
 
 
 
O quarto protesto realizado pelo Movimento Passe Livre contra o aumento das passagens do transporte público em São Paulo foi o mais violento – na ação contra os manifestantes e jornalistas – e o que deixou o maior número de profissionais de imprensa feridos, presos e agredidos. 
 
 
Logo no início da manifestação, que começou na região central de São Paulo, o repórter da revista Carta Capital, Piero Locatelli foi preso e encaminhado para a 78ª delegacia por carregar vinagre na bolsa. Por volta de 19h ele foi liberado.
 
 
 
O fotógrafo do Portal Terra, Fernando Borges, também foi detido, mesmo se apresentando como profissional de imprensa, ele ficou junto detido com outros manifestantes por volta de 40 minutos e liberado.
 
 
 
Jornalistas do jornal O Estado de S.Paulo e da Rádio Estadão também relataram cenário de extrema violência por parte da polícia, principalmente no lançamento de bombas de efeito moral e spray de pimenta. 
 

A repórter da revista Exame, Amanda Previdelli, presenciou a manifestação e narrou os momentos de violência pelo twitter. “Gente, desculpa, ainda tô muito impressionada. Não vi a frente e o fim da manifestação, mas a ABSURDA maioria era PACÍFICA”, disse Amanda em um dos posts.

 

A Rede Brasil Atual também informou, em seu perfil no Facebook, que uma repórter do veículo foi agredida. “Ela estava sentada escrevendo no bloco de anotações quando recebeu pancadas de cassetete no rosto e nas pernas. Há pelo menos uma dezena de jornalistas reprimidos hoje pela PM de São Paulo”, disse a nota publicada.

 
 
 
 
Do jornal Folha de S.Paulo, sete repórteres foram atingidos e dois levam tiros no rosto. Segundo a publicação, a jornalista Giuliana Vallone, da TV Folha, e o colega Fábio Braga foram atingidos por balas de borracha no rosto disparadas pela Tropa de Choque da Polícia Militar.
 
 
 
 
O repórter-fotográfico Fábio Braga recebeu dois disparos, um no rosto e outro na virilha.
 
Entidades de defesa à imprensa
No início da noite, a Anistia Internacional divulgou nota sobre as manifestações. “A Anistia Internacional vê com preocupação o aumento da violência na repressão aos protestos contra o aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro e em São Paulo”. A entidade destacou a preocupação em relação ao discurso das autoridades sinalizando a “radicalização da repressão”.
 
 
A organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou no fim da manhã uma nota de repúdio à prisão do jornalista Pedro Ribeiro Nogueira e a detenção que aconteceram na terça (11/6) do jornalista Leandro Machado, Folha de S. Paulo, do fotógrafo Leandro Morais, do UOL e a agressão do repórter do R7, Fernando Mellis.

 
 
 
“A mídia desempenha um papel crucial nas manifestações, divulgando as queixas dos participantes, relatando a resposta das autoridades e contribuindo a abrir um debate sobre as reivindicações. Os jornalistas não podem ser assimilados aos manifestantes. Por conseguinte, as forças da ordem devem comprometer-se a respeitar a neutralidade e integridade dos profissionais da informação”, declarou RSF.
 
 
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo condenou a agressão contra os jornalistas. “A Abraji considera preocupante que esta ação contrária ao trabalho da imprensa parta do Estado, e justamente da PM, mandada à rua para manter a ordem e garantir direitos”.
 
 
“Fora Rede Globo”

Por volta de 18h30, quando a manifestação seguia na Rua  da Consolação, região central, IMPRENSA acompanhou o protesto e presenciou a ação da Polícia Militar.Entre os manifestantes, ouvia-se palavras de ordem contra a TV Globo. Muitos manifestantes consideram que alguns veículos da imprensa estão fazendo uma cobertura parcial das manifestações.

 

PORTAL  IMPRENSA

 

Confira em vídeo:

 

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