Um novo olhar no ensino do jornalismo

Dedicado à pesquisa no jornalismo, Marques de Melo defende teoria aliada à prática
 

 

Marques de Melo é fundador da Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Marques de Melo é fundador da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Só por ter sido responsável pela abertura e estruturação do curso de jornalismo da ECA-USP, um dos mais reconhecidos do mundo, José Marques de Melo já teria seu nome eternizado na história do estudo brasileiro de mídia. Para ele, porém, não bastava. E assim partiram dele também contribuições que revolucionaram o fazer jornalístico em tradicionais faculdades, como Cásper Líbero, Metodista e Faculdades Integradas Alcântara Machado (Fiam).

 

 

Atual dirigente no Brasil da Cátedra de Comunicação da Unesco, o alagoano de riso fácil tem dedicado sua vida ao incentivo à pesquisa acadêmica. A Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, maior entidade latino-americana dedicada à temática – também figura entre seus feitos. Tendo a humildade como alicerce, Marques de Melo diz jamais ter imaginado chegar tão longe. Para ele, todos os louros devem ser dados à sua obstinação. Sérgio Mattos, ex-aluno, amigo de longa data e biógrafo de “O Guerreiro Midiático”, discorda. “Ele é um predestinado. Soube aproveitar todas as oportunidades que apareceram, pois estava sempre pronto.”

 

 

 

Nascido no agreste de Alagoas em 1943, suas primeiras recordações da infância remetem à presença de jornais vindos da capital espalhados pela sala e do rádio a bateria do pai. “Era uma questão de curiosidade do meu pai ter esse interesse todo pela notícia. Ele não tinha formação nenhuma, era um homem prático.” Curiosamente, foi também na pacata Palmeira dos Índios, onde nasceu, que um dos mais célebres governantes fez história na literatura. Graciliano Ramos foi prefeito do município.

 

 

 

Vindo de uma família “extremamente complicada”, Marques de Melo foi criado em meio a muitos livros, mas era minoria na região. “Ser letrado no sertão naquela época era uma grande coisa. A maioria era analfabeta.” De tantas horas passadas na biblioteca, o menino tomou gosto pela escrita. Logo aos 10 anos ganhou seu primeiro concurso por um texto na terceira série, e, dali em diante, não parou mais. “Ainda não sabia o que seria quando crescesse, mas minhas professoras diziam que tinha muito pendor para a escrita.”

 

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