Jornalistas discutem mudanças na cobertura da Copa com os avanços das redes sociais

Os profissionais que cobrem esporte falam sobre essa cobertura
 

Para debater a cobertura esportiva em ano de Copa do Mundo, durante o painel V, no mídia.JOR, Juca Kfouri, apresentador da ESPN e colunista da Folha de S.Paulo, moderou o seminário que teve como convidados Mauro Beting, jornalista da rádio Bandeirantes e jornal Lance, e Hélio Gomes, diretor de conteúdo do portal Terra.

 

Midia Jor 2013   Foto. Alf Ribeiro37

Foto. Alf Ribeiro

 
“Somos dois palmeirenses, inclusive”, começou Hélio em referência às brincadeiras de Juca Kfouri, que em seguida apresentou um vídeo do ciclo olímpico que o Terra cobriu desde Pequim, mostrando a mudança na qualidade de imagem, como HD e o aumento das equipes do portal que cobriram estes eventos esportivos. Já em meados de 2013, o vídeo apresentou a cobertura da Copa das Confederações, considerada um marco, já que o foco foram as ruas e não os jogos de futebol.

 
 
 
Hélio apresentou também fotografias produzidas pelo Terra para discutir a necessidade de voltar os olhares para o que acontece fora do evento oficial, já que o portal não tem os direitos de transmissão. “Nós temos a obrigação de ser social, second screen, ser o conteúdo complementar do que acontece na televisão”, diz.

 
 
“Temos uma questão no Terra que é uma empresa global e nós fazemos o modelo que é exportado para outros 19 países. Estaremos nas 12 sedes, teremos jornalistas colados nos jogadores. Tudo é ao vivo na internet e o tempo real é patrimônio do Terra, mantemos a tradição de jogo minuto-a-minuto criado por nós”, lembrou Hélio.

 
 
Para o diretor de conteúdo, a Mídia Ninja trouxe um aspecto fundamental para o jornalismo online ao fazer uma cobertura apenas com uma mochila e um celular. “Nós estaremos ainda em todas as plataformas, ou seja, nós somos primeira ou segunda tela? Quem vê o jogo pode até ver na Globo, mas nós acreditamos que seremos primeira”, explica.

 
 
Farra para poucos
A segunda apresentação do painel foi de Mauro Beting, que relembrou a evolução tecnológica desde a Copa de 1970, a primeira televisionada. O jornalista aproveitou o momento também para criticar a Copa de 2014, que “será uma festa para tantos, uma farra para poucos”. 

 
 
Beting lembrou ainda a importância da Mídia Ninja e como ela influenciará a cobertura da Copa. “Nosso trabalho vai ser muito interessante porque não só a imprensa será credenciada. Esta será uma Copa que precisa ser cidadã, porque você precisa se movimentar na cidade, vai ter trânsito, economia, não é uma cobertura só esportiva: é cultural, é do dia a dia, todos seremos que ser ninjas, não só a mídia ninja”.

 
 
“O recado deles não foi só para o governo, foi para todos nós. Há quanto tempo tem redes sociais? Hoje tem vários repórteres na rua que a gente, na nossa arrogância, não vê, ou na pior percepção, de repórteres ruins. Ficou uma lição: a gente tem que estar com o olho na bola e a alma fora do estádio”, garante. 

 
 
Cobertura ontem e hoje
“Minha matéria de Copa era feita por telex, a gente dependia de cabines públicas de telex, que tinha que chegar com uma fita perfurada para a telefonista, isso em 1982. Já em 1986 aconteceu uma coisa extraordinária: o fax. Imagine escrever uma lauda e chegar direto na redação? Único problema era quando acabava o papel”, lembra Kfouri. Em 1990, os avanços tecnológicos permitiram a transmissão de foto colorida digital. 

 
 
“Nenhum dos convidados comentou a imprensa impressa, do jornalzão”, comentou Juca. “Mesmo na internet um blog tem que ser atualizado, a gente hoje olha para o jornal como olha para o preto-e-branco”, disse Mauro. “Mas os jornais tem pautado os jornais”, lembrou Hélio. “Vou dar um exemplo do desafio do papel: morre o Papa às 15h. Os sites no 15h01 já deram. Os jornais no dia seguinte continuaram com “Papa morreu”. O que o El País fez? “Para onde vai a Igreja Católica”, lembrou Kfouri.

 
 
O debate abordou ainda o conflito de gerações em relação aos avanços tecnológicos e os dilemas de ser imparcial e assumir seu time do coração, principalmente em tempos de redes sociais. Hélio Gomes e Mauro Beting são palmeirenses assumidos, enquanto Juca é corintiano. “Não dá para distinguir a pessoa física da jurídica. As redes sociais são a pracinha da cidade do interior”, disse Gomes.

 
 
Outro ponto que gerou discussão foi o limite entre o entretenimento e o jornalismo. Priorizar o show e o espetáculo em detrimento da informação é algo que preocupa os profissionais. “Leifertização da cobertura me constrange e me preocupa, finalizou Juca Kfouri.
 
 
O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo ( SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.

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