Rita Lisauskas, Rosana Jatobá e Marcos Cripa discutem novas oportunidades no mercado

Jornalistas debateram o mercado de trabalho
 

Marcos Cripa, ex-diretor de jornalismo do SBT e professor da PUC-SP, começou o painel dialogando com a palestra anterior, de Ascânio Seleme, ao abordar a exigência do mercado para que os profissionais de jornalismo sejam cada vez mais multimídia. “Essa discussão é da década de 1970. Os jornalistas naquela época já eram multimídia porque faziam impresso, rádio e TV. Acho normal o mercado exigir essas habilidades, mas os profissionais hoje trabalham no impresso, no AM, no FM, na internet e ainda ganham um salário só como PJ [pessoa jurídica]”, disse Cripa.

Crédito:Alf Ribeiro

Com moderação de Arthur Hendler, diretor da AllTV, o painel “Diálogos I – Mercado de Trabalho: novas oportunidades para atuação dos jornalistas” contou ainda com a participação de Rita Lisauskas, âncora do jornal Terra TV, e Rosana Jatobá, apresentadora da Globo AM e do canal pago NetGeo, do grupo Fox e Marcos Cripa, ex-diretor de jornalismo do SBT e professor da PUC-SP.
 
Após 15 anos de televisão aberta, Rita decidiu apostar na internet e neste ano estreou na internet. “Questionei muito o jornalismo de televisão, que não me deixava feliz. Quando aconteceram as manifestações de julho me perdi do meu cinegrafista e só tinha meu iPhone. Comecei a narrar pelo Twitter o que estava acontecendo na hora, porque ninguém podia esperar três horas para ver a matéria. Tudo que eu tinha escrito ali no dia seguinte tinha repercutido muito mais do que a matéria da TV. Então que novo jornalismo é esse? Eu resolvi apostar na internet e isso está me dando mais tesão como jornalista do que fazer a história do imã de geladeira, porque quando está em TV aberta tem que fazer”, disse.
 
 
Já Rosana Jatobá discutiu a importância de ser multimídia como abertura de possibilidades para carreira. “Hoje a tecnologia veio fortalecer o jornalismo. É possível ser monomídia? É, mas não recomendo, porque na minha experiência foram exatamente essas multitarefas dentro de uma emissora que me possibilitaram outros caminhos. Vejo o mundo ramificado e se você tem expertise em várias mídias, nascem novas possibilidades”, contou Rosana.
 
 
Rita lembrou ainda a fraqueza da categoria na busca por melhores condições de trabalho. “Fui mestre de cerimônias do prêmio Líbero Badaró e o vencedor da categoria impresso era do Diário do Pará, que está em greve. O mesmo jornal também ganhou o prêmio Vladimir Herzog. E eles ganham R$ 800 de salário. Imagina se ganhassem R$ 3 mil, o que poderiam estar fazendo pela própria formação? Então a culpa dessa situação é nossa, que não cruzamos os braços para conseguir melhores condições. Se eu perguntar para minha empregada doméstica se ela quer ser PJ, você acha que ela vai trabalhar na minha casa?”, provocou.
 
 
Em uma visão mais otimista, Rosana acredita que os jovens jornalistas devem ralar muito com foco onde quer chegar. “É assim que se constrói uma carreira. Terminei meu curso de jornalismo na UFBA, e meu pai perguntava se eu isso pedir exoneração de um cargo público para ser repórter de rua da TV Bandeirantes. Ele me questionou justamente no dia que eu tinha subir no morro de uma favela de Salvador para cobrir uma chacina. Eu vi de tudo e ver de tudo é o máximo. Temos uma credencial para andar em mundos tão díspares porque somos jornalistas. Tem que ralar e definir um foco, e trabalhar arduamente para tomar para si esse espaço, não esperar que criem”.
 
 
“A grande verdade é que o brasileiro se informa pela televisão, mas uma pesquisa mostra que os brasileiros não se reconhecem na TV. A Globo recentemente reconheceu que apoiou o golpe militar, então como quer o jornalista seja visto? As coisas são separadas, não é porque eu trabalho na Record que sou evangélico, por exemplo, mas não tem como evitar, não é nova essa coisa de brigar com jornalista. E chega nesse ponto ridículo de não deixarem o Caco Barcellos trabalhar, mas é que as pessoas não se veem representadas”, lembrou Crispa.
 
 
“Para mim fica a visão paternalistas dos meios de comunicação. É falta de cidadania, de entender que é importante para você se posicionar diante de determinados temas e exigir o que acha que é digno para si. E que o cidadão não consegue enxergar que o repórter está tentando apresentar, apurar, mas por que o telespectador dá tanto valor para o jornal? Isso é culpa do telejornal? É do cidadão, e a rede social vai nos redimir”, finaliza Rita.

 

O mídia.JOR começou dia 7 de outubro e segue até dia 9. O evento acontece no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo (SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.

 

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