Conheça as principais doenças que atingem o reto e o ânus

Alguns sinais de que o intestino não vai bem podem indicar algo mais sério que uma prisão de ventre
 

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Intestino “preguiçoso” é um problema comum na maioria das pessoas, principalmente nas mulheres, pelo menos uma vez na vida, como durante uma viagem ou após uma mudança de hábitos. Mas alguns sinais de que o intestino não vai bem podem indicar algo mais sério que uma prisão de ventre.

 

 

O cirurgião e proctologista Pedro Basílio, Diretor da Clínica Saúde Intestinal e Membro das Sociedades Brasileiras de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Coloproctologia (SBCO), explica as doenças que atingem o intestino grosso (ou cólon) e o ânus, como hemorróida, fissura, retocolite ulcerativa, doença de Crohn, pólipo e câncer.

 

 

 

Hemorróida

Todas as pessoas têm as artérias e veias, chamadas hemorroidas. Elas incomodam quando aquelas que irrigam o ânus e o reto, inflamam e incham, dentro ou fora do canal anal. Além disso, pode haver sangramento, dor ou ardor  durante ou após a evacuação, e saliência palpável.

 

 

A maior causa de hemorróidas é genética e hereditária. Outra causa que predispõe é a constipação ou prisão de ventre, que leva a um esforço maior na hora de evacuar. Mas há outros fatores que predispõem o problema, como gravidez, idade, obesidade, sedentarismo e alimentação pobre em fibras e líquidos.

 

 

No grau 1, a hemorróida apenas sangra; no 2, sangra e sai para fora; no 3, sangra, sai para fora e a pessoa consegue colocá-la para dentro; e no 4, sangra e fica sempre para fora – aí é preciso operar. Também há pomadas à base de analgésicos, anestésicos e cicatrizantes que podem ajudar, mas sempre com recomendação médica.

 

 

O especialista destaca que as pimentas não causam hemorróidas, mas podem fazer a região doer mais. Por isso, é importante manter uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e cereais para ajudar no fluxo intestinal.

 

 

Trabalhar sentado e carregar peso também não causam hemorróidas, mas quem já tem o problema pode perceber uma piora quando faz esforço físico ou passa muito tempo sentado.

 

 


 

Fissura anal

Segundo Pedro Basílio, a fissura anal é uma úlcera no canal do ânus, que tem aproximadamente 4 cm de comprimento. “A fissura é longitudinal e, na maioria das vezes, ocorre na parte da frente ou de trás do canal, onde há menos irrigação sanguínea” diz.

 

 

Entre os fatores que podem levar à fissura anal, estão prisão de ventre, fezes duras, sexo anal e qualquer outra agressão na região. Os sintomas incluem dor para evacuar e, logo depois, sangue no papel higiênico ou nas fezes.

 

 

Na fissura aguda, a pessoa fica dois ou três dias com o ânus ardendo na hora de evacuar, porém os sintomas cessam espontaneamente. Quando o machucado não cicatriza e vira crônico, é preciso usar um medicamento que relaxa a musculatura do ânus e promove maior irrigação do local. Se isso não resolver, é necessário operar.

 

 

Dr. Basílio dá algumas dicas para evitar fissuras e hemorróidas:
– Nunca deixe de evacuar com medo da dor. As fezes ficarão mais duras e machucarão ainda mais para sair
– Tome bastante líquido
– Coma muitas fibras
– Faça banhos de assento com água morna para relaxar a musculatura anal.

 

 

 

Retocolite Ulcerativa x Doença de Crohn

As duas doenças são bastante parecidas, caracterizadas por uma inflamação crônica no intestino, incurável e de causa desconhecida, mas com algumas diferenças.

 

 

“A retocolite ulcerativa só acomete o intestino grosso e tem lesões mais superficiais. Atinge apenas a camada mais interna do órgão. Já a doença de Crohn pode acometer desde a cavidade bucal, passando pelo esôfago e estômago, até o ânus – mas tem predileção pela região conhecida como íleo, que é a parte final do intestino delgado, e o começo do intestino grosso” explica o especialista.

 

 

Diferente da retocolite, a doença de Crohn atinge as quatro camadas internas e externas do intestino. Por isso, pode causar abscessos (acúmulo de pus), fístulas (comunicação forçada entre um órgão e outro) e infecções de outros órgãos.

 

 

A retocolite tem lesões contínuas e um segmento inteiro acometido. Já o Crohn apresenta áreas alternadas entre a doente e a sadia. As duas doenças são conhecidas como autoimunes, por terem características desse tipo de problema, mas na verdade são inflamatórias e também incluem componentes genéticos.

 

 

A incidência dessas doenças é de 70% na faixa entre 15 e 40 anos, e outros 20% dos pacientes são crianças. Também é perceptível uma maior incidência nos países desenvolvidos.

 

 

Entre os sintomas da Retocolite e do Crohn, estão diarreia com mais de um mês de duração, emagrecimento, muco ou sangue nas fezes, febre e perda de peso. No caso das crianças, ainda pode haver dificuldade no desenvolvimento. O controle é feito com remédios que contêm a inflamação, anti-inflamatórios específicos e corticóides.

 

 

“É importante destacar que a retocolite ulcerativa é um fator que predispõe câncer de intestino, principalmente em pacientes com mais de sete anos com a doença” conta o cirurgião Pedro Basílio.

 

 

 

Pólipo e câncer de reto

O câncer de reto pode ser evitado quando o rastreamento é feito com antecedência. Antes da doença, normalmente aparecem os pólipos intestinais, que são lesões pré- cancerígenas e podem ser retiradas durante o exame de colonoscopia.

 

 

Os pólipos pode ser hiperplásicos, que não significam nada nem viram câncer; ou adenomatosos, que têm grandes chances de virar câncer no futuro.

 

 

“O rastreamento precisa ser feito regularmente após os 50 anos de idade, aos 40 anos em caso de histórico familiar em algum parente de 1º grau, ou 10 anos antes da idade em que o parente de primeiro grau teve câncer caso isso tenha ocorrido antes dos 40 anos. Como a doença pode ou não dar sintomas, é importante fazer o monitoramento na idade certa”.

 

 

Os exames que rastreiam o câncer são o de presença de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia.

 

 

Os sintomas da doença incluem:
– Vontade de ir ao banheiro, mas quando chega, não consegue evacuar ou tem sensação de evacuação incompleta
– Sangue vivo nas fezes
– Fezes em fita (igual serpentina)
– Dor no reto
– Alternância entre diarreia e prisão de ventre
– Alteração do hábito intestinal
– Cólica
– Muco
– Perda de peso sem causa aparente
– Cansaço
– Anemia
– Barulho na barriga

 

 

Percebe-se que alguns desses sintomas são os mesmos em hemorroidas, fissuras anais, retocolite ulcerativa e doença Crohn. Por isso, ao sinal de qualquer um desses problemas, procure um médico.

 

 

Serviço:

Clínica de Saúde Intestinal – Pedro Basílio

www.saudeintestinal.com.br

 

 

 

 

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