Ouvido biônico é tema do Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia 2013

Diferente dos aparelhos auditivos convencionais que apenas expandem o som captado, o implante coclear ou ouvido biônico é um dispositivo implantado sobre a pele que substitui totalmente o ouvido
 

Novembro é celebrado como o mês da audição. Nessa época, instituições promovem diversas iniciativas para falar sobre a importância da prevenção e tratamento adequado de doenças como zumbido, otite e surdez. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que os problemas auditivos atingem cerca de 10% da população do planeta. Só no Brasil, mais de 15 milhões de pessoas sofrem com esse mal, segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).

 

 

Os casos mais comuns de surdez são causados por fatores genéticos ou perinatais, mas a doença também manifestar-se ao longo da vida como resultado de infecções do ouvido médio (otite média) — que são mais frequentes em crianças, de lesões traumáticas ou do envelhecimento, especialmente em homens. Estima-se ainda que mais de 350 mil pessoas no mundo têm deficiência auditiva severa e mais de 200 mil já utilizam o implante coclear no tratamento.

 

 

Para discutir sobre esse assunto, de 20 a 23 de novembro, os maiores especialistas do Brasil e do exterior se reúnem no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo, durante o 43º Congresso de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, promovido pela ABORL-CCF, maior e principal entidade desta classe médica no país.

 

 

Ouvido biônico
Diferente dos aparelhos auditivos convencionais que apenas expandem o som captado, o implante coclear ou ouvido biônico é um dispositivo implantado sobre a pele que substitui totalmente o ouvido de pessoas com surdez profunda ou total e que não se beneficiam com outros métodos. Trata-se de um equipamento eletrônico computadorizado que estimula diretamente o nervo auditivo através de pequenos eletrodos. Eles são colocados dentro da cóclea e o nervo leva estes sinais para o cérebro.
“A maior conquista da Otologia é possibilitar que crianças e adultos com problemas auditivos complexos possam ter uma vida normal por meio do uso dos implantes cocleares, que hoje estão mais modernos, eficientes e com técnicas cada vez mais apuradas. Tudo isso será discutido em nosso congresso”, diz o otorrinolaringologista Marcelo Tepedino, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia, braço científico da ABORL-CCF.

 

 

A otorrinolaringologista canadense Sharon Cushing, do Hospital para Crianças Doentes de Toronto (The Hospital for Sick Children in Toronto, Canada), é dedicada à pesquisas em otorrino pediatria, incluindo implante coclear, e abordará esse tema no congresso. Ela afirma que as tecnologias em implantes cocleares continuam a evoluir pelo mundo. “Hoje, já existem novos estilos e tipos de eletrodos, novas estratégias para o processamento de discurso, língua, música e processadores externos que continuam a melhorar a conectividade entre os pacientes e os sons”.

 

 

 

Cushing comenta sobre as aplicações do implante coclear bilateral em crianças, que divide opiniões entre especialistas da área e será um dos principais focos de sua palestra. “Nascemos com um cérebro que se destina a ouvir bilateralmente. Restaurar a audição bilateral com implantes cocleares impede que o cérebro promova uma reorganização cognitiva que favoreça apenas o lado que ‘ouve’. Isso permite diversos benefícios à criança, como a melhora na fala e na detecção de ruídos”.

 

 

Além de questões relacionadas à audição, implantes cocleares e zumbido, o 43º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia traz neste ano palestras, paineis, cursos e mesas-redondas sobre novas técnicas e pesquisas relacionadas à doenças respiratórias e vocais, distúrbios do sono e equilíbrio e muitos outros assuntos relevantes para os avanços da especialidade no Brasil.

 

 

Assessoria

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