Publicações de turismo falam sobre dilema em fazer cobertura de viagens por press trip

Veículos tentam programar tempo livre nessas viagens para buscar outras pautas
 

presstrip

 

Geralmente, antes de alguém visitar um hotel, albergue ou restaurante procura referências dele em algum veículo que aborde temas como viagem e turismo. No entanto, nem todos sabem, mas algumas publicações conhecem estabelecimentos através de uma prática conhecida como press trip, que consiste em um representante fazer uma visita acompanhada ao local. IMPRENSA conversou com periódicos que adotam esse método para saber o que acham desta prática, qual a ética ao aceitá-lo e as vantagens e desvantagens deste recurso.

 
 
 
 
Cadernos e revistas de turismo debatem o dilema do press trip

O caderno de turismo da Zero Hora é um dos veículos que aceita o press trip, desde que não seja financiado com dinheiro público. A editora do suplemento, Priscila de Martini, afirma que na hora de aceitar esse método é necessário se certificar que o jornalista “terá liberdade sobre o conteúdo da reportagem que será produzida, quando ela será publicada e até mesmo a possibilidade de não publicar a matéria”.

 
 
Segundo ela, os profissionais do veículo são orientados a respeitar a maior parte da programação sugerida por quem fez o convite, mas eles também têm a liberdade de solicitar tempo livre para explorar outras pautas de interesse. 
 
 
O Guia Quatro Rodas não adota esse método. O redator-chefe do veículo, Fabio Peixoto, afirma que se um repórter da empresa vai a um restaurante para analisá-lo, por exemplo, só se identifica após a refeição. Peixoto acredita que, desta forma, o jornalista terá uma experiência parecida com a do leitor. Ele acredita que, quando um repórter vai identificado, o restaurante ou hotel podem querer oferecer para ele as melhores mercadorias possíveis para ganhar uma nota alta na avaliação.
 
 
Adriana Moreira, editora-chefe do caderno “Viagem”, do Estadão, diz que o veículo costuma aceitar apenas os convites de órgãos oficiais, como Ministérios e Secretarias de turismo, por exemplo. Entretanto, revela que o leitor é sempre informado sobre as matérias feitas com press trip. 
 
 
“O fato do repórter comer em determinado restaurante ou dormir em um dado hotel não o obriga a escrever sobre esses lugares. Eles só entrarão no artigo se, de fato, tiverem uma relevância para o leitor”, completa Adriana.
 
 
Eficiência
Mas será que com o press trip o leitor fica 100% informado? A editora da Zero Hora argumenta que “nem os extensos guias turísticos abarcam todo o conteúdo que pode ser útil a quem viaja, sempre vai haver algum ângulo não explorado”.
 
 
Segundo Priscila, o veículo tenta fazer recortes e abordagens específicos, mas o press trip não impede o jornalista de fazer apurações próprias ou procurar outras opiniões.
 
 
Na opinião da editora-chefe do caderno “Viagem”, do Estadão, manter o leitor “100% informado seria ambição demais”. “Nem mesmo se fôssemos por conta própria conseguiríamos esse feito em uma única viagem”, diz. Ela acrescenta que, no jornal, apenas tenta sugerir um roteiro ao leitor.
 
 
Peixoto acredita que se o veículo puder evitar essa prática, é melhor para a matéria. Segundo ele, quando o profissional de imprensa viaja com o press trip, sabe que os funcionários da empresa que o convidou só vão mostrar “o que eles querem que você veja”. “O press trip é uma viagem de turismo controlada”, acrescenta.
 
 

 

Vantagens e Desvantagens

Adriana diz que a maior vantagem do método é o contato com outros jornalistas, pois existe uma ampla troca de ideias entre os colegas durante a viagem, e isso por si só é enriquecedor. Há também o fato de se ter acesso a lugares exclusivos, novidades em primeira mão, e a oportunidade de conversar com pessoas nem sempre tão fáceis de encontrar. Entretanto, a editora do Estadão afirma que a grande desvantagem é você estar preso a um itinerário e a uma programação. 
 
 
 
Priscila acredita que a maior das vantagens é poder mandar um jornalista fazer a pauta in loco com poucos custos, além de dar a oportunidade de conhecer lugares pouco explorados pelos turistas e antecipar tendências. Apesar disso, ressalta que “o ideal é não depender exclusivamente desse tipo de convite”.
 

 

 

“Você sempre tem que pensar no que é melhor para o leitor. Às vezes, o veículo não tem condição de pagar e acaba aceitando o convite. O ideal é pagar, pois, caso contrário, você terá uma experiência muito diferente da do leitor”, conclui Peixoto.

 

 

 

 

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