Pesquisa revela que jornalistas buscam mais pautas na internet do que em press releases

O jornalista, que passa cada vez mais tempo nas redações, tem encontrado na internet sua principal fonte para a apuração, deixando de lado o material de divulgação recebido pelas agências
 

O fechamento de diversos veículos de comunicação Brasil afora nos últimos anos, bem como o enxugamento das redações não trouxeram perdas apenas para o público leitor, mas têm influenciado diretamente o trabalho das assessorias de imprensa. O jornalista, que passa cada vez mais tempo nas redações, tem encontrado na internet sua principal fonte para a apuração, deixando de lado o material de divulgação recebido pelas agências.

 

 

Este foi o cenário sentido pela agência Evcom que, com o objetivo de melhorar seu relacionamento com as redações, decidiu realizar uma pesquisa com os 318 jornalistas das principais capitais brasileiras. Os resultados foram divulgados na Sondagem Nacional de Jornalistas.

 

 

Segundo Thiago Costa, diretor de projetos da Evcom e coordenador do curso de Comunicação em Mídias Sociais da FAAP, a pesquisa indica que as assessorias de imprensa precisam de uma verdadeira reinvenção para sobreviverem. “Precisávamos descobrir o que estava pensando o jornalista da redação para atendê-lo melhor e, como consequência, dar um melhor retorno aos meus clientes. Nossa principal descoberta foi a que a forma de se relacionar com os jornalistas precisava mudar”.

 

 

 

Como ponto crítico do levantamento, Costa questiona a viabilidade de manter os press releases do jeito que são utilizados hoje. Isso porque foi constatado que 56% dos jornalistas não utiliza o material. Em contrapartida, quase 70% dos repórteres usam as redes sociais para procurar fontes ou pesquisar pautas.

 

 

“Ainda há no mercado muitas agências que baseiam seu trabalho de remuneração no número de releases divulgados. Isso não faz mais sentido, já que boa parte dos jornalistas descarta esse material”. Para o especialista, a saída é mudar essa dinâmica, enviando os textos apenas quando solicitados e aproveitar o potencial da internet. “As redes sociais, principalmente, são uma boa forma de as assessorias encontrarem meios de fazer a informação de seus clientes chegarem”.

 

 

Outra questão importante levantada pela pesquisa é a necessidade da mudança no chamado relacionamento entre o jornalista e o profissional de comunicação empresarial. “A assessoria de imprensa geralmente trabalha essa questão de relacionamento convidando o jornalista para um almoço ou enviando presentes. Mas não é isso. É preciso ser uma marca em que os jornalistas acreditem, que possam confiar. Se ele precisa de uma pauta, uma fonte de última hora, ele pode confiar que a agência poderá ajudá-lo”, conclui.

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