Ombudsman da “Folha” diz que a imprensa amadureceu após o caso Escola Base

Jornalistas enfatizaram que um possível atalho para evitar injustiças contra acusados de crimes é "manter a frieza mesmo diante de fatos chocantes", como o abuso sexual de crianças ou assassinatos
 

Para relembrar o famoso caso Escola Base, que completa 20 anos esta semana, a Folha de S.Paulo promoveu um seminário na última quarta-feira (26/3) para toda a redação do jornal. A principal conclusão foi da ombudsman, Susana Singer, ao afirmar que a imprensa amadureceu após o episódio.

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Jornalismo amadureceu após caso da Escola Base, diz ombudsman da “Folha”
 
 
O caso, que consistiu na divulgação de denúncias de abuso sexual de crianças da Escola de Educação Infantil Base, no bairro da Aclimação, em São Paulo (SP), ficou conhecido como um dos mais marcantes erros da imprensa, que a partir de acusações precipitadas, feitas por um delegado da polícia, causou a depredação e posterior fechamento da instituição.
 
 
 
Segundo a publicação, a intenção de realizar o debate foi abordar o tratamento dado ao episódio pelos veículos de comunicação e como o caso alterou as práticas de apuração de reportagens semelhantes. 
 
 
 
À época do ocorrido, Suzana Singer era editora do caderno “Cotidiano” da Folha, que reportou a investigação policial. Para ela e outros profissionais presentes, a imprensa está mais preocupada em preservar a identidade de crianças em temas sensíveis e em checar declarações e dados de autoridades.
 
 
 
Segundo a ombudsman, um dos grandes equívocos foi confiar demais nos dados fornecidos pela polícia. Ela mencionou como exemplo o laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML), em que indicava que uma das crianças tinha lesões anais compatíveis com “atos libidinosos”. 
 
 
 
A primeira notícia sobre o fato foi veiculada no dia 29 de março de 1994, em reportagem do “Jornal Nacional”, da Rede Globo. Com exceção do extinto “Diário Popular”, que desconfiou da investigação policial, toda a imprensa noticiou o episódio. 
 
 
 
 
 
 

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