EUA e Paquistão retomam diálogo estratégico suspenso desde 2011

Kerry manteve-se fiel ao discurso defendido por Washington
 

Os Estados Unidos e o Paquistão decidiram retomar o diálogo estratégico, processo interrompido em 2011, um ano após o seu início. O anúncio ocorreu durante a visita do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, à capital paquistanesa Islamabad.

 

 

“Os nossos interesses comuns ultrapassam em muito as diferenças que possamos ter tido”, afirmou Kerry, em entrevista após encontro com o homólogo paquistanês, Sartaj Aziz.

 

 

“Os Estados Unidos estão empenhados em ter uma ligação a longo prazo com o povo do Paquistão, baseada nos interesses e no respeito mútuo”, disse o chefe da diplomacia norte-americana, que esteve reunido por mais de uma hora com o primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif.

 

 

Kerry transmitiu ao chefe do governo paquistanês um convite oficial do presidente norte-americano, Barack Obama, para que visite, possivelmente dentro de um mês, a Casa Branca para uma rodada de conversações sobre as relações bilaterais e a luta contra os talibãs.

 

 

O diálogo estratégico entre os dois países, que contou com três rodadas de diálogo em 2010, inclui contatos em diversas áreas, com destaque para a economia e a segurança, segundo Sartaj Aziz, assessor especial do primeiro-ministro paquistanês para os Negócios Estrangeiros.

 

 

Kerry, que chegou ontem (31) a Islamabad para realizar a sua primeira visita ao Paquistão como secretário de Estado, estará ainda com o presidente Asif Ali Zardari e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas paquistanesas, general Ashfaq Pervez Kiyani.

 

 

Nesses encontros, Kerry irá abordar a necessidade de reforçar a luta contra a presença no país de grupos insurgentes islâmicos, perto da fronteira com o Afeganistão, no momento em que as Forças Armadas norte-americanas estão preparando sua retirada do território afegão até o final de 2014.

 

 

As relações bilaterais entre Washington e Islamabad enfrentaram uma crise particularmente grave após a captura e execução, em maio de 2011, pelas forças norte-americanas do então líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama Bin Laden, que vivia em esconderijo no território paquistanês.

 

 

O Paquistão também contesta regularmente os ataques realizados pelas forças norte-americanas com drones (aviões não tripulados) que visam aos extremistas islamitas refugiados nas zonas tribais do noroeste do território paquistanês. Os ataques têm provocado a morte de civis.

 

 

As autoridades paquistanesas consideram que essas operações constituem um atentado à soberania do país, mas os Estados Unidos alegam que são um elemento-chave na luta contra os grupos extremistas naquela região.

 

 

Durante a entrevista, Sartaj Aziz reforçou a posição defendida por Islamabad sobre o assunto, um dos mais polêmicos das relações entre os Estados Unidos e o Paquistão.

 

 

“Reiteramos que são uma violação da nossa soberania e também são contraproducentes”, afirmou o chanceler paquistanês.

 

 

Kerry manteve-se fiel ao discurso defendido por Washington. “Existe uma política clara e transparente que guia as nossas ações [antiterroristas]”, afirmou Kerry. Para ele, quem viola a soberania paquistanesa é “Al Zawahiri [o atual líder de Al-Qaeda] quando ordena ataques a mesquitas e mercados” no Paquistão.

 

Agência Brasil

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