OLIMPÍADAS DE SOCHI: A abertura da competição é marcada por falhas

Anel olímpico não abriu na cerimônia do 22º Jogos de Inverno
 
Anel olímpico não abre na cerimônia

Anel olímpico não abre na cerimônia

 

Os 50 bilhões de dólares, que transformam as Olimpíadas de Sochi nas mais caras da história, começaram a ser justificados, mas não impediram as falhas. A festa grandiosa, mais marcada por alguns problemas. Os 22º Jogos de Inverno começaram oficialmente na sexta-feira, dia 7 de fevereiro, com a cerimônia de abertura no Estádio Olímpico de Fisht.  

 

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Delegação brasileira

 

A falha que mais chamou a atenção aconteceu na apresentação dos anéis olímpicos, quando um deles não abriu. Durante o desfile dos atletas, a delegação brasileira foi recebida com carinho, como as ex-repúblicas soviéticas. Os russos foram apresentados com a trilha sonora da dupla lésbica t.A.T.u, em uma cerimônia que teve como fio condutor a menina Lubov, que significa amor em russo. Ela passeou por belas paisagens russas e pelas representações da formação do país, como a Revolução de 1917 e o sonho socialista. Após passar pelas mãos de Maria Sharapova e Yelena Isinbayeva, a tocha olímpica foi acesa pelos ex-atletas de inverno Irina Rodnina e Vladislav Tretyak. 

 

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Cantores do programa “The Voice” russo deram início à cerimônia. Um vídeo repleto de recursos gráficos apresentou a Rússia de A a Z. Seus grandes nomes, como Dostoiévski, Nabokov, Kandinsky, Chagal, Eisenstein, e as grandes invenções, como a tabela periódica, a estação espacial, o satélite Sputnik, o balé russo, a televisão e o paraquedas. 

 

 

Depois dos fogos do lado de fora, a menina Lubov foi alçada aos céus por entre nuvens. Ao som de “Voando nas asas do vento”, de Aleksandr Borodin, ela passeou por paisagens russas, em ilhotas também suspensas por cabos, como os Montes Urais, montanhas símbolo que separam a porção asiática da europeia do país. O estádio é coberto, mas parecia nevar. Um coral ao redor da pista anunciou os anéis olímpicos, que surgiriam de flocos de neve. Um deles, porém, não abriu. E os fogos de artifício que se seguiriam também não estouraram. O presidente do Comitê Olímpico Thomas Bach e o presidente russo Vladimir Putin foram anunciados na tribuna de honra para a execução do hino da Rússia e o hasteamento da bandeira do país. Um clip resumiu o revezamento da tocha e em um mapa mundi foi projetado na pista do estádio. 

 

 

Uma rampa no meio da pista se abriu para a o início do desfile das delegações. Como sempre, a Grécia, berço dos Jogos, foi o primeiro dos 88 países a serem apresentados. A delegação brasileira, com 21 pessoas, entre atletas e membros de comissão técnica, foi a 15ª a desfilar, entre a Bósnia e a Macedônia, e foi bastante ovacionada. Isabel Clark, do snowboard, levou a bandeira e alguns dos atletas desfilaram de mãos dadas. 

 

 

 

O desfile reservou várias curiosidades. Um atleta da Áustria levou um tombo ao entrar. Bastante empolgado, o porta bandeira da Venezuela saiu correndo e cativou o público ao lado de seus dois colegas de delegação. Todas as ex-repúblicas soviéticas foram bastante aplaudidas. Mesmo a Georgia, que ameaçou não participar das Jogos de Inverno devido aos conflitos armados em 2008, e a Ucrânia, que passa por uma crise econômica com a Rússia. As numerosas e poderosas delegações da Alemanha e do Canadá chamaram a atenção. Os 230 atletas americanos também levantaram o público com seu casaquinho estilo “tricô da vovó”. Atletas das Ilhas Cayman desafiaram os 3 graus e se apresentaram em simplórios chinelos e bermudas. Um atleta indiano, cujo comitê do país está suspenso, desfilou sob a bandeira do Comitê Olímpico Internacional.  

 

O presidente François Holande aplaudiu os franceses, os eternos simpáticos jamaicanos foram recebidos com carinho e os japoneses entraram com bandeiras de seu país e da Rússia. Chegou a hora dos donos da casa entrarem. Recebidos com a vibração de um gol, os 270 atletas desfilaram. Em uma demonstração de aceitação aos gays, os atletas do país entraram ao som da dupla lésbica  t.A.T.u, com a música “Nas ne dogoniat” (“Eles Não Nos Pegarão”).

 

 

Mais um espetáculo pirotécnico deu início à segunda parte da cerimônia. Versões gigantes das mascotes passearam pela pista: o leopardo, a lebre e o urso polar, que lembra o Misha dos Jogos de Moscou 1980, ambos sem nomes. Um vídeo sobre o descobrimento da Rússia terminou com mais uma conquista, a construção do parque olímpico de Sochi. 

Os cavalos de Tróia entraram no estádio e sob o sol quebraram a gigantesca geleira até os castelos da catedral de São Basílio avançarem em formato de peixe. Lubov reaparece e o estádio se transforma em uma imensa e colorida Praça Vermelha de Moscou em meio aos dançarinos cossacos. 

Em seguida, o estádio se transforma no Mar Negro para a entrada do navio de Pedro, o Grande. O romance Guerra e Paz, de Tostói, foi representado por um batalhão que desfilou sobre as projeções das batalhas, pela dança dos casais e as disputas amorosas da obra máxima da literatura russa. A Revolução de 1917 entrou no estádio representada por uma locomotiva gigante sobre uma fábrica. E chega o sonho socialista. Prédios se erguem e o espaço sideral é conquistado. Entram o jornal Pravda e seus carros. Uma foice e um martelo gigantes sobrevoam o estádio. Carinhos de bebês representam o nascimento da Rússia. A menina Lubov é suspensa novamente aos céus por uma bola vermelha e paira sobre outra maior, azul.

 

 

 

O momento do acendimento da pira se aproximava com um vídeo exibindo o passeio da tocha pelo país. Nos discursos oficiais, o presidente do Comitê Organizador de Sochi, Dmitry Chernyshenko, disse que os Jogos serão “quentes em nossos corações e frios para heróis e novas marcas”. Presidente do Comitê Olímpico Internacional, o alemão Thomas Bach lembrou que os Jogos Olímpicos são pontes para unir os povos.

 

 

Na última parte da cerimônia, o estádio olímpico virou uma gigantesca pista de patinação com 220 patinadores representando os deuses olímpicos. As 15 modalidades dos Jogos foram apresentadas como constelações, preparando o ponto alto da cerimônia. Um puck de um “jogador hóquei” acendeu o fogo olímpico, trazido ao estádio pela tenista Maria Sharapova. A tocha passou pelas mãos da saltadora Yelena Isinbayeva, do ex-lutador Alexandr Karelin, da ginasta Alina Kabaeva e finalmente encontrou Irina Rodnina e Vladislav Tretyak. A dupla deixou o estádio, cercada por todos os participantes da cerimônia, e acionaram um dispositivo que acendeu a pira olímpica em meio a mais um show de fogos de artifício. A “Sagração da Primavera”, de Stravinski, encerrou a festa. 

 

 

 

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