ONG Repórteres sem Fronteiras acusa Maduro de aumentar censura à mídia

A RSF assinala que, desde o início das manifestações, no início de fevereiro, registaram-se mais de 70 incidentes com repórteres, com pelo menos 60 agressões físicas ou verbais e 13 detenções
 

reporterA organização não governamental (ONG) Repórteres sem Fronteiras (RSF) acusou hoje (26) o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de aproveitar os protestos no país para reforçar a censura nos meios de comunicação e de não proteger os jornalistas que seguem as manifestações.

 

 

Em uma carta aberta enviada ao presidente venezuelano, a organização disse que Maduro “optou pela censura perante a magnitude dos protestos”. Como exemplo, a RSF lembrou de uma medida adotada pela Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) no último dia 11 de fevereito, em que ameaçava com sanções quem cobrisse as situações de violência.

 

 

“No dia seguinte, o canal de notícias colombiano NTN24 sofreu uma censura direta. Mais tarde, a censura estendeu-se às redes sociais: foi bloqueado o acesso às fotografias colocadas no Twitter durante aproximadamente 48 horas”, acrescentou.

 

 

A carta também recorda que, na semana passada, Maduro anunciou o encerramento do canal norte-americano CNN e retirou as licenças de trabalho de quatro dos seus correspondentes.

 

 

“A expulsão e a censura das cadeias internacionais significam a morte do pluralismo audiovisual, uma vez que a maioria dos canais nacionais e locais se encontram sob controle do governo”, diz a RSF.

 

 

Em uma referência à imprensa escrita, que a RSF considera “o último sinal de independência”, a entidade diz que a mídia impresa “se vê forçada a reduzir o número de exemplares e, inclusive, suspender as tiragens devido à falta de papel”.

 

 

A RSF assinala que, desde o início das manifestações, no início de fevereiro, registaram-se mais de 70 incidentes com repórteres, com pelo menos 60 agressões físicas ou verbais e 13 detenções. A organização exorta Maduro a criar “uma comissão parlamentar” que investigue as ações contra os profissionais da informação desde o início de fevereiro “para que estas agressões não permaneçam impunes”.

 

 

A organização destaca ainda que no país “a informação circula sob uma forma perigosamente polarizada” e pediu o “diálogo” para melhorar a situação. “A guerra que desencadeou contra o que designa de ‘terrorismo mediático’, para proteger a população de uma suposta incitação à violência, é, em si mesma, um fator determinante desta polarização”, conclui a organização.

 

Agência Brasil

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