Colômbia fará intercâmbio sobre reintegração de ex-guerrilheiros

Um dos pontos de negociação entre as Farc e o governo é justamente a reintegração de ex-guerrilheiros
 

Representantes da Agência Colombiana para a Reintegração (ACR) viajam hoje (14) para a África e Ásia a fim de assessorar os governos do Congo, das Filipinas e da Coreia do Sul em seus respectivos programas de reintegração social. A delegação que irá ao Congo trabalhará durante um mês com uma Unidade Nacional de Desarme, Desmobilização e Reinserção, em temas de reintegração comunitária, reintegração econômica e corresponsabilidade.

 

 

No país africano, a equipe visitará regiões em situação de pós-conflito e fará um intercâmbio, repassando informações sobre o programa colombiano de reintegração e conhecendo o que está sendo feito no Congo.

 

 

De acordo com a ACR, o segundo grupo viajará para as Filipinas durante uma semana. Vai conhecer os avanços no país em matéria de reintegração e repassar recomendações para que o processo de reinserção social de ex-guerrilheiros tenha êxito. Depois, a equipe irá à Coreia do Sul para conhecer o modelo sul-coreano de reintegração.

 

 

O diretor-geral da ACR, Alejandro Éder, disse, em nota, que o formato sul-coreano é similar ao colombiano. “Há componentes multidisciplinares que incluem aspectos educacionais, culturais, sociais e psicológicos no processo desenvolvido lá, de maneira parecida ao trabalho que realizamos”, destacou.

 

 

De acordo com o último levantamento da agência, 31.050 colombianos foram atendidos em processos de reintegração. Os desmobilizados de guerrilhas e de grupos paramilitares que desertam são orientados por um tutor durante sete anos e recebem auxilio financeiro, custeio para cursos de ensino regular e profissionalizantes, bem como apoio psicológico e social.

 

 

A ACR também atua como intermediária entre empresas que aderem ao programa e os reintegrados, na busca por oportunidades de trabalho.

 

 

Há dois tipos de reintegração. A individual se aplica ao caso de guerrilheiros que abandonam grupos que ainda estão em atividade, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército da Libertação Nacional (ELN). A reintegração coletiva se dá no caso de desmobilizações em massa quando, mediante acordo, um grupo se desmobiliza. Foi o que ocorreu com as Autodefesas Colombianas (AUC), paramilitares desmobilizados em 2008.

 

 

Um dos pontos de negociação entre as Farc e o governo é justamente a reintegração de ex-guerrilheiros. No processo atual, o reintegrando deve prestar contas de suas atividades e, durante o programa, tem liberdade condicionada ao cumprimento das normas, assistência aos eventos e programações da ACR.

 

 

Enquanto o processo de paz não é concluído, o governo faz campanhas periódicas de incentivo à desmobilização individual. No ano passado, a Agência Brasil conheceu histórias de desmobilizados que fazem parte do programa colombiano e que agora incentivam ex-companheiros de guerrilha a deixar as armas.

 

Agência Brasil

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