“É preciso saber administrar a emoção”, conta repórter da Record que está em Santa Maria

A repórter da Record, Luiza Zanchetta não vai esquecer os gritos de sofrimento, os olhares e os gestos da dor sentida por pais que perderam seus entes queridos no acidente.
 

 

A tragédia na boate Kiss, em Santa Maria (RS), deixou marcas profundas em parentes e amigos dos mais de 230 mortos, em consequência do incêndio que atingiu a casa noturna. O fato choca pelo número de vidas interrompidas e pela idade média das vítimas, 20 anos. Equipes de reportagem de todo o Brasil foram mobilizadas para cobrir a fatalidade, mas não é fácil controlar as emoções ao gravar uma matéria ou fazer um link em um momento como este.

 

Repórter da Record, Luiza Zanchetta não vai esquecer os gritos de sofrimento, os olhares e os gestos da dor sentida por pais que perderam seus entes queridos no acidente. Ela guarda na memória a voz de uma mãe que gritava pela filha morta e a imagem do pai que segurava o documento de identidade da filha na mão. “Uma família estava ao redor de um caixão aberto, durante o velório. A maioria fazia a cerimônia com o caixão fechado”, conta sobre uma das cenas que mais a marcou.

 

A jornalista estava descansando em São Gabriel (RS), a cerca de 170 km de Santa Maria, quando ouviu a notícia do acidente pelo rádio. “Eu estava de folga e as rádios locais só falavam sobre isso. Avisei para a TV que estava perto e vim para cá sozinha. Encontrei com a equipe de reportagem aqui”, relata Luiza, que foi para o local da tragédia com apenas um “casaquinho da mãe”. Ainda na cidade onde houve o incêndio, a repórter não sabe quando voltará para casa.

 

Desde que chegou a Santa Maria, às 11h45 desse domingo, 27, Luiza tem feito reportagens gravadas para programas da Record Sul e da rede. Nesta terça, 29, porém, ela deve fazer entradas ao vivo ao longo da programação da emissora. A jornalista afirma que em um acidente com essas proporções é necessário saber controlar as emoções. “Na rotina do factual, a gente acaba ficando mais frio. Já em uma situação como essa é complicado abordar o familiar, até porque algumas pessoas passam mal. A gente se sente mal, não chega a chorar, mas é preciso saber administrar a emoção”. 

 

Para abordar a fonte, Luiza analisa a condição dos parentes e amigos da vítima. A profissional ressalta que os entrevistados têm consciência sobre a importância do papel dos veículos de comunicação para cobrar um posicionamento das autoridades e a punição dos responsáveis pela tragédia. “Vejo primeiro se a pessoa tem condição de falar. Eles entendem que a gente está trabalhando e que a TV tem papel até para cobrar as autoridades”.

 

 

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Luiza Zanchetta durante reportagem exibida pelo ‘Fala Brasil’ nesta segunda-feira, 28 (Imagem: Reprodução/R7)

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