Planos urbanísticos alternativos para a Copa incluem permanência de moradores em áreas onde já vivem no RJ

Moradores da Vila Autódromo contestam a remoção
 

O desejo de permanecer no local que habitam há mais de 40 anos também foi o que motivou os moradores da Vila Autódromo, na Barra da Tijuca, zona sul da capital, a elaborar proposta popular de urbanização. “[Nossa intenção é] mostrar que é possível manter a comunidade no local, fazer as obras que interessam à sociedade e melhorar a qualidade de vida daquelas pessoas”, justifica Marcelo Braga Edmundo, diretor da Central de Movimentos Populares (CMP), integrante do comitê carioca.

 

Edmundo critica a falta de clareza do governo municipal quanto à real finalidade do projeto. “Já foram dadas justificativas diferentes para a retirada dessa comunidade: questão ambiental, parque olímpico, alça de acesso, mas não se define ao certo. O que se percebe é que o principal, o que mais interessa, não importa a razão, é retirar a comunidade dali”, avalia. O projeto foi feito em parceria com o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

A prefeitura do Rio de Janeiro informou, por meio de nota da assessoria de imprensa, que a previsão é de que as famílias sejam transferidas da Vila Autódromo para um condomínio a cerca de um quilômetro das moradias atuais. O novo local contará com equipamentos públicos como creche e escola e área para implantação de atividades comerciais, segundo informações do governo municipal. O conjunto habitacional deve ficar pronto no primeiro semestre de 2014. No local, será instalado o Parque Olímpico, que será a principal instalação dos Jogos Olímpicos de 2016.

 

A nota da prefeitura destaca ainda que a comunidade está “localizada às margens da Lagoa de Jacarepaguá, em área de preservação ambiental cortada por três rios, onde não poderia haver qualquer tipo de construção. Atualmente, as famílias vivem em condições precárias, de forma irregular, sem infraestrutura adequada de serviços de água, esgoto, drenagem e pavimentação”. Apesar de questionado, o governo municipal não comentou a iniciativa dos moradores de construir um projeto urbanístico popular para a área.

 

Agência Brasil

 

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