3,6 mil agentes de saúde atuam em áreas sujeitas a desastres climáticos no RJ

Na cidade do Rio de Janeiro a estratégia adotada não é caracterizada pelo protagonismo das organizações comunitárias, mas pela atuação dos Agentes Comunitários de Saúde
 

Os moradores de 66 áreas de alto risco do Rio de Janeiro, principalmente das regiões de deslizamentos de encostas ocasionados por fortes chuvas, contam atualmente com o Sistema de Alerta e Alarme Comunitário para Chuvas Fortes (Sistema A2C2), principal medida de prevenção em situações de eventos climáticos extremos. A cidade possui 569 Núcleos Comunitários de Defesa Civil (Nudec), considerando-se como Núcleo a organização dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) presentes nestes locais.

 

Estas informações estão em pesquisa realizada pelo COEP Nacional junto às defesas civis de 11 estados e suas respectivas capitais, que integram a lista dos locais com maior incidência de desastres climáticos no país. Segundo o documento Políticas Públicas e Iniciativas da Sociedade Civil de Prevenção e Resposta a Situações de Desastres Climáticos, mesmo os Nudec não sendo mencionados na nova Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração Nacional, metade dos municípios consultados mantém a estratégia de organizar a sociedade civil de áreas sujeitas a desastres naturais por meio desses núcleos.

 

Na cidade do Rio de Janeiro a estratégia adotada não é caracterizada pelo protagonismo das organizações comunitárias, mas pela atuação dos Agentes Comunitários de Saúde. Equipados com lanternas, capas de chuvas e telefones celulares, “os membros dos Nudec trabalham na organização das comunidades que possuem Sistema de Alarme por Sirenes instala do, desocupando áreas de risco e direcionando moradores para abrigos temporários, diante da possibilidade de ocorrência de desastres”, diz o documento.

 

Os ACS recebem capacitação da Defesa Civil e da Cruz Vermelha Brasileira e são selecionados por serem moradores ou por trabalharem nas comunidades e, portanto, por conhecerem as vulnerabilidades ambientais e sociais de cada local. O trabalho é remunerado.

 

Saiba mais – A frequência e intensidade na ocorrência de eventos extremos (tempestades, secas, inundações), possivelmente associados às alterações climáticas, têm levado governos e organizações da sociedade civil em diversas regiões do mundo a reorganizarem seus sistemas de prevenção, adaptação e mitigação de seus efeitos. Ao lado da implantação de ações estruturantes, há a necessidade de investimentos em iniciativas de formaçã o e organização das comunidades inseridas em localidades de alto risco à ocorrência destes eventos.

 

A pesquisa Políticas Públicas e Iniciativas da Sociedade Civil de Prevenção e Resposta a Situações de Desastres Climáticos foi feita no último trimestre de 2012, pelo Laboratório Herbert de Souza: Tecnologia e Cidadania, em parceria com o Grupo de Trabalho Mudanças Climáticas, Pobreza e Desigualdades, do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e apoio da Fundação Banco do Brasil. Tem o objetivo de “contribuir para o desenvolvimento de ações e à formulação de estratégias de prevenção e resposta que ampliem o grau de envolvimento e participação das comunidades inseridas em localidades consideradas de risco à ocorrência de eventos climáticos extremos”.

 

Além do Rio de Janeiro, o COEP analisou os sistemas estaduais e das capitais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Amazonas e Pará. Em função da concentração populacional nos grandes centros urbanos, as inundações, enxurradas, deslizamentos de terra e rocha, mais comuns nestes ambientes, são os que fazem mais vítimas.

 

Segundo o documento, mesmo os estados que possuem planos de prevenção, “apresentam, na maioria dos casos, estruturas de gestão e de equipe bastante enxutas e insuficientes para coordenar as ações previstas na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (…). Em geral, apresentam estratégias para a atuação dos sistemas de defesa civil em casos de emergências, não compreendendo o planejamento de ações estrutur antes, a longo e médio prazo”, alerta.

 

Assessoria

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