Atleta apoiada pelo Estado faz história no esporte brasileiro

No Dia Internacional da Mulher, Jaqueline Ferreira mostra que, de frágil, o sexo feminino não tem nada
 

A garrafa de água é rosa. As unhas estão pintadas de rosa. O acessório usado para enfeitar o cabelo em forma de flor também é da cor rosa. Ela poderia ter sido uma líbero do vôlei. Ou atacante do handebol. Mas Jaqueline Ferreira é levantadora de peso. Já são mais de dez anos dedicados ao esporte. Aos 13 anos, Jaqueline se dividia entre o heptatlo e o lançamento de dardo, modalidades do atletismo. Mas foi aos 16 anos que o coração começou a bater mais forte por outro objeto, as barras.

– Sempre fui apaixonada por esporte. Desde pequena, ou eu jogava bola com os meninos, ou corria de um lado para outro. Conheci o levantamento de peso através de uma amiga que treinava no mesmo lugar que eu praticava atletismo. Fiz uma vez e adorei – afirmou a pesista.

Os pais da jovem estranharam no início. Afinal, levantar peso requer músculos fortes e definidos. E para isso, o corpo de Jaqueline teve que passar por uma transformação. A então adolescente magra, hoje é dona de braços e pernas dignos de respeito.

– O começo não foi fácil. Meus pais não aceitaram muito bem. As pessoas acham que levantamento de peso é coisa de homem e que o corpo vai ficar deformado. As pessoas dizem que eu assusto por causa do tamanho. Acho até que os homens têm medo de mim. Mas determinadas coisas são ossos do ofício. Foi a profissão que escolhi. E estou feliz – disse Jaqueline.

 

Aos 26 anos, a carioca já entrou para a história do esporte. Na última edição dos Jogos Olímpicos em Londres (2012), Jaqueline conquistou o melhor resultado do Brasil na competição, ao ficar em oitavo lugar na classificação geral com a marca de 230 quilos (somados o arranco de 102 kg com o arremesso de 128 kg) na categoria até 75 quilos. A atleta superou o nono lugar de Maria Elizabete Jorge, na categoria até 48 kg, nos Jogos de Sidney, em 2000.

O resultado em Londres teve sabor especial. Em 2011, Jaqueline sofreu uma grave lesão no pulso e ficou três meses afastada dos treinos. A vaga para os Jogos de Londres veio em maio, dois meses antes dos Jogos Olímpicos, no pré-olímpico da Guatemala. A classificação carimbou de vez o passaporte dela rumo à Inglaterra.

 

Com a marca de 106 de arranque e 128 de arremesso, melhor índice da carreira, Jaqueline não esconde a ansiedade para competir em casa, em 2016. A expectativa para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro é grande.

– Vai ser maravilhoso competir em solo brasileiro e carioca. 2016 já está logo aí. Já resta pouco tempo para treinar. O objetivo é me superar cada vez mais – disse a atleta.

A rotina é pesada, literalmente. São três horas de treino, levantando pesos que variam entre 70 até 120 quilos, durante a manhã e na parte da tarde. O esforço físico é tão grande quanto a vaidade também. As unhas não podem ser compridas para não causar acidentes e a maquiagem muitas vezes é borrada pelo suor. Mas ganha alguns retoques entre um peso e outro.

 

Jaqueline é uma das atletas do Rio de Janeiro que recebe o auxílio do bolsa-atleta. Com o benefício mensal do Governo do Estado, a jovem consegue complementar a renda.

 

– O bolsa-atleta foi muito bem-vindo. Com o dinheiro, é possível comprar os suplementos alimentares, além ajudar a pagar a inscrição em competições, que normalmente são caras – explicou a atleta.

 

Agência Brasil

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