Hospital da Criança começa a agendar transplantes de fígado

Primeira cirurgia está marcada para a próxima quarta-feira (3/4)
 

Natan Tonaso, portador de atresia das vias biliares, será o primeiro operado no novo serviço de transplante pediátrico que o Governo do Estado abriu no Hospital Estadual da Criança, em Vila Valqueire. A cirurgia já está agendada para a próxima quarta-feira (3/4). O menino é uma das quatro crianças que fizeram na quarta-feira (27/3) as primeiras consultas para cirurgias de transplante pediátrico de fígado na unidade estadual. Todas elas saíram de lá com o transplante agendado.

 

Ubiratan e Silvana Tonaso, pais de Natan, são moradores de Volta Redonda e se dispuseram a doar o fígado para o filho, mas o órgão do pai se mostrou mais compatível.

 

– Estou apreensivo com a minha cirurgia, mas ao mesmo tempo estou muito feliz por poder fazer isso por ele. Tive até que entrar na dieta para perder peso e poder operar, mas nada disso importa. Emagreci 11 quilos, estou apto e o que mais quero é ver meu filho saudável – afirmou Ubiratan.

 

A mãe ficou muito satisfeita por ter a cirurgia do filho já agendada e se surpreendeu com a estrutura da unidade.

 

– Que diferença! Esse hospital é lindo! Estamos cheios de esperança de vê-lo definitivamente curado – disse Silvana.

 

Inaugurado no dia 4 de março, o Hospital Estadual da Criança é a primeira unidade do Rio de Janeiro voltada para atendimento pediátrico. Na última sexta-feira (22/3), o hospital recebeu autorização especial da Secretaria de Saúde para começar a realizar transplantes pediátricos de rim e fígado, até que saia o credenciamento definitivo do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

 

As equipes do SNT já vistoriaram o hospital e o consideraram apto a realizar os procedimentos, faltando apenas a publicação do credenciamento no Diário Oficial da União por parte do Ministério da Saúde. Todos os médicos que atuam na unidade já são habilitados pelo SNT para a realização desses procedimentos.

 

– Finalmente a população do Rio de Janeiro ganhou uma unidade com estrutura adequada para que as equipes realizem da melhor forma possível as cirurgias de transplante. A expectativa é de que até o fim do ano sejam realizados 20 transplantes de fígado e 20 transplantes de rim, e o Hospital Estadual da Criança tem capacidade para suprir essa demanda e fazer ainda mais – explicou o doutor Lúcio Pacheco, coordenador do serviço de transplante de fígado do Hospital da Criança e vice-presidente da Associação Brasileira de Transplantadores de Órgãos (ABTO).

 

Compatibilidade além da maternidade

 

Participante do projeto Família Acolhedora, o casal Rosileia Ornelas e Adilson dos Santos acolheu um bebê há seis meses. Hoje com 1 ano e quatro meses, o menino aguarda por uma decisão judicial para, finalmente, receber o fígado de Rosileia que, apesar de não ser sua mãe biológica, teve compatibilidade com a criança.

 

– Desde que o pegamos pra cuidar sabíamos que ele tinha cirrose, mas não que o caso era grave. Quando descobri que havia a necessidade de transplante de fígado, me propus imediatamente a fazer os exames e ver se éramos compatíveis e, felizmente, somos. Desde que está conosco ele já internou várias vezes, teve pneumonia e hemorragia, mas sei que ele é muito forte. Vamos superar isso juntos – afirmou Rosileia, que já tem dois filhos adultos. A cirurgia também já está agendada, mas aguarda a decisão da Justiça.

 

Rim

 

Os pacientes e famílias que são candidatos a transplante de rim intervivo estão sendo selecionadas a partir do grupo que já é atendido no Hospital Federal de Bonsucesso para que, na próxima semana, sejam feitas as primeiras consultas. A coordenadora do serviço de transplante de rim é a médica Deise de Boni. Hoje há três crianças ativas inscritas na fila por um rim de doador falecido e o Hospital Estadual da Criança já está com equipe montada para realizar essa cirurgia assim que surgir um órgão compatível para um desses três pacientes.

 

Centro Estadual de Transplantes

 

Para incrementar o serviço e ajudar a resolver o problema da fila de transplantes no estado, a Secretaria de Estado de Saúde também inaugurou em 2013 o Centro Estadual de Transplantes. Funcionando no Hospital São Francisco de Assis, na Tijuca, a unidade é a primeira do Estado voltada para transplantes de rim e fígado (futuramente também pâncreas) e conta com centro cirúrgico com cinco salas e aparelhos de ponta para realizar cirurgias de alta complexidade; nove leitos de UTI e ambulatório. O hospital atende pacientes adultos vindos de todo o Rio de Janeiro e a previsão é que sejam feitos 200 transplantes de rim e 100 transplantes de fígado no primeiro ano de funcionamento.

 

PET

 

Responsável por regular o sistema de transplantes no estado, o Programa Estadual de Transplantes (PET) atua na captação de órgãos, distribuição aos hospitais transplantadores respeitando a fila, aprimoramento da gestão técnica, subsídio às unidades de saúde e capacitação de profissionais. Ocupando a lanterna no país na área de doação de órgãos até 2010, o Rio de Janeiro registrou nos últimos dois anos o maior avanço nacional, pulando para a atual 3º posição no ranking. Em 2012, foram 221 doações de órgãos, quase o dobro do ano anterior. Em 2013 já foram 32 captações e 100 transplantes. A meta para este ano é superar 250 captações no total.

 

– A negativa familiar é o principal empecilho na doação. Por isso, é bom que a população saiba que o processo é confiável e transparente – explicou o coordenador do PET, Rodrigo Sarlo.

 

Para comunicações e dúvidas sobre transplante, ligue 155.

 

Para informações, normas e estatísticas, visite www.transplante.rj.gov.br

 

Governo do Rio

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