Livro conta a história do Morro da Urca

A publicação de Nelson Motta lembra a importância do local para os artistas da geração 1980 do rock brasileiro
 

 

Será lançado nesta segunda, dia 18, o livro “Morro da Urca: Estação da música” (Editora Lacre),  às 17h, no próprio cartão-postal. A publicação é dos jornalistas Antônio Carlos Miguel e Monique Sochaczewski. No livro, que celebra os 100 anos do bondinho, Miguel escreve sobre a importância cultural do espaço, sobretudo para a música, enquanto Monique conta a história do morro e da construção do bondinho. Ele lembra também o papel fundamental do lugar para o RPM. Em maio de 1985, numa noite esvaziada pela chuva, Ney Matogrosso era uma das cem pessoas (16 pagantes) que viram o show da banda. Adorou e recomendou Paulo Ricardo e seus colegas ao empresário Manoel Poladian. “Essas histórias serão aprofundadas num documentário (com estreia prevista para o segundo semestre deste ano) que a Conspiração produz, com direção de Mini Kerti” — conta Miguel.

 

 

O jornalista foi testemunha de toda a trajetória musical do Morro da Urca, iniciada em 1977. Foi quando a Concha Verde — anfiteatro cercado por árvores, inaugurado em 1972 — começou a ser usada para shows. A série “Quem sabe, sobe”, idealizada pelo compositor David Tygel, estreou com Hermeto Pascoal, num fim de semana que teve ainda Egberto Gismonti e A Barca do Sol. Joyce cantou na semana seguinte. No fim de um ano, foram 64 apresentações, que reuniram 50 mil pagantes. Aquela experiência preparou o espaço para seu período áureo. Foi assistindo a shows de seus artistas ali (Gal, Caetano, Ney), que o empresário Guilherme Araújo percebeu que o local serviria a um baile carnavalesco. O primeiro deles teve a presença de Elton John, Rod Stewart e Peter Frampton.

 

Mas o Morro marcaria seu lugar na história da música brasileira a partir de 1978, com a inauguração do novo Dancin’ Days (a casa, originalmente, funcionou em 1976 no Shopping da Gávea) e, em 1980, do projeto Noites Cariocas (reeditado nos anos 2000). Ambas foram iniciativas de Nelson Motta, que assina o prefácio do livro.

 

A discoteca subiu o morro e marcou época com atrações como Frenéticas e DJ Dom Pepe. O livro lista curiosidades desse período, como o surgimento do trio Mistura Fina, que tinha o futuro popstar Lulu Santos na banda de apoio. O lugar manteve a vocação de receber grandes nomes estrangeiros, como Bob Marley, estrela da inauguração da gravadora Ariola, em 1980.
Outros personagens fundamentais para a história aparecem no livro:   Júlio Barroso (Gang 90 & As Absurdettes) foi um ideólogo informal de Nelson nesse período, citando também Cristóvão Leite de Castro, presidente até 1999 da Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, que administra o bondinho. “Ele teve a visão de trazer atividades noturnas para o espaço e foi quem deu carta branca para Nelson Motta  fazer o que fez.

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