Moradores da Rocinha encenam a Via Sacra

Realizado pela 21ª vez, espetáculo percorreu 2,7 quilômetros da comunidade pacificada
 

Pela vigésima primeira vez, a história da paixão e morte de Jesus Cristo tomou as ruas da Rocinha na Sexta-feira Santa (29/3). O trajeto da Via Sacra foi do Largo do Boiadeiro até a Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. Uma equipe de 40 atores apresentou 22 cenas do batismo de Jesus até a sua ressurreição. O espetáculo é realizado pela Companhia Teatral Roça Caçacultura, com apoio da Secretaria de Cultura.

 

A Via Sacra da Rocinha mistura religião e realidade em uma caminhada de 2,7 quilômetros pela comunidade. O espetáculo foi escrito por José Maria Rodrigues e dirigido por Aurélio Mesquita. Durante três meses, moradores, estudantes e os artistas da Cia Roça CaçaCultura se preparam para a encenação. Este ano, a Via Sacra teve como tema a Guerra de Canudos e traçou um paralelo entre a chegada da República ao Brasil e o novo momento vivido pelas comunidades pacificadas.

 

Organizador do evento, Aurélio Mesquita, diz que todos os anos a companhia traz um pouco da realidade carioca para dentro da história de Jesus Cristo.

 

– Nada melhor do que a história de Jesus para abordar as necessidades da favela. Se Jesus nascesse hoje, com certeza, nasceria onde está a população pobre, que é a história que a gente conhece – disse Mesquita.

 

No papel principal da peça pelo segundo ano consecutivo, André Martins, 26 anos, é nascido e criado na Rocinha. Apesar de não ter registro de ator, ele investe na carreira através da companhia da comunidade desde os 9 anos.

 

– Participo da Via Sacra desde 2002. Como ator, me sinto grato por fazer este personagem, é uma emoção grande. Sou um sortudo, porque a energia que este dia tem me ajuda muito a representar Jesus – explicou o ator.

 

Moradora da Rocinha há 60 anos, Terezinha Nascimento das Flores, 78, não perde o espetáculo e sempre faz questão de acompanhar o percurso.

 

– Sou católica, frequento a igreja, e festejar esta data tão especial aqui é uma honra. Este ano não vou acompanhar tudo por conta do cansaço da idade, mas vim prestigiar – afirmou a moradora.

 

Ao lado da avó e de uma amiga, Anna Luisa da Silva, de 8 anos, viu encenada um pouco do que aprende na igreja.

 

– Faço catequese e já estou aprendendo sobre a história de Jesus. Moro no Vidigal e como estou na casa da minha avó aqui vim ver – explicou a menina.

 

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