Estado finaliza Plano de Desenvolvimento de Memória das Favelas

Dez comunidades pacificadas terão histórias preservadas através de ações culturais, como a criação de museus
 

A Subsecretaria de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos e Territórios, vinculada à Secretaria de Assistência Social, finaliza até o fim deste mês o Plano de Desenvolvimento de Memória das Favelas Cariocas. A proposta de política pública será transformada em uma resolução interna para que, em seguida, sejam estabelecidas parcerias com o poder público e privado para atender às dez comunidades envolvidas no planejamento. Todas as favelas contempladas pelo plano apresentaram forte demanda relacionada à preservação de suas identidades e histórias. Serão beneficiadas as comunidades do Andaraí, Batan, Chapéu Mangueira/Babilônia, Complexo de São Carlos, Morro da Formiga, Santa Marta, Turano, Ladeira dos Tabajaras/ Cabritos, Vidigal/Chácara do Céu e Rocinha.

 

– Percebemos através do mapeamento feito pelas nossas dez equipes de agentes sociais que o tema Memória aparece como o terceiro grande item da demanda comunitária. Na Rocinha, por exemplo, as lideranças e moradores desejam criar um museu. Então, cada comunidade buscou tratar o assunto de uma forma diferente e de acordo com a sua identidade – explicou o superintendente de Territórios e coordenador do programa Territórios da Paz, responsável pela iniciativa, Daniel Misse.

 

Iniciado no ano passado, o mapeamento recorreu a reuniões e encontros com residentes para estruturar o plano. Entre as localidades contempladas está a do Complexo do Turano, que já realizou três mostras culturais, que incluem exposições de fotografias e apresentações musicais, nas áreas da Liberdade, Pedacinho do Céu e Raia. O grupo de moradores intitulado Memórias do Turano, que idealizou as ações, pretende realizar mais quatro eventos ao longo deste ano. Eles planejam criar também um museu e produzir um documentário sobre a história do conjunto de comunidades.

 

– No caso do Turano, percebemos que os moradores queriam contar uma outra história da favela, queriam mostrar o que nem sempre foi apresentado no passado pela mídia. Criamos uma metodologia que contou com um protagonismo comunitário – disse o gestor social do Complexo do Turano, Marco Antonio Teixeira.

 

Morador do Turano, Wilson César Moraes é uma das lideranças que junto com os amigos compositores João Procópio, 70, e Luíz Monteiro, 64, se preocupa em preservar as antigas histórias do morro onde nasceu e vive há 44 anos. Foi com o apoio dos agentes sociais do Governo do Estado que o grupo começou a garimpar entre os mais antigos moradores da área fotos e matérias de jornais que remontam ao crescimento da favela e à sua população.

 

– Encontramos muitas fotografias através da Igreja dos Capuchinos e moradores que ficaram emocionados em ver seus entes queridos na exposição. Na mostra cultural temos um momento chamado Roda de Conversa, onde quem vive ou já viveu no complexo dá seu depoimento sobre a nossa história – afirmou Wilson.

 

Governo do Rio

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