Hospital Estadual da Criança, no Rio, já realizou mais de 130 cirurgias em dois meses

Serviços de transplantes e oncologia já estão funcionando plenamente e unidade bate meta de atendimento
 

Inaugurado em março com a proposta de ser um polo de atendimento ao paciente pediátrico nas áreas de cirurgia ortopédica e geral, oncologia e transplante, o Hospital Estadual da Criança, em Vila Valqueire, zona oeste do Rio, vai fechar o segundo mês de funcionamento comemorando duas grandes vitórias: a realização dos primeiros transplantes de fígado e rim e das primeiras cirurgias oncológicas da unidade, ambos com sucesso.

 

Além das cirurgias oncológica e de transplante, foram realizadas nestes dois primeiros meses 130 cirurgias – 70 ortopédicas, 51 gerais e uma biópsia – e 297 consultas ambulatoriais. Tudo isso em um ambiente que prioriza o conceito de humanização, decorado de forma lúdica para promover o bem-estar dos pequenos pacientes.

 

Com o diagnóstico de um tumor abdominal, Gabriel, de três anos, foi encaminhado às pressas para a unidade. Operado no início de abril, o menino, que deve passar por nova cirurgia e quimioterapia, foi o primeiro paciente oncológico operado. Já recebeu alta e retornou para a primeira consulta de rotina no pós-operatório.

 

 

 

“Estava tudo normal com ele quando percebemos há menos de um mês um caroço na barriguinha. Passamos por alguns hospitais até nos encaminharem pra cá. Fiquei muito preocupada quando falaram que meu filho estava com câncer, mas eu acredito muito na cura dele. Deu tudo certo na cirurgia e agora ele vai ter que fazer quimioterapia aqui mesmo. Ele é muito forte, até mais que eu. Está aguentando esse problema muito bem. Quero que tudo isso passe logo, que meu filho fique saudável”, conta Elizete da Silva, mãe de Gabriel.

 

Na última semana, dois grandes motivos para seguir celebrando: o primeiro transplante de rim da unidade e a alta do primeiro transplantado de fígado. No dia 24 de abril, o menino Abraham Lincoln de Oliveira, de 11 anos, recebeu o órgão de um doador falecido de cinco anos e passa bem. Portador de glomerulonefrite, Abraham fazia diálise há dois anos e aguardava na fila por um doador compatível. Ao todo, já foram realizados três transplantes na unidade.

 

 

“O mais importante é que hoje o Rio de Janeiro tem uma unidade apta para realizar esse tipo de transplante e não é mais necessária a transferência desses pacientes para outros estados. Não existe a possibilidade dos órgãos serem desperdiçados”, explicou o responsável pelo procedimento, o cirurgião José Maria Figueiró, renomado especialista internacional de transplante de rim e pâncreas que agora integra as equipes do Hospital Estadual da Criança e do Centro Estadual de Transplantes.

 

Três dias depois, o pequeno Natan, de um ano e dois meses, primeiro paciente transplantado do Hospital Estadual da Criança, em Vila Valqueire, recebeu alta. Em uma cirurgia realizada no dia 3/04, o pai do paciente, Ubiratan Tonaso,doou parte de seu fígado para o menino. De acordo com a equipe médica, a recuperação está evoluindo bem.

 

“Agradeço a Deus por ter colocado este hospital na minha vida. A equipe médica nos tratou muito bem. E hoje vou embora com a certeza que meu filho será uma criança normal”, afirmou Silvana Tonaso, mãe de Natan.

 

Mas o menino continuará recebendo acompanhamento médico da equipe do Hospital da Criança nos próximos meses.

 

“O primeiro mês é o período mais delicado, em que podem ocorrer complicações infecciosas. Por isso é importante monitorar a reabilitação. Se tudo der certo, a partir do sexto mês a criança terá uma vida praticamente normal”, explicou o gastropediatra especialista em transplante de fígado, Giuseppe Santalucia.

 

“Estamos funcionando a pleno vapor. A nossa meta para o primeiro mês era realizar 35 cirurgias; mas já fizemos 42. No segundo mês, mesmo antes de encerrar o período de 30 dias, já superamos a meta em 28%. Temos o cirurgião infantil Francisco Nicanor comandando essa equipe superespecializada”, informou a diretora Heloísa Aranha. 

0 comentários