Patrulhamento turístico registra aumento na participação de mulheres

Em um ano, presença feminina no batalhão especializado cresceu mais de 200%
 

Elas emprestam charme, delicadeza e competência ao Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur), em Copacabana. Cabelos presos em coques, unhas feitas, brincos e batons nos lábios, as 30 policiais da unidade têm a mesma formação dos colegas homens, mas com um diferencial: um jeito suave e atencioso, tipicamente feminino, que, aliado à eficiência de suas ações, tem rendido cada vez mais elogios dos turistas atendidos por elas, especialmente os idosos e as mulheres. Não por acaso, a quantidade de policiais femininas no batalhão passou de 9, em janeiro de 2012, às 30, atuais, um aumento de 233%.

 

Bilíngues e, em grande parte, com formação universitária, as moças que garantem a segurança dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro representam hoje 15% do total de 210 policiais no BPTur e estão presentes em todas as funções, sejam administrativas ou operacionais: do patrulhamento sobre bicicletas ao policiamento ostensivo em aeroportos. Elas dirigem viaturas, efetuam prisões, têm capacitação em manejo de teiser (arma menos letal que aplica choques), tiros, abordagem e condução de criminosos. A estratégia do comandante do BPTur, tenente-coronel Joseli Cândido, é mantê-las sempre em dupla com um policial homem, o que garante, segundo ele, um atendimento mais plural aos turistas.

 

– Nosso objetivo é ter 25% do efetivo composto por mulheres, o que hoje significaria de 50 a 55 policiais. Elas não representam somente a figura do policial militar, mas a figura feminina, que passa credibilidade e suavidade. Nossas policiais demonstram muito interesse em conhecer melhor a profissão e fazer todos os cursos de especialização que oferecemos. Além disso, são extremamente organizadas e têm excelente desenvoltura – explicou o comandante.

 

Um bom exemplo de dedicação é a soldado Danielle Teixeira, de 24 anos, há 11 meses na unidade. Formada em Letras (Português-Inglês) e com experiência de trabalho nas UPPs da Rocinha e do Complexo do Alemão, ela faz ciclopatrulhamento da orla de Copacabana. Fluente em inglês, Danielle diz que uma de suas paixões é poder exercitar seus conhecimentos do idioma no dia a dia, quando tira muitas dúvidas e passa informações a turistas, muitos deles estrangeiros.

 

– Por ser policial feminina, muitas pessoas se sentem mais à vontade para nos procurar e nos contar situações pelas quais passaram. Somos uma polícia de proximidade, então é bom que seja assim – disse.

 

Ação bem-sucedida em Copacabana

 

Uma de suas colegas, a soldado Gabriela Cardoso, de 25 anos, recentemente protagonizou uma cena digna de filme de ação, ao correr atrás de um bandido de carro, numa movimentada rua de Copacabana. Com seu parceiro de trabalho no carona, Gabriela dirigiu o veículo e ela mesma efetuou a prisão. O esforço para recuperar o celular de um casal de paulistanos que haviam sido roubados no calçadão da Praia lhe rendeu muitos agradecimentos da esposa e um e-mail de elogio à sua chefia.

 

– Acho que as pessoas gostam do fato de quebrarmos a imagem do homem bruto. A turista me disse que nunca tinha visto uma polícia tão proativa e afirmou que adorou o fato de eu ser mulher. Nós somos, por natureza, mais sensíveis, mas somos tão capazes quanto qualquer homem – contou Gabriela.

 

Para a soldado Ana Lúcia Felix, de 32 anos, muitas crianças ficam mais calmas quando são acudidas por uma policial mulher, por associarem-na à figura materna.

 

– Socorri uma menina americana de uns 6 anos, que havia sido atropelada por uma bicicleta, depois de se perder dos pais. Quando comecei a conversar, ela logo se acalmou e me deu a mão. Pela minha experiência, as mulheres e as crianças pequenas se sentem bem mais à vontade com policiais femininas – disse Ana Lucia, que é formada em Administração de Empresas e já morou na Inglaterra.

 

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