Jornada LGBT capacitará 6 mil policiais civis e militares

Secretarias de Segurança e Assistência Social se unem contra a homofobia
 

Considerado um dos destinos mais “gay friendly”- ou amigo dos gays – do Brasil, o Rio de Janeiro investe cada vez mais na garantia e promoção da cidadania LGBT. A Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, por meio da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, e a Secretaria de Segurança promoveram nesta terça-feira (4/6) o início da Jornada Formativa de Segurança Pública e Cidadania LGBT. O projeto prevê a formação de profissionais de Segurança Pública para o enfrentamento da homofobia e promoção dos direitos e cidadania do público LGBT.

 

Ao longo de 18 meses, serão realizados 40 encontros regionais nos quais mais de 6 mil policiais civis e militares receberão orientações do programa Rio Sem Homofobia. Os encontros vão ocorrer em todas as regiões fluminenses e devem reunir por dia cerca de 200 policiais. Os profissionais serão qualificados para uma abordagem policial que privilegie o respeito à diversidade e os direitos humanos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. O Estado, que já possui centros de referência na capital, Nova Friburgo, Niterói e Duque de Caxias, prevê a criação de mais 14 unidades até 2014.

A soldado Aline Lopes, formada durante o projeto piloto realizado na 23º BPM do Leblon, em abril deste ano, ressaltou a importância da constante atualização.

– A atualização e reciclagem do policial militar são fundamentais. Durante a formação, nós fazemos um curso de mediação comunitária para receber melhor esse público, e dessa vez, as informações foram atualizadas e detalhadas. O público LGBT é tão contribuinte quanto qualquer outro cidadão e precisa ser respeitado – afirmou a soldado.

 

O bairro de Copacabana, que sedia o maior evento LGBT da cidade, a Parada Gay, foi o primeiro batalhão a receber o projeto, motivado por uma ocorrência envolvendo um travesti.

– Nossos policias precisavam ter essa capacitação. Isso tudo foi motivado por uma ocorrência com um travesti em Copacabana. Na ocasião, percebemos um atendimento não muito adequado. Então tivemos a ideia desse primeiro curso na região – explicou o tenente-coronel Claudio Costa, do 19º Batalhão de Polícia Militar de Copacabana.

Além dos 6 mil policiais que serão qualificados, a jornada prevê a capacitação de mais 1,2 mil profissionais. O projeto, bem-sucedido nos batalhões da Zona Sul, será estendido à Baixada Fluminense, inicialmente nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados, região com alto índice de ocorrências.

– A jornada inicial formou 5 mil agentes. Nesta nova etapa, vamos atingir a seis mil, com a possibilidade de mais 1,2 mil, que estão em formação na Academia de Policia Civil. Nada melhor que passar por esse processo formativo para garantir a compreensão da diversidade sexual, além de estarmos preparados para receber os muitos turistas que virão com os grandes eventos previstos – disse o secretário de Assistência Social, Zaqueu Teixeira.

 

Reconhecimento internacional

A parceria entre as secretarias também foi destacada no relatório de Boas Práticas em Políticas Públicas de Direitos Humanos para LGBT, organizado pela União Europeia. Em abril, o Governo do Rio ganhou da União Europeia o Certificado de Boas Práticas em Políticas Públicas de Direitos Humanos para LGBT, como uma das cinco experiências exitosas de políticas públicas para gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais do Brasil. A honraria foi oferecida por conta da atuação no programa Rio Sem Homofobia.

 

Governo do Rio

0 comentários

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.