Chacina da Candelária completa 20 anos

Os motivos do ato violento nunca foram esclarecidos
 

Foto: Divulgação

 

Há 20 anos oito crianças e adolescentes pobres morreram nas escadarias da Igreja da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro, no madrugada de 23 de julho de 2003. O crime, que foi praticado por um grupo de policiais militares, transformou-se em uma mancha de sangue que nunca vai se apagar da história da cidade, das estatísticas da violência policial contra crianças negras e pobres e, sobretudo, da memória dos familiares das vítimas e de sobreviventes.

 

 

Um dos sobreviventes, Wagner dos Santos, que atualmente tem 40 anos  conta que foi levado de carro pelos PMs e só sobreviveu porque se fingiu de morto. No ano seguinte, em 2004, ele foi alvo de uma nova tentativa de homicídio, quando levou mais quatro tiros.

 

Desde que sofreu o segundo ataque, cujos autores nunca foram descobertos, Wagner dos Santos mora na Suíça. Ele sofre de perdas parciais da audição, da visão e dos movimentos do rosto, além de ter contraído um envenenamento por chumbo decorrente dos fragmentos de bala que ficaram alojados no rosto e no corpo. A partir de 2009, começou a receber uma pensão vitalícia de dois salários-mínimos por mês, um direito concedido pela lei estadual 3421. 

 

Foto: Reprodução

Desde que policiais abriram fogo contra cerca de 50 moradores em situação de rua que dormiam na Candelária naquela noite, três PMs foram condenadas à prisão, cumpriram a pena e já estão soltos. Os motivos do ato violento nunca foram esclarecidos. Um quarto policial acusado pelas mortes morreu em 1994 durante uma troca de tiros. No dia 10 de julho, Marcus Vinícius Borges Emmanuel, um desses policiais que já estavam em liberdade, teve um novo mandado de prisão expedido pela Justiça e é considerado foragido.

 

 

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