JMJ: superlotação de Copacabana agrada a comerciantes, mas incomoda moradores

O ambulante credenciado para vender mercadorias no encontro Itamar Sousa Pereira diz que a multidão não é sinônimo de boas vendas
 

A superlotação de Copacabana, zona sul do Rio, causada pelos eventos da Jornada Mundial da Juventude tem agradado aos donos de bares, restaurantes e supermercados nas proximidades do local do evento, mas causado descontentamento de moradores.

 

 

As mudanças no trânsito – que ocorrem de domingo (25) até amanhã (27) – prejudicaram o empresário João Cruz que não tem garagem para guardar o carro e não pode estacioná-lo na rua onde mora, em Copacabana. “É um absurdo. Se fosse por um dia, ainda vai, mas uma semana sem poder estacionar o carro perto de casa é demais. Fora o trânsito horrível e a dificuldade de entrar e sair do bairro.”

 

 

A moradora e dona de um estabelecimento no final do Leme, bairro vizinho de Copacabana, Flávia Torga se disse frustrada. Como o estabelecimento fica longe do local do show, ela não teve aumento de vendas e ainda não tem onde estacionar o carro. “Comprei um estoque imenso, porque falaram que vinha um milhão pessoas, mas para cá não chegou ninguém, inclusive ontem fechei mais cedo. E estou tendo que deixar o carro em Botafogo e vir para cá de táxi”, contou.

 

 

Já a gerente de uma pizzaria no bairro do Leme, próximo ao palco principal, Márcio Vinícios, disse que o movimento está além das expectativas. “Está muito bom mesmo. Um aumento de quase 50%”, comemorou.

 

 

As filas enormes em praticamente todos bares e restaurantes do local evidenciam o sucesso de público. Alguns estabelecimentos fizeram reajustes de preços em alguns produtos para faturar mais nesta semana. Uma filial de uma rede de lanchonetes nacional subiu os preços dos sanduíches e alguns restaurantes criaram um cardápio especial para os peregrinos. Os altos preços são motivo de reclamações de turistas e moradores.

 

 

“São filas imensas na porta, aumento de preço, que não é grande, mas existe. Os moradores acabam não pagando” informou o engenheiro civil Sailton Moreira de Araújo, morador de Copacabana, que alegou que faltarão produtos alimentícios nos estabelecimentos comerciais com a transferência de mais dois eventos da JMJ no fim de semana.

 

 

O ambulante credenciado para vender mercadorias no encontro Itamar Sousa Pereira diz que a multidão não é sinônimo de boas vendas. “É uma galera jovem que consome muito pouco. Não é como aqueles que consomem mais, que bebem cerveja.”

 

 

Jaime Endebo, morador do Leme, também reclamou do ônus de morar perto da orla. “Toda vez que têm esses eventos no Rio, eles aumentam os preços, além do incômodo de ficar em fila, dificuldade de se locomover e o barulho, porque ontem o evento acabou depois das 23h e não consegui dormir”, queixou-se. “Não entendo por que tudo tem que ser concentrado aqui, com tanta orla nesta cidade”.

 

Agência Brasil

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