Jovens internos do Degase contam como foi encontro com Papa

Meninos e meninas receberam autógrafos, conselhos, terços e medalha com imagem do Santo Padre
 

encontro PapaEnquanto milhares de pessoas se espremiam em frente ao Palácio São Joaquim para ver o Papa Francisco, oito internos do Degase desfrutavam do privilégio do estar ao lado do Santo Padre. E era mais do que perto. Eles beijaram, abraçaram, tiraram muitas fotos, receberam presentes, ouviram conselhos e foram abençoados para começar uma nova vida.

 

Como na maioria das agendas da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o pontífice quebrou protocolos e, segundo os jovens, ficou mais tempo que o previsto. Os 15 minutos viraram 30. Neste tempo, os internos deram presentes e N.C, de 18 anos, foi além. A menina entregou um São Francisco esculpido em cerâmica negra, cartas, poesia e cantou uma música composta por ela.

 

Na versão de “Apenas mais uma de amor”, de Lulu Santos, a jovem escreveu: “A esperança que me deu, isso não tem como dizer. Essa oportunidade para mim foi tudo. Caberá só a mim aproveitar. O que eu ganho e o que eu perco, só Deus consegue saber”.

 

– Cantei e ele achou lindo. Eu entreguei cartas contando minha história desde que nasci e ele disse que vai ler e rezar por mim. Levei fotos da minha avó, irmão, da minha mãe que faleceu e da minha irmã, que morreu há duas semanas. Ele orou por eles e me emocionei bastante. Foi uma bênção. Estou com o coração em paz – lembrou a jovem.

 

Segundo N.C, a simpatia e paciência do Santo Padre chamaram atenção. Ela aproveitou o momento para pedir fotos autografadas a familiares e levou uma fotografia do avó, que tem problemas de saúde. O Papa Francisco atendeu todos os pedidos e benzeu um terço e água para a menina para passar na perna enferma da idosa.

 

Depois de benzer objetos pessoais levados pelos jovens, o pontífice presenteou os oito com terços, uma medalha contendo sua imagem e kit-peregrinos da JMJ. Ele aproveitou para orientar e encorajar os menores. Para A.D, de 18 anos, as mensagens do Santo Padre servirão sempre de incentivo na busca por uma vida digna.

 

– Ele falou para termos mais amor e, daqui para frente, não fazermos as mesmas coisas que nos privaram de nossa liberdade. O Papa disse que acredita na nossa mudança e que todo ser humano tem direito a uma nova chance. Ele conversou com a gente como se fosse uma igual. Ele é muito simples. Foi especial estar com ele – contou a adolescente, que pretende participar das atividades da igreja quando sair do Degase.

 

Outro momento emocionante do encontro foi quando o Papa rezou pelas vítimas da Chacina da Candelária. Os meninos confeccionaram um grande rosário com bolinhas de isopor. Em cada uma delas, havia o nome dos mortos e seus familiares. O menino C.H, de 16 anos, lembra emocionado do momento:

 

– Foi muito marcante. Ele perguntou o que era Chacina da Candelária, rezou um Pai Nosso e disse: “Chacina nunca mais. Só paz, só paz”. Esse encontro vai mudar muita coisa na minha vida física, mental e espiritual. Sou um privilegiado. Quando sair, serei diferente. Vou voltar a estudar e vou trabalhar – disse o rapaz, morador de Macaé.

 

O colega de 17 anos tem o mesmo discurso e vê o encontro como um sinal vindo direto dos céus:

 

– Mais de um milhão queriam estar no meu lugar. Acho que é Deus querendo me mostra que tem o melhor para mim, que tem o novo caminho, o caminho do bem. Vou mudar de vida – concluiu o jovem.

 

De acordo com caio Guimarães, diretor ajunto da Unidade Escola João Luiz Alves, onde ficam dois dos oito jovens, o encontro com o Santo Padre vai refletir em todos os internos. Ele acredita que a empolgação e benefícios conquistados pelos escolhidos servirão de inspiração para os demais.

 

– Eles vão refletir com tudo isso. O juiz que estava lá falou que vai rever os processos deles. Esperamos que vejam essa nova chance como dádiva de Deus, possam se renovar e seguir em frente – afirmou Guimarães.

 

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