Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial

Retrospectiva inédita dos race pictures americanos, filmes produzidos exclusivamente para o público negro entre as décadas de 1910 e 1950
 

 A mostra Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial apresenta uma retrospectiva inédita dos filmes conhecidos como race pictures e faz uma homenagem ao pioneiro Oscar Micheaux (1884-1951), o mais importante cineasta do gênero, uma lenda entre os afro-americanos e ídolo de diretores contemporâneos como Spike Lee. A maioria dos 25 race pictures que serão exibidos na mostra foi dirigida por Micheaux mas também serão mostrados filmes de outros diretores como Spencer Williams (1893-1969), estrelados por atores como Paul Robeson, Stepin Fetchit e Evelyn Preer.

 

 

 
Completando a programação, o polêmico O Nascimento de uma Nação, de D. W. Griffith, lançado em 1915, que, com seus esteriótipos racistas, foi um dos estopins de uma grande reação da cultura negra; e o documentário Na Sombra de Hollywood: ‘Race Movies’ e o Nascimento do Cinema Negro, de 2007, dirigido por Brad Osborne. A produção da mostra editou um livro-catálogo de 300 páginas, com textos de acadêmicos norte-americanos especialistas em race pictures e realiza, no dia 7 de agosto, quarta-feira, uma palestra com Jacqueline Stewart, pesquisadora de cinema, literatura e cultura afro-americanas, autora do livro “Migrating to the Movies: Cinema and Black Urban Modernity” e de ensaios publicados em diversas revistas.
 
 

Oscar Micheaux escreveu, dirigiu, produziu e distribuiu todos os seus filmes agendando as exibições pessoalmente, de cinema em cinema, no Leste, Meio-Oeste e Sul dos EUA, na época em que havia salas distintas para brancos e negros. Ele foi o primeiro afro-americano a dirigir um longa-metragem, The Homesteader, em 1919, baseado em seu romance autobiográfico, e um filme sonoro, O Exílio, em 1931. Micheaux respondeu diretamente a Griffith com Dentro de nossas portas e O Símbolo do Inconquistado, destaques da mostra junto com Corpo e Alma, que traz Paul Robeson no papel de um pastor negro inescrupuloso, e O Sangue de Jesus, estreia do ator e roteirista Spencer Williams na direção que apresenta cenas impressionantes de um batismo em um rio numa comunidade negra rural.

 

 

Filmes independentes, completamente à margem de Hollywood, realizados com pouquíssimos recursos (entre 10 mil e 15 mil dólares), nas décadas de 1910 e 1950, os race pictures foram a chance de os negros olharem e falarem para si mesmos através de temas que mobilizavam tanto o Norte urbano e industrial (Harlem, Chicago), quanto o Sul rural: casamento entre raças, linchamentos, cinebiografias de afro-americanos famosos, jazz e blues. As produções, comparadas com os filmes de Hollywood, são tecnicamente pobres mas davam ao público o cinema livre dos estereótipos raciais que marcavam a indústria dominante.

 

 

Em Hollywood, durante o período da segregação racial, jamais houve diretores, produtores ou roteiristas negros. Já atores e atrizes estavam relegados a papéis secundários. Através dos race pictures, estrelas afro-americanas puderam efetivamente brilhar com personagens principais: Clarence Brooks, Noble Johnson, Stepin Fetchit, Evelyn Preer, Hattie McDaniel e, acima de todos, Paul Robeson, que estreou nas telas em Corpo e Alma, dez anos antes que finalmente Hollywood o escolhesse para a adaptação cinematográfica de Show Boat.

 

 

O sucesso de atores e de diretores negros que se seguiram – Sidney Poitier, Harry Belafonte, Dorothy Dandridge, Mario Van Peebles, Spike Lee, Lee Daniels, John Singleton, Denzel Washington, Halle Barry -, os quais romperam de vez com a segregação racial para entrarem em Hollywood, só foi possível graças ao trabalho quase anônimo de Oscar Micheaux e dos demais protagonistas dos race pictures.

 

Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil

Curadoria: Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida

Produção: Joice Scavone
 
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro

31 de julho a 12 de agosto de 2013 (quarta a segunda-feira / terça-feira: fechado)

Salas de Cinema 1 (98 lugares)

Rua Primeiro de Março 66, Centro, tel (21) 3808-2020

CINEPASSE: R$ 6 e R$ 3 (meia), válido durante a mostra, para acesso à sala de cinema 1, por meio de senhas. As senhas deverão ser retiradas 1h antes de cada sessão.

www.twitter.com/ccbb_rj

 

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