Papa inaugura ala do Hospital São Francisco de Assis da Providência de Deus

Um dos legados da Jornada Mundial da Juventude no Rio
 

Papa na Tijuca (Reprodução)

O Papa Francisco participou na tarde desta quarta-feira, 24, de uma cerimônia emocionante no Hospital São Francisco de Assis da Providência, na Tijuca, no Rio de Janeiro. A visita do pontífice marcou a inauguração do Polo de Atenção Integral a Saúde Mental, um dos legados sociais que a Jornada Mundial da Juventude deixa para a sociedade brasileira, que luta contra o consumo de drogas e pela inserção social dos dependentes químicos. O Polo, construído com a contribuição de R$ 2,5 milhões da Conferência Episcopal Italiana (CEI), terá inicialmente 40 leitos, mas espera dobrar sua capacidade até o fim do ano.  “Não é deixando livre o uso das drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química” – disse o Pontícife.

 

Papa na Tijuca.2 (Reprodução)
Devido ao mau tempo, Papa Francisco voltou de Aparecida de avião e chegou ao hospital às 18h15. Lá, foi recebido pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, pelo secretário de estado de Saúde, Sérgio Luiz Côrtes da Silveira, pelo diretor da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis da Providência de Deus, Frei Francisco Belotti, e pelo diretor executivo do hospital, Italo Marsili. Na comitiva, também estava o cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI).
O Papa começou sua visita com alguns minutos de oração na capela do hospital. Na saída, saudou os presentes, entre doentes, idosos, religiosos, médicos e enfermeiros, que o aguardavam apesar da chuva. A cerimônia foi realizada no pátio interno do hospital, com a presença de outros diretores e representantes da equipe médica, 20 pacientes internados e mais 300 internos em recuperação ou recuperados. Durante o ato, falaram o Arcebispo do Rio de Janeiro, Don Orani João Tempesta, o Vigário Episcopal para a Caridade Social da Diocese e coordenador do projeto, Padre Manuel de Oliveira Manangão, o diretor do hospital, Frei Francisco Belloti e dois pacientes.

 

Don Orani: evangelização anda junto com a promoção humana
Em sua fala, Dom Orani lembrou do Documento de Aparecida que, explicitamente, indica a “que a evangelização anda junto com a promoção humana”. O hospital é uma das iniciativas concretas com a qual a “Igreja contribui para humanizar a sociedade”. Neste caso particular, “a Igreja trabalha em rede para ajudar na recuperação dos dependentes, com um diferencial cristão”. Reconheceu também que o principal fundamento da JMJ é o encontro pessoal com Cristo que deve “revolucionar o modo de encarar a vida e de se relacionar com Deus, com si mesmo e com os outros”.

 

O Vigário Episcopal para a Caridade da Diocese, Padre Manuel Manangão, também dirigiu palavras ao Papa, explicando a origem da iniciativa, assim como da rede de atendimento aos doentes. Ele destacou o apoio e a participação das famílias no tratamento e recuperação dos pacientes. E pediu ao Papa oração e benção. Um ex dependente químico e um jovem em tratamento, visivelmente emocionado, contaram suas experiências ao Papa, representando os pacientes. Frei Francisco Belotti, diretor do hospital, destacou ainda o significado do nome Francisco, escolhido pelo novo Papa.

 

Papa Francisco: “Não deixem que lhes roubem a esperança”
O Papa iniciou seu discurso citando São Francisco de Assis, padroeiro do hospital, e sua vida de dedicação, dizendo que “não são as coisas, o ter, os ídolos do mundo a verdadeira riqueza e que estes não dão a verdadeira alegria, mas sim seguir a Cristo e servir os demais”. O pontífice também criticou fortemente o egoísmo, muito presente na sociedade atual, causador de tanta opressão e dependência. “São tantos os ‘mercadores da morte’ que seguem a lógica do poder e do dinheiro a todo custo”. Ele acrescentou que “a chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte exige da inteira sociedade um ato de coragem. Não é deixando livre o uso das drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química. É necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança no futuro”.

 

Além de agradecer o trabalho da equipe médica, a quem comparou ao Bom Samaritano, destacou que os dependentes químicos não estão sozinhos, mas que precisam aceitar a ajuda. “Olhem para frente com confiança; a travessia é longa e cansativa, mas olhem para frente”. Deixou também uma mensagem de esperança às famílias dos pacientes. “A Igreja não está longe dos esforços que vocês fazem. Elas lhes acompanha com carinho”.

 

Durante a cerimônia, o Papa recebeu uma imagem de São Francisco e flores, entregues por dois jovens. O Papa também ofereceu um presente ao hospital: um jogo completo de liturgia feito artesanalmente em Deruta (Itália). Vale destacar que a cadeira e o púlpito utilizados pelo Papa foram feitos por pacientes do hospital. Um “Pai Nosso” e a benção do Papa encerraram a cerimônia. Ele ainda fez uma saudação, em italiano, aos peregrinos da Itália que estavam em um evento no Maracanazinho.

 

A Associação e Fraternidade São Francisco de Assis da Providência de Deus pertence à Ordem Terceira Franciscana e atende população carente, segundo a orientação franciscana. Fundada em 1985, a Associação coordena centros de recuperação a atendimento médico e faz parte de uma rede de instuições dedicadas a este fim.

 

Redação com fontes do Centro de Imprensa da JMJ.

 

 

 

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