Rocha Faria inicia captação de leite materno em casa

Projeto Amigas do Leite aumentará estoque de doações do banco do hospital de Campo Grande
 

captação de leiteO Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande, acaba de iniciar o projeto Amigas do Leite, de captação de leite materno nas residências. O objetivo é suprir a demanda do Banco de Leite da unidade, que tem crescido muito, devido à grande incidência de bebês prematuros na maternidade do hospital. Toda semana, uma equipe vai à casa das cadastradas para recolher os potes de leite retirados segundo as orientações das enfermeiras responsáveis.

 

 

O projeto permitirá que a captação de leite aumente 246%, passando de 1,3 litro por semana para 4,5 litros. De acordo com a enfermeira Thaís Muniz, coordenadora do Banco de Leite, o programa também é uma das iniciativas que adequam a unidade aos critérios do Ministério da Saúde para concessão do certificado de “Hospital Amigo da Criança”, selo de qualidade que apoia e promove o aleitamento materno e as boas práticas relacionadas a ele. Os hospitais certificados recebem recursos federais.

 

 

– Queremos ser a primeira unidade estadual a receber a certificação. Já somos a 1ª a ir buscar o leite nas casas das mães. Nossa ação é boa para quem tem leite em excesso e para os bebês que precisam. Também fazemos um trabalho educativo com as mães, orientando-as sobre amamentação – explicou Thaís.

 

 

Com um bebê de cinco meses, a dona de casa Jocimara Sena, de 27 anos, é a primeira doadora em domicílio do Amigas do Leite. Moradora de Campo Grande, ela chega a doar um litro para o banco de leite, em apenas 48 horas. Consciente, a moça faz uma dieta especial, além de não beber nem fumar: evita frituras doces, alimentos industrializados ou com muito sódio; come muitas frutas e verduras; e bebe bastante água.

 

 

– Sempre quis doar, mas não teria como ir até o Rocha Faria com ele (o filho, Rafael). É maravilhoso, sei que tem muitos bebês que precisam – contou Jocimara, que aprendeu com a equipe do hospital a evitar que seu leite endureça, formando nódulos doloridos nos seios.

 

 

Ações de conscientização em Campo Grande

Nesta sexta-feira (5/7), a equipe do Amigas do Leite fez a primeira panfletagem sobre o programa, no calçadão de Campo Grande. Em três horas, as enfermeiras já tinham conseguido cadastrar 35 mães, que antes farão exames para atestar que estão aptas a doar. Uma das cadastradas foi a dona de casa Verônica Brito, de 20 anos, que amamenta até hoje Luiz David, de 1 ano e seis meses. A jovem conta que sempre teve leite em excesso, a ponto de ter que retirar e jogar fora.

– Já vi muito meu leite estragar, porque eu colocava em mamadeiras, mas ele não dava conta de mamar tanto. Agora quero ajudar as mães que não podem amamentar – disse Verônica.

 

 

Todo o leite recolhido pela equipe do Rocha Faria é identificado, dividido por maturação e acondicionado em freezers especiais. O líquido passa pelo processo de pasteurização, que inclui medições da acidez, da quantidade de gordura e uma análise microbiológica, para detectar a presença de microorganismos nocivos. Com todos os testes bons, o material permanece acondicionado a temperaturas baixíssimas, para ser consumido pelos bebês que precisem.

 

 

– Precisaríamos de uns 2 litros por dia para atender a todos os prematuros da nossa UTI neonatal. Mas acho que é possível chegarmos lá. Fazemos um trabalho lindo, que salva vidas – explicou a enfermeira Lucinêz Villa Maior, da equipe do Amigas do Leite.

 

Agência Brasil

0 comentários

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.