Seminário estreita laços entre Rio de Janeiro e Catalunha

À frente da palestra "Como construir marca de cidade e legado através da transformação", o diretor da Rio Imagem apontou Barcelona como a maior referência de uma cidade olímpica para o mundo
 

A cidade do Rio de Janeiro recebeu na terça-feira (09/07) o presidente da Catalunha, Artur Mas, acompanhado por 54 empresários da região, para o Seminário de Negócios e Indústria Brasil-Catalunha, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Mediado pelo diretor da Rio Imagem, Joaquim Monteiro, o encontro teve como tema principal a transformação da cidade de Barcelona após a realização dos Jogos Olímpicos de 1992, cujo projeto serve como fonte de inspiração para o Rio de Janeiro, que se prepara para sediar os Jogos em 2016. O encontro também reuniu o presidente do Porto de Barcelona, Sixte Cambra, o presidente do Colégio de Arquitetos da Catalunha, Luis Cameron, o subsecretário de Relações Internacionais do Governo do Estado, Pedro Spadale. Após as palestras, os participantes visitaram o Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, e o Centro de Operações Rio, na Cidade Nova.

 

 

À frente da palestra “Como construir marca de cidade e legado através da transformação”, o diretor da Rio Imagem apontou Barcelona como a maior referência de uma cidade olímpica para o mundo: “Os Jogos Olímpicos de 1992 não apenas revolucionaram a cultura da cidade, como também trouxeram muito ganho de qualidade de vida para a população. Barcelona passou a ser a 12ª cidade mais visitada do mundo e a quinta da Europa. Ou seja, é um sonho para a gente poder se inspirar no trabalho deles.”

 

Joaquim Monteiro explicou que a Prefeitura do Rio visitou diversas cidades que já sediaram uma Olimpíada para conhecer suas particularidades, pontos fracos e bons exemplos, que foram readaptados para a realidade do Rio. Ele citou o sistema de ônibus articulados BRT (Bus Rapid Transit) – com 152km de extensão, que ligarão toda a cidade – ; o projeto de revitalização da Região Portuária, o Porto Maravilha; e a nova infraestrutura habitacional para a cidade, o Morar Carioca, como alguns dos principais investimentos olímpicos que ficarão de legado para a cidade: “Para projetos como esses, o objetivo da prefeitura é gastar poucos recursos públicos naquilo que é considerado legado e potencializar a captação de recursos privados. O Brasil está na vitrine do mundo e o Rio de Janeiro é parte disso. A cidade não é apenas um ótimo lugar para se morar, mas também para visitar e fazer negócios”, disse. 

 

Como instrumento fomentador de negócios no Rio, a prefeitura criou a Agência de Promoção de Investimentos do Rio de Janeiro (Rio Negócios), que tem a missão de apresentar a cidade a empresas estrangeiras e potenciais investidores  seguindo o exemplo de outras 55 que já estabeleceram seus negócios na Cidade Maravilhosa.  

 

O presidente catalão afirmou que as transformações provocadas pela realização dos Jogos Olímpicos de 1992 podem ser sentidas até hoje.

 

“Após um período muito conturbado, de ditadura e de dificuldades sociais, as Olimpíadas foram, de fato, transformadoras. Melhoramos a cidade inteira, inclusive as regiões que não sediaram as competições. Porém, apesar disso tudo, sigo acreditando que o êxito de Barcelona não foi a Olimpíada em si, mas o pensamento focado nos anos seguintes. Não basta realizar um bom evento e a cidade cair no esquecimento. Foi essa mentalidade que nos ajudou, em grande parte, na colheita desses frutos”, disse Artur Mas, que se mostrou disposto a investir em outras cidades brasileiras.

 

Estamos visitando estados brasileiros com vistas ao estreitamento de negócios com o Brasil. Nossa cidade possui uma malha produtiva enorme, de mente aberta, que pretende dialogar com o mundo. Assim como toda a Europa,  vivemos hoje um período econômico ruim, mas estamos certos de que nossa capacidade de investir no mercado exterior nos fará sair dessa.

 

O subsecretário de Relações Internacionais do Estado, Pedro Spadale, destacou a posição do Rio de Janeiro como a segunda economia do país, afirmando que tal condição é reforçada pelos investimentos nas áreas de petróleo e gás, bem como no setor automobilístico. Segundo ele, o Rio está crescendo em todos os setores e isso se deu ao entrosamento entre os governos estadual, municipal e federal. Spadale afirmou que essa coesão foi apontada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) como “decisiva” para a escolha do Rio como sede dos Jogos de 2016: “O presidente do Porto de Barcelona, Sixte Cambra, avaliou as principais transformações ocorridas no porto de sua cidade, de 1956 a 2012, e a importância de sua integração à Barcelona. Após anos de investimentos e intervenções, o local recebe hoje cerca de 17 milhões de usuários e visitantes por ano. Um dos fatores desse sucesso, segundo ele, foi o respeito à personalidade histórica da região, que não foi alterada, bem como o trabalho conjunto das administrações públicas vinculadas ao terreno.”

 

Em sua apresentação, o presidente do Colégio de Arquitetura da Catalunha, Lluiz Comerón, falou sobre a importância do cuidado com os espaços públicos. No caso de eventos esportivos, ele disse que os equipamentos precisam, além de socializar com esses espaços, integrar os moradores da cidade que os sediam. No caso de Barcelona, as competições não se concentraram em um só lugar, o que permitiu a interligação de todas regiões e ganhos para a cidade inteira.

 

Ao final do seminário, o vice-presidente da Firjan afirmou que eventos como esse são fundamentais para o desenvolvimento de uma cidade. Segundo ele, a troca de experiências traz consigo a oportunidade de grandes negócios e soluções: “Definitivamente, foi a melhor apresentação que tivemos, pois combinou muito bem o desenvolvimento de Barcelona às possibilidades que desejamos ver no Rio de Janeiro. Tivemos uma aula de como se fazer projetos de desenvolvimento de uma região em 20 anos, uma vez que a maior parte dos trabalhos que a delegação nos apresentou foi feito após os Jogos. Mas a absorção deste projeto pela população foi a parte mais importante para a sua execução.”

 

Prefeitura do Rio

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