Ministério Público denuncia quadrilha que agia na Penitenciária Lemos Brito

"Golpe do falso sequestro": Os crimes foram praticados nos municípios de Niterói, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Alcântara, Itaboraí e na Barra da Tijuca
 

A 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 2ª Central de Inquéritos de Niterói ofereceu denúncia contra 11 integrantes de uma quadrilha que, entre agosto de 2010 e junho 2013, praticavam crimes de extorsão, através do conhecido “golpe do falso sequestro”. Quatro dos denunciados cumprem pena na Penitenciária Lemos Brito (Bangu 6). Foram encontrados nas celas dos presos comprovantes de depósitos bancários, celulares e um livro com anotações contábeis dos depósitos feitos pelas vítimas das extorsões. Os crimes foram praticados nos municípios de Niterói, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Alcântara, Itaboraí e no bairro da Barra da Tijuca.  

 

 

A 4ª Promotoria requereu a prisão preventiva de outros integrantes da quadrilha, que tinham prisão temporária decretada. De acordo com a denúncia, os bandidos tinham relações de parentesco ou de amizade. A maioria do bando era de Volta Redonda e de Barra Mansa. Os responsáveis por levar os celulares foram enquadrados também no artigo 349-A do Código Penal, que prevê punição para quem entra com o aparelho ou facilita a entrada de celular na prisão.  

 

 

 

Os presos Ezequiel de Oliveira Simplicio, o “Quiel”; Fabiano Moras, o “Binho” ou “Pesadão” ou “Bim”, Felipe Gabriel dos Reis e Willian Junior de Freitas, o “Willian de menor” ou “De menor” usavam a cela de Bangu VI como uma espécie de escritório da quadrilha, de onde faziam as ligações telefônicas e ameaçavam as vítimas. Nas ligações, eles sempre diziam às vítimas que tinham sequestrado um parente.  De acordo com a Promotoria, eles eram responsáveis por controlar todo o esquema do falso sequestro, inclusive a movimentação financeira.

 

 

 

 

Os outros denunciados integrantes da quadrilha – Iara da Silva, Nislaine Carvalho Reis, Ana Carolina Reis de Faria, Camila de Paiva Rosa, Fabíola Carmo da silva, Quenia Cristina Manoel da Silva e Sebastião da Silva – tinham como principal função levar os aparelhos celulares para a penitenciária e disponibilizar os números das contas bancárias para que as vítimas pudessem fazer os depósitos bancários.

 

 

 

A Promotoria ofereceu duas denúncias após a quadrilha extorquir dois moradores de Niterói. De acordo com as investigações feitas pela 77ª DP, uma das vítimas recebeu a ligação de um homem que dizia ter sequestrado a sua filha. Para libertá-la, ele exigia o depósito de R$ 4,5 mil, dividido em três contas bancárias. No outro caso, o valor exigido para liberar, supostamente, a vítima foi de R$ 6 mil.

 

 

 

De acordo com as denúncias, ambas as vítimas fizeram os depósitos e também a recarga nos celulares dos criminosos. O golpe foi percebido somente quando elas conseguiram entrar em contato com a pessoa da família que teria sido sequestrada. 

 

 

 

O crime de quadrilha tem pena máxima de três anos de reclusão; o de extorsão, pena de dez anos de reclusão. Com agravante, pode ser acrescida de 1/3 da pena.

 

 

A 4ª Promotoria de Investigação Penal enviou fotocópias da denúncia à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) para que adote as providências necessárias para aprimorar a fiscalização e o controle de visitas, além de investigar a possível conivência de agentes penitenciários. Durante as investigações, ficou evidente que uma das acusadas ingressou na penitenciária com um celular escondido no órgão genital.

 

 

 

Assessoria de Comunicação Social – MPRJ

0 comentários