Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial CCBB Rio de Janeiro até 19 de agosto

Retrospectiva inédita dos race pictures americanos, filmes produzidos exclusivamente para o público negro entre as décadas de 1910 e 1950
 

Na abertura da segunda semana da mostra Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial, o CCBB promove às 19h30, do dia 7 de agosto, quarta-feira, uma palestra com o convidado internacional Professor Richard Peña, da Universidade de Colúmbia, diretor de programação do Lincoln Center de 1988 até 2013, especialista em race pictures. Antes da palestra, às 15h30, será exibido Corpo e Alma, dirigido por Oscar Micheaux em 1925, e, às 17h30, O Sangue de Jesus, de Spencer Williams, lançado em 1941.

 

 

A mostra Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial apresenta, até 19 de agosto, uma retrospectiva inédita dos filmes conhecidos como race pictures e faz uma homenagem ao pioneiro Oscar Micheaux (1884-1951), o mais importante cineasta do gênero, uma lenda entre os afro-americanos e ídolo de diretores contemporâneos como Spike Lee. Dos 21 race pictures que compõem a mostra, 10 foram dirigidos por Micheaux, mas também serão mostrados filmes de outros cineastas, como Spencer Williams (1893 – 1969), estrelados por atores como Paul Robeson, Evelyn Preer e Clarence Brooks. Completando a programação, o polêmico O Nascimento de uma Nação, de D. W. Griffith, lançado em 1915, que, com seus esteriótipos racistas, foi um dos estopins de uma grande reação da cultura negra.

 

 

Oscar Micheaux escreveu, dirigiu, produziu e distribuiu todos os seus filmes agendando as exibições pessoalmente, de cinema em cinema, no Leste, Meio-Oeste e Sul dos EUA, na época em que havia salas distintas para brancos e negros. Ele foi o primeiro afro-americano a dirigir um longa-metragem, The Homesteader, em 1919, baseado em seu romance autobiográfico, e um filme sonoro, O Exílio, em 1931. Micheaux respondeu diretamente a Griffith com Dentro de nossas portas e O Símbolo do Inconquistado, destaques da mostra junto com Corpo e Alma, que traz Paul Robeson no papel de um pastor negro inescrupuloso, e O Sangue de Jesus, estreia do ator e roteirista Spencer Williams na direção que apresenta cenas impressionantes de um batismo em um rio numa comunidade negra rural. 

 

 

 

Filmes independentes, completamente à margem de Hollywood, realizados com pouquíssimos recursos (entre 10 mil e 15 mil dólares), nas décadas de 1910 e 1950, os race pictures foram a chance de os negros olharem e falarem para si mesmos através de temas que mobilizavam tanto o Norte urbano e industrial (Harlem, Chicago), quanto o Sul rural: casamento entre raças, linchamentos, cinebiografias de afro-americanos famosos, jazz e blues. As produções, comparadas com os filmes de Hollywood, são tecnicamente pobres mas davam ao público o cinema livre dos estereótipos raciais que marcavam a indústria dominante.

 

 

 

Em Hollywood, durante o período da segregação racial, jamais houve diretores, produtores ou roteiristas negros. Já atores e atrizes estavam relegados a papéis secundários. Através dos race pictures, estrelas afro-americanas puderam efetivamente brilhar com personagens principais: Clarence Brooks, Noble Johnson, Stepin Fetchit, Evelyn Preer, Hattie McDaniel e, acima de todos, Paul Robeson, que estreou nas telas em Corpo e Alma, dez anos antes que finalmente Hollywood o escolhesse para a adaptação cinematográfica de Show Boat.

 

 

 

Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil

Curadoria: Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida

Produção: Joice Scavone

www.bb.com.br/cultura

 

 

 

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro

31 de julho a 19 de agosto de 2013 (quarta a segunda-feira / terça-feira: fechado)

Salas de Cinema 1 (98 lugares)

Rua Primeiro de Março 66, Centro, tel (21) 3808-2020

CINEPASSE: R$ 6 e R$ 3 (meia), válido durante a mostra, para acesso à sala de cinema 1, por meio de senhas. As senhas deverão ser retiradas 1h antes de cada sessão.

 

www.twitter.com/ccbb_rj

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